sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Presunção



O que você escreveria sobre mim? Foi a pergunta que você me fez uma vez.

Outro dia, li em algum lugar: 'não são as respostas, são as perguntas que importam'.

Então, eu respondo agora, antes tarde do que nunca: 'Nada!'. Eu não escreveria nada, eu não me daria a esse trabalho. Não sou mulher de futuro do pretérito. Sou mulher do presente, para o presente, sou presente. Futuros do presente me atraem. Sou viva no agora.

O que eu escrevo para você é: mude a pergunta.

Porque não escrevo sobre ninguém, nem sobre o outro nem sobre mim. Escrevo sobre o mundo que vejo, como o mundo se desnuda e se revela diante de meu olhar. Às vezes são meus olhos simplesmente. Há momentos, porém, em que utilizo do microscópio. Outras tantas vezes eu pego uma lupa emprestada ou uso óculos que possam corrigir a miopia da minha percepção. Uma questão de humor. Humor vítreo, humor aquoso, vida cristalina. Bom humor, mau humor, bem-me-quer, mal-me-quer, opacidades.

E quantas vezes, no fim, com ou sem olhar, com ou sem compreensão, encontro-me com mais uma batalha perdida, de uma guerra que nem se sabe se termina. E de repente chego a pensar se é mesmo tudo isso uma batalha que perdi ou se foi a batalha que se perdeu de mim. Perguntas que prefiro ter. Dúvidas que me acompanham. Respostas que não importam.