sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Poema oculto



Entre as linhas
(amarelas linhas
de um caderno velho),
bolinhas
tracinhos
pinguinhos
e outros rabiscos.

Riscos
descuidados
de um coração
em farrapos.

Mas isso,
nas entrelinhas.
Que obviamente
quase ninguém vê
nem lê.

Quase.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

4000 acessos


São 4000 acessos. Números modestos, mas de grande significado para mim. Quando terminei os dois primeiros posts, pensei que não haveria um terceiro. Nesse tempo, acho que desde janeiro de 2012, é como se eu tivesse embarcado em uma viagem. Quanto mais escrevo, mais descubro coisas sobre mim. E tenho me descoberto como alguém que tem esperança e que leva sementes de sonhos nas mãos. Obrigada aos que viajam comigo pelos mares de meus escritos. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Presentinho


Minha amiga Dora, sabedora da minha paixão por livros e escritos fez um presentinho para mim. Olha só:


Lindo, não acham?
Agora tenho como carregar meus livros sem arranhar a capa, porque eles têm uma bolsa só para eles.
Quem curte artesanato, vai adorar o blog dela. É só clicar aqui.
E eu já estou fazendo o maior sucesso com minha bolsa nova. ;-)

domingo, 25 de agosto de 2013

Entreparênteses - O desfecho da primeira temporada


Semana que vem, dia 31 de agosto, é dia do Mc Dia Feliz. Aquele dia em que você vai à rede de fast food, escolhe pelo número e virá um sanduíche, não um profissional importado. Neste dia, a renda arrecadada é revertida para ajudar crianças com câncer. Iniciativa bacana.

Mas há outro câncer se instalando em nossa sociedade, ainda sem iniciativas para seu combate: o câncer de uma corrupção desmedida, de atos autoritários e bem pensados, que levam à restrição de liberdade e tiram do cidadão honesto a esperança de dias melhores. Um câncer que mata em massa, feito doença contagiosa. E começa a matar quando prioriza obras que reformam estádios e deixam às minguas os hospitais. Afinal, enquanto a saúde estiver calamitosa ela continuará sendo uma bandeira de promessa de políticos.

Não sei o que é pior: levantar a bandeira da salvação às custas de um acordo com a ditadura cubana ou se é maquiar resoluções que se inauguram sem estar prontas. Fim dos tempos. Um tempo que sangra sob o sol da bandeira vermelha de um partido que se dizia do povo. Sinceramente, a vontade de responder àquela paciente era: 
"_Senhora, o país não vai mudar enquanto o povo não se rebelar, Enquanto uma revolução nas urnas não acontecer. Enquanto não se aceitar a esmola da bolsa-qualquer-coisa. Enquanto a sintonia geral for a de que é possível se dar bem abrindo mão dos bons valores, da ética, da moral."

Mas sabe como é, é preciso plantar esperança. E há casos em que é preciso dizer simplesmente: "_Sim, o país vai mudar". Olhar o horizonte e não vislumbrar nada é apenas um estímulo para esse plantio. Um plantio cuja colheita pode levar muitos anos. Mas quem carrega consigo sementes sabe: nem sempre seremos nós mesmos a colher as flores, os frutos e a sombra acolhedora que deixamos pelo caminho. Continuo com a mãos cheias de sementes. Tem gente que se sabe semeador. Entre e fora dos parênteses.

sábado, 24 de agosto de 2013

Entreparênteses 5


Primeiro paciente do dia, olho para ela, ela sorri e me pergunta:
_Doutora, a senhora acha que o país vai mudar?
Levei um susto. Mas não transpareci a minha preocupação com a ferida sangrando - feridas psíquicas também sangram. Olhei para ela, como já olhei para muitos cirurgiões em campo cirúrgico, e respondi:
_Tenho certeza de que tudo vai dar certo. A senhora não se preocupe com isso.
Aí, ela perguntou se eu tinha facebook!
Isso é ser médica neste país: quando tudo falta, a gente administra "palavras de conforto". Ainda que não consiga vislumbrar nada no horizonte.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Entreparênteses 4


É mais ou menos assim: a Dama de Vermelho já respondeu ao R.S.V.P., e então uma nova capa de asfalto foi colocada no acesso ao local. Latas de tinta deram novo tom ao meio-fio, antes desbotado pelo descaso. Agora, dia da inauguração, tudo está pronto. Engarrafamento não é problema, temos heliporto. Ocupem seus lugares, todos. Mas antes, façam a gentileza: entrem na fila e peguem seus narizes de palhaço, pois a inauguração ainda declina de profissionais contratados para fazer valer o empreendimento. Tudo, para inglês ver. Para brasileiro se ferrar. Para cubano nenhum botar defeito. A escola vermelha daqui aprendeu direitinho com a de lá. E viva a ditadura!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Entreparênteses 3



Sonho de Renato Russo (ele está na moda, de novo): "o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes. Realidade de Cris Guenin: engarrafada em frente ao Maracanã, esplendoroso, enquanto logo ali ao lado agoniza o Hospital Pedro Ernesto. Ah! "Quem me dera que o mais simples fosse visto como o mais importante...". Por um país de 3x0 na corrupção.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Entreparênteses 2


Acho interessante as opiniões, diferentes da minha, sobre a vinda dos cubanos. Se eles estão vindo sem revalidar o diploma, eu sou contra. Mas que eles venham então. Há muitas pessoas se manifestando a favor. Observo essas mesmas pessoas com um olhar de muita reserva: são a favor mas não serão pacientes deles. Pimenta nos olhos dos outros. E o próprio ministro declarou, em entrevista à TV fechada, que, sem diploma revalidado, esses profissionais serão obrigados a ficar no interior. Isso não seria restringir a liberdade? Isso não seria trabalho escravo? Eu sou do tempo em que as pessoas desejavam para os outros aquilo que desejam para si mesmas. Quem é a favor, e pactua com isso, que torne-se paciente de um entre o 4 mil cubanos que estão a caminho. Leia-se: o próprio político que tenta legalizar isso. Virão eles em navios "negreiros"? Sofrerão de banzo? Espanta-me que o tema não seja discutido na imprensa de grande alcance de maneira clara. Tudo é dito, mas de forma que não esclarece o fato. Espanta que não haja no jornalista o objetivo de expor a verdade à população. Mas como disse, é tudo uma questão de princípios. Aliás, algo super démodé.

domingo, 18 de agosto de 2013

(Entreparênteses) - Uma série recuperada



É mais ou menos desse jeito: antigamente eu tinha um caderno, onde guardava as coisas que escrevia. Daí, resolvi fazer isso publicamente, como todos já sabem, e os textos foram ficando "guardados" aqui no blog. Mas não escrevo só aqui, não. Na rede social famosinha e mais frequentada, estou sempre emitindo minhas opiniões. Depois, quando olho aqueles posts da rede, vejo que escrevi um texto: meio crônica, meio conto, meio poesia, meio um pouco de tudo e meio nada disso. Não tem classificação didática - eu acho. O cotidiano não se classifica. Vive-se. E lá, é o cotidiano, e não o sonho e o lirismo, que mais importam. Diferente do que geralmente acontece aqui, no Manuscritos.

Como é de conhecimento de quem lê meu blog, também tenho problemas com posts em séries. Um belo dia, resolvi que escreveria vários textos, por uma semana, com a mesma nuance porém com enfoques diferentes. A mesma temática. A primeira tentativa ficou do jeito que eu queria, um post a cada dia. Uma série de uma semana, com o desfecho no fim. Aí, tentei a segunda série. Estava cheia de idéias, mas não as escrevi logo. Comecei a postar e me senti perdida, esqueci tudo o que queria falar. Nem teve desfecho. Tentei uma terceira séria, fiasco total, nem sei como chegou ao terceiro post.

Agora vai ser diferente. Diferente e igual ao mesmo tempo. Igual porque vai ser uma série. Diferente porque já tem vários posts escritos,. Resolvi guardar aqui, no meu caderninho moderno, coisas que postei na rede social. Para não ficarem perdidos por lá, pois à medida que você posta coisas novas, as antigas ficam difíceis de achar, resolvi recuperá-los e guardar tudo aqui, no blog.

Vou começar pelo último, porque tem mais a ver com o momento político, e não quero que as coisas percam sentido. Gosto da vida com significado. O título que aqui vai (Mc Lanche Político) não é de minha autoria, é da Ju, uma amiga que compartilhou o texto e deu esse título. Então, começa hoje o (Entreparênteses). Mais relacionado às notícias do nosso dia-a--dia, com menos romantismo, mais pitada de humor e sarcasmo. Porque há coisas que se diz e pensa entreparênteses. Mas que deviam vir escancaradas. Lá vai:


(Mac Lanche Político)

A minha ingenuidade ainda me espanta, acredita? Eu juro que achava que o objeto de importação eram as matérias-primas, os insumos e os produtos industrializados. Juro!
Mas parece que agora importa-se também profissionais. O que, devo dizer, pouco me importa, mas ainda me espanta.
O número 1 na lista das importações é o médico (tipo Big Mac: dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim. Gostoso assim, tinha que ser o médico). 
Parece que o número 2 vai ser o engenheiro. 
E se ficar mesmo confirmado isso, está instituída a "McDilma's-Entrega: Peça pelo número". Afinal, em 8 anos, o Brasil passou a ser um fast-food. Com direito a obesidade na conta bancária de muitos PolíTicos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cabelos ao vento...


E que soprem os ventos de agosto,
Tenho os cabelos soltos.
E se vierem tornados, furacões e ciclones
Que eles todos pareçam - simplesmente -
suaves brisas.
A beijar-me a face.