segunda-feira, 24 de junho de 2013

Poesia das ruas - O que dói em todos nós

                                                                              Eu #doiemtodosnós #vemprarua #mudabrasil

Já tive posts políticos por aqui. Não é minha praia, mas sou repleta de política em minhas veias. Sempre gostei de história, não sei se isso explica, e também não sei se é preciso alguma explicação. Quando adolescente, em uma cidade do interior, adorava os comícios na época de eleições para prefeito. E adorava me envolver e decidir de que lado estava. Nunca fui em cima do muro, eu sou de escolher um lado e pular. Eu pulo. E pulo para o lado em que consigo vislumbrar um jardim. Sempre achei que a poesia está em tudo. Está na rua, no jardim, na arquitetura, no estilo de vida, na atitude, e dentro de cada um.

Estou escrevendo isso porque, de repente, nesta última semana a poesia tomou as ruas deste país de maneira legítima, no corpo de uma multidão que protesta. Protesta pelos seus direitos, por justiça, por um país do qual todos possam se orgulhar. Fiquei inflada. Talvez um ancestral meu tenha participado da revolução francesa, deve ser coisa que está no sangue.  Ou talvez, bem mais simples, as histórias de meu tio-avô sobre lutas e manifestos dos quais ele participou, junto com o Brizola, tenham adormecido em mim na infância e crescido feito bolo com muito fermento. Talvez tantas outras coisas. Mas entre tantas possibilidades, sei que algo em minhas veias ferve com uma manifestação e meu passado diz também sobre mim.

Pintei a cara em 1992. Tenho muito orgulho disso, de ser parte de uma geração que foi às ruas e fez acontecer. Não tiro o mérito daquele manifesto, tenha sido manipulado ou não por mídias e interesses outros. Vejo o principal: uma força que despertava e saía às ruas, pra dizer que país se quer. Naquele ano eu estava entrando na Faculdade de Medicina. Aos 18 anos sonhava em salvar vidas. Na faculdade levei um susto: dei de cara com a morte. Entrei em um anatômico e tive que dissecar cadáveres. Ao mesmo tempo que era lindo descobrir como era o corpo humano por dentro, era estranho conviver tão junto com a simbologia da finitude. E em especial, o cadáver que tínhamos, inspirava um respeito, uma admiração, uma quase reverência. Seu corpo havia sido doado por ele próprio, dono de pensão, que albergava debaixo de seu teto estudantes de medicina. E por isso, de perto, ele sabia das dificuldades de ser médico neste país. O cadáver que dissequei tinha nome, família conhecida, um endereço quando vivo, endereço compartilhado por alguns dos estudantes daquela faculdade. A ele meu mais que respeito, minha admiração e agradecimento por poder conhecer seu corpo de forma tão profunda...

Política é mais ou menos assim: algo que se revela quando se disseca seu corpo. E o corpo dissecado desse partido e desse país governado pelo famigerado PT é um corpo que causa sensações diferentes da dissecção que encontrei no anatômico. Diferentes em qualidade, mas suficientes para me fazer voltar a ir para as ruas, como naquela época. Não consigo fugir ao tema. Passei a semana loucamente correndo, trabalhando, praticando o que Abraham Verghese chamou em seu 11º Mandamento de "tratamento de urgência, em situação de choque,  ministrado pelo ouvido”. Qual é esse tratamento? Ele mesmo reponde em seu livro:  “palavras de conforto”. E ao fim da semana, recebo, pelo ouvido, com todos os brasileiros, o pronunciamento da presidente. Neste, explicitamente um desrespeito, um ataque baixo à classe médica brasileira, uma tentativa de nos retirar a dignidade e a honra em sermos herdeiros de Avicena. Numa manobra de manipular a opinião pública brasileira, ela anunciou como medida para melhoria da saúde a vinda de "médicos do exterior". A presidente não leu o livro de Abraham Verghese, desconhece o tratamento de urgência, que se administra em situações de choque.

A presidente esqueceu, mas nós médicos, somos herdeiros de Hipócrates. De Galeno e Avicena. Somos detentores de um saber. E nosso saber é dual: é ciência e arte, transita por dois mundos, e é concreto. Resiliência está entre nossas habilidades. Ficamos todos chocados com a declaração que nos ataca. E apesar de estarrecidos,  vamos continuar trabalhando da mesma maneira. Mas com desejos maiores que os de antes. Com o desejo de que palavras de conforto cheguem a cada coração despedaçado. Com o desejo de que palavras de conforto cheguem a cada pai que chora por não poder ver seu filho ter sonhos - porque há os que nem podem sonhar, e eu os atendo todos os dias. E desejo que um clarão de consciência atinja a cada político para que eles se tornem cumpridores de seu dever, empregados do povo que são. Desejo que as manifestações desse país repercutam em mudança concreta, e principalmente sem a criação de novos monstros - porque há os que se apropriam de situações para se promoverem e, 20 anos depois, adentrarem o senado e apertarem as mãos daqueles contra os quais haviam lutado (Lindberg , seu filho da puta, é de você mesmo que falo). E sim, quero dar nome aos bois agora, porque isso aqui não é uma ditadura. Ainda. Ainda e enquanto houver poesia. Porque dói em todos nós, já me apropriando de slogan da manifestação, essa falta de respeito com a população, essa corrupção desmedida que tomou posse, há muito, nos palácios administrativos desse país. E enquanto o que doer em todos nós sangrar em união e força para uma luta por dias melhores, estaremos unidos. Em busca da poesia que ficou perdida. Talvez do outro lado do muro, o lado para o qual o país não pulou.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Dissociação


Houve um dia em que me apaixonei. Estranhamente, intensamente, uma paixão de um tipo que eu ainda não tinha vivenciado: uma paixão que chamei de "amor na alma". Devo antes dizer que já me apaixonei muito, infinitas vezes, e que bom! Acho que é uma dádiva, o dom da paixão. Já me apaixonei porque aquele era "o homem mais lindo que eu já tinha visto", outras vezes porque era "o mais inteligente", "o mais divertido", "o mais rebelde" ou ainda porque era "o melhor beijo do mundo". Até já me apaixonei porque era "a maior fé em Deus que eu já vi em um homem". Mas nunca, nunca havia sentido nada assim, nada que se parecesse com o "amor na alma". Era uma espécie de arrebatamento, que me fazia transbordar e parecia não caber em mim. Eu me apaixonei por alguém cujo rosto eu não conhecia pessoalmente, cuja voz sequer eu ouvira, cuja pele eu nunca tinha tocado. Mas que fazia minha alma dançar uma dança suave e forte... 

Uma paixão do tipo "amor na alma" era algo inédito na minha vida, e confesso, uma das coisas mais completas em termos de sentimento espiritual que eu já experimentara. Era como se algo soprasse dentro de mim, e fizesse mover meu espírito. Eu me tornava maior. Uma sensação de ser tocada pelos dizeres do outro e também tocá-lo em recantos profundos e nunca antes descobertos. Sensações. E um "conhecer" o outro sem precisar de explicação. Eu simplesmente o entendia, o percebia, o sabia em nuances íntimas e que poucos alcançavam. 

Mas aí, como toda história digna de quem é dada a poesias, não fui correspondida. Primeiro, fiquei muito triste. Depois, chorei e comecei a extravasar minha dor. Escrevi uns poemas melancólicos e outros utópicos, todos guardados no caderno. E feito menina triste, minha alma ficou pelos cantos. Pelos cantos de mim. E eu me senti incompleta, vazia, partida ao meio. Uma alma sem corpo, um corpo sem alma, completa dissociação do meu ser. Eu andei pelo mundo sem sopro de vida naqueles dias... 

Mas aí, o tempo, esse garotinho mimado, que só faz o que quer e quando bem lhe entende, resolveu agir, e rápido, sobre a minha razão. Ele me disse que era preciso explicar as coisas para minha alma. Ele me mostrou que eu podia perder a paixão que tive. Era triste, mas eu podia perder aquilo tudo, posto que nunca tive de fato o amor do outro. Logo, de fato não era uma perda. O que eu não podia, não mesmo, era me perder de mim... E ele tinha razão...

Então falei pra minha alma que eu, o meu Eu-Corpo, precisava de toque na pele, de beijo na boca, de ouvir palavras doces feitas para mim e para Nós-Corpo-e-Alma. Contei para ela, minha alma irremediavelmente triste, que paixão na alma é raro sim, mas que Eu-Corpo e Eu-Alma somos uma coisa só, somos o Eu-Mulher. E que o Eu-Mulher precisa viver um amor que nos torne uma só, alma e corpo, uma mulher feliz e amada. Falei também que ela guardasse na lembrança, com carinho, aquele sentimento único que ela, o meu Eu-Alma, foi capaz de sentir. Porque talvez não aconteça nunca mais...

(Paro aqui, ao escrever, e respiro. Um quase-suspiro ao lembrar daquele arrebatamento que fazia ventar a minha alma e movê-la feito bailarina... Dança flamenca, intensa, flamejando de paixão. Pausa... Preciso de ar... Ainda.). Mas, bem, talvez não aconteça nunca mais, outra vez, esse amor na alma. Essa paixão estranha e linda, é coisa de fazer feliz alguém só por tê-lo experimentado. Não tem cara de coisa que acontece de novo. Mas só talvez. 

E surpresa, percebi que minha alma entendeu. E voltou a viver alegrinha, pois alegria e felicidade são sentimentos distintos. E agora, pelos caminhos tortos da vida, minha alma segue, certa de que tudo está no seu lugar, como deveria estar. Ela me fala todos os dias que sente falta. Daquele sopro. Mas sente a gratidão de quem sabe que experimentou uma preciosidade. E mais: vivemos as duas novamente unidas, sem sopro, sem arrebatamentos, mas com a certeza de que a vida é repleta de riquezas. Que poderão acontecer de outra forma, vestida com outra roupa, com um outro tipo de amar. Afinal, muitas são as formas de amar. Eu-mulher está pronta. Que venha o próximo presente. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma nova página a caminho

                                                                   Foto extraída do instagram do usuário "lovepaperplane"


Já escrevi aqui antes sobre a fênix, no início do blog. Pois continuo achando que, se eu tivesse que ser algum ser fantástico já imaginado antes, eu seria uma fênix. Não porque eu quero, mas porque simplesmente é meu: tenho uma capacidade imensa de transcender, e depois de morrer, renascer das cinzas. Blá-blá-blá, lugar comum, eu sei. Mas quem foi que disse que não há felicidade em lugares-comuns, em coisas simples, no cotidiano? Quem foi?


Pois é isso: desde que acordei hoje uma alegria enorme me acompanha. Nem sei o porquê, mas foram tantas questões profissionais dificílimas essa semana, que ter resolvido todas elas com habilidade, carinho e muita diplomacia com certeza são parte desse sentimento bom que me adentra. Mas é mais que isso. É a sensação deliciosa de ganhar presentes da vida o que, nesse momento, me alegra tanto. Meu olhar que vê o que (quase) ninguém alcança está muito apurado, e tenho percebido minha vida inteira como uma grande e poderosa oração: "Obrigada! Obrigada! Obrigada!".

E nesse sentido sutil que o mundo tem me revelado, embarquei, com a mala da coragem e do medo juntas, mas a mala do medo ficou pelo caminho: extraviou. Estou muito feliz por conseguir me reinventar a cada crise: aceito a mudança que se impõe inevitável, umas vezes morrendo, mas sempre renascendo, com asas magnificas e dotada da capacidade de sonhar e alçar vôos para terras longínquas. 

Isso tudo pra dizer que ontem, naquela energia toda de amor pairando sobre a cidade, lancei uma página nova, aquela mesma que eu já tinha dito outro dia que estava a caminho... Ah... Você pensou que eu falava sobre outra coisa? Rsrsrsrs. Eu sempre falo no duplo sentido, ;-). 

Lancei uma página no facebook. Se você quiser curtir a página fique à vontade, eu vou curtir isso, rs. A página chegou, mas confesso que eu não sei bem o que vou escrever por lá, se as mesmas coisas daqui ou outras. Entrei em crise de criatividade diante da invenção de moda e acho que corro o risco dela começar e acabar num susto só. Mas eu sou agora uma fênix novinha de novo, e a alegria está pelo caminho. Isso sim é o que importa. O restante sempre vem. Um beijo e um carinho pra você que leu até aqui!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Amor, amor, amor...




Porque a maior poesia é amar e ser amada: dispensa palavras, não necessita de ritmo, transcende qualquer metáfora. Porque o verbo amar é uma hipérbole, conjugada a dois, em tempos compostos de ser feliz, sonhar acordada, sorrir à toa, andar nas nuvens. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Prescrição para ser uma plantinha florida



Tudo o que não recebe alimento e cuidado, morre. Todo mundo sabe disso. Mas se todo mundo sabe, porque existem tantas pessoas murchas, feito plantas que não foram regadas? Perguntas que me faço. Sempre me fiz muitas perguntas. Para essa pergunta, encontrei a resposta.

E a resposta que me dei é a que agora explico: as pessoas estão murchas por aí porque esperam alimento e cuidado do outro. É preciso, antes de tudo, cuidar de si mesmo. Ninguém dá o que não tem, sem romantismos nem idealismos, por favor. Então, para ser plantinha florida, é preciso descobrir o que te faz despontar com folhas novas, o que é que há em você que brilha mais forte quando o sol amanhece alaranjado no horizonte e o que te faz remanso ao luar. Receita de fórmula simples. O que não é nada simples é seguir o tratamento. É preciso uma dose alta de empenho para fazer esse tipo de descoberta.

Coragem é necessária também, sejamos francos. Afinal, olhar para dentro de si e se assumir sendo o que se é, com singularidades incríveis e defeitos monstruosos, requer coragem. Mas olhar para os próprios monstros é quase como acender uma lâmpada fluorescente na escuridão: os fantasmas simplesmente somem! E isso é libertador.

Então, não se deixe perder o viço. Alimente-se de alimentos dos mais diversos tipos de nutrientes para uma vida feliz. Alimente sua criança interior com chocolates, pipocas, com uma voltinha numa roda gigante ou um balanço na pracinha. Tá valendo! Tudo com moderação, ou não necessariamente, depende do seu colesterol e se sua pressão está controlada. Não vá depois me culpar e dizer que falei para você fazer merda por aí. Não misture as coisas. Alimente. Apenas alimente a sua criança.

Dê à sua criatividade filmes, livros e um hino à liberdade. E se você não teve oportunidade de aprender o hino à liberdade, já lhe digo: roupas leves, sapatos com garras e uma trilha no meio da mata. Não há maneira melhor de sentir liberdade. Bem, isso, na minha opinião. Pois eu, já descobri o que me faz plantinha florida. E estou aqui, escrevendo essa bobagem toda, porque talvez você também queira florescer tudo ao seu redor. E minha experiência é só mais uma entre tantas. Mas se lhe for útil, fico feliz. Se não for, eu escrevi e você me leu, rimos os dois disso tudo.

Fato é que é preciso alimentar os muitos sonhos que moram dentro de cada um de nós. E para isso você não precisa fazer uma viagem cara, embora fazer viagens seja super saudável. Pra cultivar os sonhos sempre floridos, é preciso imaginação. E imaginação pressupõe uma vontade própria. Portanto, faça coisas que te encantam. Faça um bolo só pelo prazer de sentir o cheirinho dele assando, faça reuniões com os amigos, só pra rirem de coisas tolas. Faça. Faça coisas. Cultive alegria.

Alegria não é vendida em lojas, em sementes empacotadas. Mas as sementes estão entre risos e formas de viver - e ver - a vida. E escolher o riso e a forma positiva de experimentar o cotidiano pode até requerer treino no inicio. Mas só no inicio. Não custa dinheiro e não tem contra-indicação. Agora, se você de repente começar a viver com a cabeça nas nuvens, e muito muito feliz, isso sim, é um efeito colateral. Sem maiores gravidades, eu garanto!

sábado, 8 de junho de 2013

Reinvenção - Uma nova página a caminho



E quando tudo parece dor, quando a conexão se vai de mim arrancada com brutalidade -  a brutalidade da realidade que me é desfavorável, quando tudo parece que não vai ter mais sentido, me vejo diante do abismo do nada. Sem caminho para onde dar o passo, enclausurada pelo 'quase' que se equiparou a 'coisa nenhuma'... É nesse momento que penso que vou morrer. Exageros que me compõem.

Mas gata escaldada não teme água fria. E sabe que o rio que passa tem duas margens. Se é que é mesmo rio. E sendo rio, é só me lançar nele, nadar, boiar, agarrar na barbatana de um peixe-amigo, não brigar com a correnteza, não ter medo, nada temer. Eu não vejo agora, mas sei que a outra margem está lá. Vou em direção a ela. E se ela não estiver lá, é porque o rio não é rio, o rio já é mar. E quem se sabe amor, não tem medo das dores do amar. Vai. Joga-se. Porque se é mar, está tudo certo: as lágrimas são salgadas e estou em casa, nas águas salinas do oceano de se aventurar. 

Quando penso que vou morrer, diante da antítese da reciprocidade, é nesse momento, que mesmo sem saber, eu me reinvento. E encontro a página em que vou escrever uma nova história. A duas mãos: as minhas somente. Nesse momento, é isso o que tenho. E com o que tenho, construo castelos belos, jardins suspensos, sem Salomão nem Babilônia. "O sábio não se aborrece: confia". Recadinhos que meu anjo da guarda me trouxe essa noite, dormida com lágrimas e tristeza. Dia amanhecido com um sol brilhando lindo, só pra me lembrar o que o sábio Salomão já devia saber, na Babilônia da vida, e que o poeta uma vez transcreveu: sofrer é opcional. É outono apenas... Tempo em que as folhas caem... 

domingo, 2 de junho de 2013

Que sejamos livres



Surgiu numa conversa trivial, mas me chamou a atenção. Fiquei pensando nela. Feito um eco que só eu ouvia, lá dentro, ela, a frase, se repetia: "Que sejamos livres!".

Pois que seja assim. Seja eu, sejas tu, seja ele, sejamos nós todos, livres... Livres para expressar(mos) nossa própria carne sangrando pela falta do amor. Livres para deixar(mos) escoar, ralo abaixo, e até a última gota, o sangue invisível de nossa dor. Livres para fazer(mos) perceptível a nossa frustração. Livres para escrever(mos) o que bem quiser, sem que haja uma censura a nos vetar, nem pública, nem do tipo auto-censura. Livres de todas as amarras e conceitos e verdades castradoras. Livres apenas.

Porque ser "livre apenas" é coisa simples. E é o simples que me encanta. E que nesse encantamento a liberdade voe, em asas de um abraço... Porque há dias em que é preciso se expor, em demônios e escuridão. Porque tudo habita no íntimo de cada ser. Coragens que me faltam, medos que me vencem. Derrotas sentidas em silêncio na alma, tristezas que encontram afago em palavras, colhidas para fazer voz a um eco... que só eu ouço, só eu sinto, e que não teve reflexo...