segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre felicidade e exemplares vendidos de jornal


Porções diárias de medo e violência em doses às vezes nem tão homeopáticas adentram nossos lares. Você liga a TV, por comodidade ou por preguiça de buscar a informação escrita ou pela rede, e mal termina de fazê-lo, já tem início a chuva. Um temporal de desgraças, relâmpagos de agressividade, notícias sanguinolentas, decadentes, moralmente desmotivadoras. Ódios e comportamentos munidos de egoísmo, travestidos de doenças psíquicas, acasos e fatalidades insuportavelmente doloridos para uma existência idônea. 

Uma enchente de desânimo assola toda e qualquer alma que se vê diante da tela do eletrodoméstico ingrato. Esgotos que transbordam. E trazem à tona toda a sorte de dejetos. Devendo informar, não trazem esclarecimento, apenas a gratuita sombra. Envolvem em pessimismo e descrença o seu telespectador. Eu, eu quero gritar! Um grito bem alto! Peço ao mundo que seja como antes... Eu quero a realidade na íntegra sim, mas com um tom de esperança ao fim. Ou... será? Alguém me diga, por gentileza... Se é o mundo que está mesmo virado de ponta-cabeça ou se sou eu, que estou de cabeça pra baixo, e penso que é o mundo... Diante de tanta escuridão, da sensação de impunidade, da veiculada certeza de que nada podemos mudar, quero cair fora. Como viver aqui se não adianta existirmos? Quem pede que seja enviada essa mensagem subliminar? A quem interessa confundir e criar a dúvida? Valores trafegam por finos fios, feito um equilibrista. A vida parece um circo, não um dilúvio, ou talvez, um picadeiro assolado por uma inundação. Tudo junto.

Eu penso. Eu vejo. Eu uso óculos. Eu não disfarço as conexões feitas por minhas sinapses. Ostento. Troféu sem glória. Vitória sem aplauso. Um caminho vazio. Desligo a TV. Resolvo escrever. É preciso soprar ao vento uma canção. Uma canção que espalhe a esperança. Que leve um toque de fé a quem ouvi-la. E deixar que o destino entregue essa mensagem. Explícita, aberta, escancarada. Uma mensagem de que não me dou por vencida. Que vida é meu nome, que meus sonhos são castelos de areia sim, mas isso, só no começo. Transformo em tijolo a poeira de minhas andanças. Carrego na face o sorriso de quem acredita. E vou morrer desejando que a paz habite cada ser humano. Porque assim, em paz, podemos ligar a TV, ouvir a notícia e continuar acreditando que é preciso ser correto, honesto, generoso, grato. Com, sem ou apesar do baixo ibope associado ao ser humano de bem. Características que não vendem jornal. Mas a felicidade pessoal não é mesmo medida por jornais vendidos. Ou a sua é?

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