terça-feira, 23 de abril de 2013

Porta aberta


E de repente, abro a porta. E por ela, porta aberta, passa o vento, passa a luz, passa um pássaro. Há muitas outras metáforas e sonhos que passam... Só quem não passa sou eu. Fico ali, parada.

Não  sei  se  quero.  Ou, quem sabe, talvez eu queira apenas ver passar. Mas não quero ver da janela. Não sou a moça que vê a banda. Gosto de portas. Gosto de pontes. Gosto de tanta coisa...

E  me  embala a esperança estar ali, diante dela, a porta. Diante apenas da possibilidade de compor um quadro, mas a qualquer tempo, tudo mudar. Basta apenas passar através. Atravessar. A travessia.

Os  dois  lados  de uma porta: o lado de dentro e o lado de fora. O que se guarda e o que se mostra. O que se conhece e o que se quer aprender. E o que os separa: a porta, a decisão, o passo - o agir. Vontade.

Atravessar. Um  'através' de possibilidades. Um transpor a fronteira, um dar de ombros diante da chance do insucesso, o arriscar. Correndo riscos e estradas, limites e exposições. Travessias são sempre uma aventura.

E  assim  é. Diante da porta, não é só o caminhar. É a vontade que grita e te empurra. É o estar pronta. Mas há coisas para as quais só se sabe pronta vivendo no agora o momento que chama.

Coisas  que  nunca se sabe quando se tem como  guia  o cálculo exatamente matemático da lógica racional e aritmética de quem não se entrega. A frase é longa, mas de significado curto: a vida, não é uma reta.

Nela, há momentos, diante da  porta,  em  que  tudo é preenchido  de um presente contínuo, como ir vendo, ir deixando, ir acontecendo. Filosofias. Sem hipérboles nem megaclarões de lucidez. Eu, adoro ir.

Ir no infinitivo mesmo, acompanhada de um gerúndio. Adoro gerúndios também. E assim, é hora de ir. Cantando, dançando, escrevendo, aventurando(-me), sonhando. Atravessando. Decisão inevitável.

Porta aberta. Feito o vento, tal qual a luz, como se fosse um pássaro, passo por ela. Olho adiante, coisa daquele tipo que insiste em ir em frente. E com todo o desapego que me é possível, penso: não sei quando volto.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!
Responderei ao seu comentário em seu respectivo blog.
Até mais!