quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sístole e Diástole


E em alto fluxo deságua. A vida. Em vermelho líquido. Enche e preenche todo o espaço. Pronto a receber, aberto a acolher, cavidade de amor. Movimento de expansão. Enche, enche, enche de emoção. Como o rio que corre para o mar. Como a água que vem beijar a margem na maré alta. Como o universo que se movimenta e faz chover estrelas... Assim deságua a vida na vida. 

E de repente, repleto, segue o movimento já sabido, a contração. O recolhimento máximo da cavidade, que se dobra ao seu interior e expulsa de si nada mais que ela novamente: a vida! Expulsa com força e ela escoa, vermelha, por tubos de tecido vivo que nossa imaginação tece em sistemas. Vai levando sonho, e leva esperança, leva amor, leva medo também. Em alguns momentos é a raiva, em outros alegria, às vezes tristeza, e ainda saudade. Leva... E circula a vida, assim, em molécula. Cumpre seu papel sem questionar, sem nem saber o porquê, sem motivo que precise de haver.

Cicla o ciclo. Tum-tá. E toda a existência se movimenta e dança o seu balé. Cicla o ciclo da vida. Sístole. Diástole. Sístole. Diástole outra vez. Sucessivas. E ininterruptas. O movimento do universo inteiro. Sangue, coração, células humanas. Galáxias inteiras no mesmo movimento. Tum-tá. E tanta explicação, tanto saber, quando tudo o que importa é sentir. Deixa ser, que a vida sabe ciclar.


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