segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fake plastic trees


                                                    Duas árvores que, vistas de longe, parecem uma só. Foto minha. Em: Lago Titikaka

Já logo depois de acordar, hábitos modificados por uma vida conectada, tomo o café da manhã na rede. Rede social.

A foto estava lá, linda e com uma legenda bem atual. Ícones de um aplicativo: o bonequinho correndo, as notas musicais, o nome da banda e o nome da música. Quis tentar: ver a foto ao som da música para tocar a impressão que teve a fotógrafa. Pra quê? Pra que, eu me pergunto agora. Pois que deu nisso: tive que ligar o computador e postar o que tive que escrever...

Não, não toquei a impressão da fotógrafa. Devo andar carente de acontecimentos fantásticos, pois que ronda a minha imaginação uma máquina do tempo. E por ela, a máquina imaginária, fui transportada. Uma foto, uma música, uma sensibilidade aflorada, chorei. Fui tocada. Por algo, que nem sei bem, em minha alma. Uma saudade estranha... Saudade de tudo o que ainda não veio... Saudade de tudo o que não aconteceu... E a vontade de ser o que não ouso contar, mas que está lá, no finalzinho de radiohead, em fake plastic trees, a tal música da tal banda na legenda da foto da fotógrafa da danada da rede social em que tomei café da manhã.

A saudade do que ainda não vivi misturada com a lágrima da alegria pelos dias que se foram... Na máquina do tempo, fui transportada. A casa de minha infância, na cidade em que cresci, estava ali. Entrei. Rede na varanda, broa de milho assando, mamãe e papai felizes, meus bisavós casados por 60 anos, muito barulho, minha irmã gargalhando, piscina no quintal com muita farra, as plantas no murinho da varanda, a horta ao lado, meu regador verde de plástico...

Lembranças que destroem o medo de uma vida de borracha. E na tal máquina do tempo, fui ao passado. Vontade que ela me leve logo ao futuro. Mas de tudo isso, uma certeza me abraça nesse instante: a de que tenho raízes. E sendo assim, não preciso temer. Sou árvore de verdade.

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