sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Viagem de Ida



A menina-mulher em mim sorriu. Olhou-se e viu-se refletida no espelho de Sophie. Os sonhos estavam por todo o caminho, como flores que ninguém plantou e a natureza com perfeição cuidou. Sonhos imensos, e frescos como brisa em tardes de outono carioca... Brisa que renova, que faz crescer a esperança, que embala a tarde cheia de promessas. 

Ela não sabia antes, mas no espelho de Sophie coisas mágicas acontecem. Como parábolas convidativas a um mundo encantado. Agora, a mulher diante do espelho sabe. E sabe também que mundos encantados são cenário para contos. Contos de fada, de princesas e príncipes, de Alices e Dorothys. E de Sophie. Contos com final feliz, que acontecem fora, dentro - ou diante - de um espelho. Espelho que é reflexo dos desejos mais indissociáveis da menina que ali se olha, e que também é ela. 

A menina de ontem e a menina que habita o seu interior. Duas meninas dentro de um ser: a mulher que ostenta a certeza e a força, que esconde o medo e a insegurança, que ri e que chora, que corre e que fica, mas que sempre escolhe. E depois que escolhe, segue sua escolha com paixão. E foi desse jeito que a menina-mulher em mim tudo percebeu. E sorriu. Viagem de ida. Sophie acabara de voltar. E lhe contara: "feche os olhos e veja, abra os olhos e viva". E assim, fez. Fechou e viu. Sorriu. Abriu e seguiu.

E essa foi sua viagem de ida. Pelos mesmos caminhos floridos cujas flores ninguém plantou, ninguém regou, mas que o sol e a chuva cuidaram como se fossem suas. Caminhos por onde estavam os sonhos. Sonhos que pode vislumbrar ali, diante do espelho de Sophie. E essa seria mais uma viagem feliz. Ela sabia. (Pre)ssentia. E assim seguiu, com um sorriso a lhe iluminar. 

Um comentário:

  1. Adorei o diálogo! O melhor da viagem não é só ir, ou nem só voltar, mas também encontrar pessoas.

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