domingo, 3 de novembro de 2013

Fragmentos e Garrafas ao Mar



Resolvi que, de hoje em diante, por aqui, vou rasgar tudo. Exatamente como se faz com as roupas velhas, os papéis guardados, as lembranças mofadas. E todos estes fragmentos, rasgados, partidos, em pedaços, aos farrapos, tornar-se-ão, apenas e somente, partes de quem eu fui. E quero depositar tudo daqui - meus textos agora esfacelados em pequenos trechos - dentro de garrafas. Em muitas garrafas. E cada uma delas, contendo uma parte da história. História que vou contando a cada passo, a cada linha na qual me refaço. Rasgo assim meus manuscritos e lanço-os ao mar. E que cheguem a todos, nos mais distantes cantos, em todo o lugar por onde a vida brotar.

Lanço minha mensagem ao oceano pelo qual todos viajam e poucos se sentem peixes: o mar de emoções. Não será preciso buscar nas cavernas o sentido de meus fragmentos. Se algum dia, essa garrafa você encontrar, saiba que ela remete ao mar de sonhos que sou eu - e que deve ser você também. Pois somos todos humanos, caminhando por essa superfície azul; somos todos muito parecidos e ao mesmo tempo muito diferentes. E todos temos sonhos.

Desejo a você, que resgata essa garrafa, que você encontre o mesmo que de mim se vai. Sou amor, e me transmuto em palavras.

(Uma tentativa de continuar o blog de uma maneira diferente. Vamos ver se funciona, rs).

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Presunção



O que você escreveria sobre mim? Foi a pergunta que você me fez uma vez.

Outro dia, li em algum lugar: 'não são as respostas, são as perguntas que importam'.

Então, eu respondo agora, antes tarde do que nunca: 'Nada!'. Eu não escreveria nada, eu não me daria a esse trabalho. Não sou mulher de futuro do pretérito. Sou mulher do presente, para o presente, sou presente. Futuros do presente me atraem. Sou viva no agora.

O que eu escrevo para você é: mude a pergunta.

Porque não escrevo sobre ninguém, nem sobre o outro nem sobre mim. Escrevo sobre o mundo que vejo, como o mundo se desnuda e se revela diante de meu olhar. Às vezes são meus olhos simplesmente. Há momentos, porém, em que utilizo do microscópio. Outras tantas vezes eu pego uma lupa emprestada ou uso óculos que possam corrigir a miopia da minha percepção. Uma questão de humor. Humor vítreo, humor aquoso, vida cristalina. Bom humor, mau humor, bem-me-quer, mal-me-quer, opacidades.

E quantas vezes, no fim, com ou sem olhar, com ou sem compreensão, encontro-me com mais uma batalha perdida, de uma guerra que nem se sabe se termina. E de repente chego a pensar se é mesmo tudo isso uma batalha que perdi ou se foi a batalha que se perdeu de mim. Perguntas que prefiro ter. Dúvidas que me acompanham. Respostas que não importam.  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Setembro em flor



E que setembro me abrace
tenho na face um sorriso.
E se vierem as lágrimas
que sejam todas - simplesmente -
gotas de orvalho
beijando as flores.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A morte da ilusão



Quando Ilusão morreu, o dia nasceu lindo. Pássaros cantavam alegres, criancinhas brincavam na rua, a algazarra seguia. Como se nada tivesse acontecido. 

Ninguém chorou por ela. Ninguém sentiu sua falta. Ninguém comentou sua morte. Ninguém compareceu ao velório nem ao enterro.

Foi sepultada no silêncio do vazio.

Sem honras nem glórias.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Poema oculto



Entre as linhas
(amarelas linhas
de um caderno velho),
bolinhas
tracinhos
pinguinhos
e outros rabiscos.

Riscos
descuidados
de um coração
em farrapos.

Mas isso,
nas entrelinhas.
Que obviamente
quase ninguém vê
nem lê.

Quase.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

4000 acessos


São 4000 acessos. Números modestos, mas de grande significado para mim. Quando terminei os dois primeiros posts, pensei que não haveria um terceiro. Nesse tempo, acho que desde janeiro de 2012, é como se eu tivesse embarcado em uma viagem. Quanto mais escrevo, mais descubro coisas sobre mim. E tenho me descoberto como alguém que tem esperança e que leva sementes de sonhos nas mãos. Obrigada aos que viajam comigo pelos mares de meus escritos. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Presentinho


Minha amiga Dora, sabedora da minha paixão por livros e escritos fez um presentinho para mim. Olha só:


Lindo, não acham?
Agora tenho como carregar meus livros sem arranhar a capa, porque eles têm uma bolsa só para eles.
Quem curte artesanato, vai adorar o blog dela. É só clicar aqui.
E eu já estou fazendo o maior sucesso com minha bolsa nova. ;-)

domingo, 25 de agosto de 2013

Entreparênteses - O desfecho da primeira temporada


Semana que vem, dia 31 de agosto, é dia do Mc Dia Feliz. Aquele dia em que você vai à rede de fast food, escolhe pelo número e virá um sanduíche, não um profissional importado. Neste dia, a renda arrecadada é revertida para ajudar crianças com câncer. Iniciativa bacana.

Mas há outro câncer se instalando em nossa sociedade, ainda sem iniciativas para seu combate: o câncer de uma corrupção desmedida, de atos autoritários e bem pensados, que levam à restrição de liberdade e tiram do cidadão honesto a esperança de dias melhores. Um câncer que mata em massa, feito doença contagiosa. E começa a matar quando prioriza obras que reformam estádios e deixam às minguas os hospitais. Afinal, enquanto a saúde estiver calamitosa ela continuará sendo uma bandeira de promessa de políticos.

Não sei o que é pior: levantar a bandeira da salvação às custas de um acordo com a ditadura cubana ou se é maquiar resoluções que se inauguram sem estar prontas. Fim dos tempos. Um tempo que sangra sob o sol da bandeira vermelha de um partido que se dizia do povo. Sinceramente, a vontade de responder àquela paciente era: 
"_Senhora, o país não vai mudar enquanto o povo não se rebelar, Enquanto uma revolução nas urnas não acontecer. Enquanto não se aceitar a esmola da bolsa-qualquer-coisa. Enquanto a sintonia geral for a de que é possível se dar bem abrindo mão dos bons valores, da ética, da moral."

Mas sabe como é, é preciso plantar esperança. E há casos em que é preciso dizer simplesmente: "_Sim, o país vai mudar". Olhar o horizonte e não vislumbrar nada é apenas um estímulo para esse plantio. Um plantio cuja colheita pode levar muitos anos. Mas quem carrega consigo sementes sabe: nem sempre seremos nós mesmos a colher as flores, os frutos e a sombra acolhedora que deixamos pelo caminho. Continuo com a mãos cheias de sementes. Tem gente que se sabe semeador. Entre e fora dos parênteses.

sábado, 24 de agosto de 2013

Entreparênteses 5


Primeiro paciente do dia, olho para ela, ela sorri e me pergunta:
_Doutora, a senhora acha que o país vai mudar?
Levei um susto. Mas não transpareci a minha preocupação com a ferida sangrando - feridas psíquicas também sangram. Olhei para ela, como já olhei para muitos cirurgiões em campo cirúrgico, e respondi:
_Tenho certeza de que tudo vai dar certo. A senhora não se preocupe com isso.
Aí, ela perguntou se eu tinha facebook!
Isso é ser médica neste país: quando tudo falta, a gente administra "palavras de conforto". Ainda que não consiga vislumbrar nada no horizonte.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Entreparênteses 4


É mais ou menos assim: a Dama de Vermelho já respondeu ao R.S.V.P., e então uma nova capa de asfalto foi colocada no acesso ao local. Latas de tinta deram novo tom ao meio-fio, antes desbotado pelo descaso. Agora, dia da inauguração, tudo está pronto. Engarrafamento não é problema, temos heliporto. Ocupem seus lugares, todos. Mas antes, façam a gentileza: entrem na fila e peguem seus narizes de palhaço, pois a inauguração ainda declina de profissionais contratados para fazer valer o empreendimento. Tudo, para inglês ver. Para brasileiro se ferrar. Para cubano nenhum botar defeito. A escola vermelha daqui aprendeu direitinho com a de lá. E viva a ditadura!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Entreparênteses 3



Sonho de Renato Russo (ele está na moda, de novo): "o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes. Realidade de Cris Guenin: engarrafada em frente ao Maracanã, esplendoroso, enquanto logo ali ao lado agoniza o Hospital Pedro Ernesto. Ah! "Quem me dera que o mais simples fosse visto como o mais importante...". Por um país de 3x0 na corrupção.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Entreparênteses 2


Acho interessante as opiniões, diferentes da minha, sobre a vinda dos cubanos. Se eles estão vindo sem revalidar o diploma, eu sou contra. Mas que eles venham então. Há muitas pessoas se manifestando a favor. Observo essas mesmas pessoas com um olhar de muita reserva: são a favor mas não serão pacientes deles. Pimenta nos olhos dos outros. E o próprio ministro declarou, em entrevista à TV fechada, que, sem diploma revalidado, esses profissionais serão obrigados a ficar no interior. Isso não seria restringir a liberdade? Isso não seria trabalho escravo? Eu sou do tempo em que as pessoas desejavam para os outros aquilo que desejam para si mesmas. Quem é a favor, e pactua com isso, que torne-se paciente de um entre o 4 mil cubanos que estão a caminho. Leia-se: o próprio político que tenta legalizar isso. Virão eles em navios "negreiros"? Sofrerão de banzo? Espanta-me que o tema não seja discutido na imprensa de grande alcance de maneira clara. Tudo é dito, mas de forma que não esclarece o fato. Espanta que não haja no jornalista o objetivo de expor a verdade à população. Mas como disse, é tudo uma questão de princípios. Aliás, algo super démodé.

domingo, 18 de agosto de 2013

(Entreparênteses) - Uma série recuperada



É mais ou menos desse jeito: antigamente eu tinha um caderno, onde guardava as coisas que escrevia. Daí, resolvi fazer isso publicamente, como todos já sabem, e os textos foram ficando "guardados" aqui no blog. Mas não escrevo só aqui, não. Na rede social famosinha e mais frequentada, estou sempre emitindo minhas opiniões. Depois, quando olho aqueles posts da rede, vejo que escrevi um texto: meio crônica, meio conto, meio poesia, meio um pouco de tudo e meio nada disso. Não tem classificação didática - eu acho. O cotidiano não se classifica. Vive-se. E lá, é o cotidiano, e não o sonho e o lirismo, que mais importam. Diferente do que geralmente acontece aqui, no Manuscritos.

Como é de conhecimento de quem lê meu blog, também tenho problemas com posts em séries. Um belo dia, resolvi que escreveria vários textos, por uma semana, com a mesma nuance porém com enfoques diferentes. A mesma temática. A primeira tentativa ficou do jeito que eu queria, um post a cada dia. Uma série de uma semana, com o desfecho no fim. Aí, tentei a segunda série. Estava cheia de idéias, mas não as escrevi logo. Comecei a postar e me senti perdida, esqueci tudo o que queria falar. Nem teve desfecho. Tentei uma terceira séria, fiasco total, nem sei como chegou ao terceiro post.

Agora vai ser diferente. Diferente e igual ao mesmo tempo. Igual porque vai ser uma série. Diferente porque já tem vários posts escritos,. Resolvi guardar aqui, no meu caderninho moderno, coisas que postei na rede social. Para não ficarem perdidos por lá, pois à medida que você posta coisas novas, as antigas ficam difíceis de achar, resolvi recuperá-los e guardar tudo aqui, no blog.

Vou começar pelo último, porque tem mais a ver com o momento político, e não quero que as coisas percam sentido. Gosto da vida com significado. O título que aqui vai (Mc Lanche Político) não é de minha autoria, é da Ju, uma amiga que compartilhou o texto e deu esse título. Então, começa hoje o (Entreparênteses). Mais relacionado às notícias do nosso dia-a--dia, com menos romantismo, mais pitada de humor e sarcasmo. Porque há coisas que se diz e pensa entreparênteses. Mas que deviam vir escancaradas. Lá vai:


(Mac Lanche Político)

A minha ingenuidade ainda me espanta, acredita? Eu juro que achava que o objeto de importação eram as matérias-primas, os insumos e os produtos industrializados. Juro!
Mas parece que agora importa-se também profissionais. O que, devo dizer, pouco me importa, mas ainda me espanta.
O número 1 na lista das importações é o médico (tipo Big Mac: dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim. Gostoso assim, tinha que ser o médico). 
Parece que o número 2 vai ser o engenheiro. 
E se ficar mesmo confirmado isso, está instituída a "McDilma's-Entrega: Peça pelo número". Afinal, em 8 anos, o Brasil passou a ser um fast-food. Com direito a obesidade na conta bancária de muitos PolíTicos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cabelos ao vento...


E que soprem os ventos de agosto,
Tenho os cabelos soltos.
E se vierem tornados, furacões e ciclones
Que eles todos pareçam - simplesmente -
suaves brisas.
A beijar-me a face.

sábado, 13 de julho de 2013

Prefácio

                                     


Encontraram-se numa livraria
E quem saberia
O que seria
Depois.

Depois da meia-noite
Depois do dia amanhecido
De uma noite mal dormida
Pela mordida
Do bichinho chamado Paixão.

Quem saberia
Se haveria
E se chegaria
Ao estágio avançado
Chamado amor.

O que se sabe
É que se encontraram
E não se tem notícia
Até agora
Do depois.

Isso é outro capítulo
De um livro ainda não escrito.
A quatro mãos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Poesia das ruas - O que dói em todos nós

                                                                              Eu #doiemtodosnós #vemprarua #mudabrasil

Já tive posts políticos por aqui. Não é minha praia, mas sou repleta de política em minhas veias. Sempre gostei de história, não sei se isso explica, e também não sei se é preciso alguma explicação. Quando adolescente, em uma cidade do interior, adorava os comícios na época de eleições para prefeito. E adorava me envolver e decidir de que lado estava. Nunca fui em cima do muro, eu sou de escolher um lado e pular. Eu pulo. E pulo para o lado em que consigo vislumbrar um jardim. Sempre achei que a poesia está em tudo. Está na rua, no jardim, na arquitetura, no estilo de vida, na atitude, e dentro de cada um.

Estou escrevendo isso porque, de repente, nesta última semana a poesia tomou as ruas deste país de maneira legítima, no corpo de uma multidão que protesta. Protesta pelos seus direitos, por justiça, por um país do qual todos possam se orgulhar. Fiquei inflada. Talvez um ancestral meu tenha participado da revolução francesa, deve ser coisa que está no sangue.  Ou talvez, bem mais simples, as histórias de meu tio-avô sobre lutas e manifestos dos quais ele participou, junto com o Brizola, tenham adormecido em mim na infância e crescido feito bolo com muito fermento. Talvez tantas outras coisas. Mas entre tantas possibilidades, sei que algo em minhas veias ferve com uma manifestação e meu passado diz também sobre mim.

Pintei a cara em 1992. Tenho muito orgulho disso, de ser parte de uma geração que foi às ruas e fez acontecer. Não tiro o mérito daquele manifesto, tenha sido manipulado ou não por mídias e interesses outros. Vejo o principal: uma força que despertava e saía às ruas, pra dizer que país se quer. Naquele ano eu estava entrando na Faculdade de Medicina. Aos 18 anos sonhava em salvar vidas. Na faculdade levei um susto: dei de cara com a morte. Entrei em um anatômico e tive que dissecar cadáveres. Ao mesmo tempo que era lindo descobrir como era o corpo humano por dentro, era estranho conviver tão junto com a simbologia da finitude. E em especial, o cadáver que tínhamos, inspirava um respeito, uma admiração, uma quase reverência. Seu corpo havia sido doado por ele próprio, dono de pensão, que albergava debaixo de seu teto estudantes de medicina. E por isso, de perto, ele sabia das dificuldades de ser médico neste país. O cadáver que dissequei tinha nome, família conhecida, um endereço quando vivo, endereço compartilhado por alguns dos estudantes daquela faculdade. A ele meu mais que respeito, minha admiração e agradecimento por poder conhecer seu corpo de forma tão profunda...

Política é mais ou menos assim: algo que se revela quando se disseca seu corpo. E o corpo dissecado desse partido e desse país governado pelo famigerado PT é um corpo que causa sensações diferentes da dissecção que encontrei no anatômico. Diferentes em qualidade, mas suficientes para me fazer voltar a ir para as ruas, como naquela época. Não consigo fugir ao tema. Passei a semana loucamente correndo, trabalhando, praticando o que Abraham Verghese chamou em seu 11º Mandamento de "tratamento de urgência, em situação de choque,  ministrado pelo ouvido”. Qual é esse tratamento? Ele mesmo reponde em seu livro:  “palavras de conforto”. E ao fim da semana, recebo, pelo ouvido, com todos os brasileiros, o pronunciamento da presidente. Neste, explicitamente um desrespeito, um ataque baixo à classe médica brasileira, uma tentativa de nos retirar a dignidade e a honra em sermos herdeiros de Avicena. Numa manobra de manipular a opinião pública brasileira, ela anunciou como medida para melhoria da saúde a vinda de "médicos do exterior". A presidente não leu o livro de Abraham Verghese, desconhece o tratamento de urgência, que se administra em situações de choque.

A presidente esqueceu, mas nós médicos, somos herdeiros de Hipócrates. De Galeno e Avicena. Somos detentores de um saber. E nosso saber é dual: é ciência e arte, transita por dois mundos, e é concreto. Resiliência está entre nossas habilidades. Ficamos todos chocados com a declaração que nos ataca. E apesar de estarrecidos,  vamos continuar trabalhando da mesma maneira. Mas com desejos maiores que os de antes. Com o desejo de que palavras de conforto cheguem a cada coração despedaçado. Com o desejo de que palavras de conforto cheguem a cada pai que chora por não poder ver seu filho ter sonhos - porque há os que nem podem sonhar, e eu os atendo todos os dias. E desejo que um clarão de consciência atinja a cada político para que eles se tornem cumpridores de seu dever, empregados do povo que são. Desejo que as manifestações desse país repercutam em mudança concreta, e principalmente sem a criação de novos monstros - porque há os que se apropriam de situações para se promoverem e, 20 anos depois, adentrarem o senado e apertarem as mãos daqueles contra os quais haviam lutado (Lindberg , seu filho da puta, é de você mesmo que falo). E sim, quero dar nome aos bois agora, porque isso aqui não é uma ditadura. Ainda. Ainda e enquanto houver poesia. Porque dói em todos nós, já me apropriando de slogan da manifestação, essa falta de respeito com a população, essa corrupção desmedida que tomou posse, há muito, nos palácios administrativos desse país. E enquanto o que doer em todos nós sangrar em união e força para uma luta por dias melhores, estaremos unidos. Em busca da poesia que ficou perdida. Talvez do outro lado do muro, o lado para o qual o país não pulou.



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Dissociação


Houve um dia em que me apaixonei. Estranhamente, intensamente, uma paixão de um tipo que eu ainda não tinha vivenciado: uma paixão que chamei de "amor na alma". Devo antes dizer que já me apaixonei muito, infinitas vezes, e que bom! Acho que é uma dádiva, o dom da paixão. Já me apaixonei porque aquele era "o homem mais lindo que eu já tinha visto", outras vezes porque era "o mais inteligente", "o mais divertido", "o mais rebelde" ou ainda porque era "o melhor beijo do mundo". Até já me apaixonei porque era "a maior fé em Deus que eu já vi em um homem". Mas nunca, nunca havia sentido nada assim, nada que se parecesse com o "amor na alma". Era uma espécie de arrebatamento, que me fazia transbordar e parecia não caber em mim. Eu me apaixonei por alguém cujo rosto eu não conhecia pessoalmente, cuja voz sequer eu ouvira, cuja pele eu nunca tinha tocado. Mas que fazia minha alma dançar uma dança suave e forte... 

Uma paixão do tipo "amor na alma" era algo inédito na minha vida, e confesso, uma das coisas mais completas em termos de sentimento espiritual que eu já experimentara. Era como se algo soprasse dentro de mim, e fizesse mover meu espírito. Eu me tornava maior. Uma sensação de ser tocada pelos dizeres do outro e também tocá-lo em recantos profundos e nunca antes descobertos. Sensações. E um "conhecer" o outro sem precisar de explicação. Eu simplesmente o entendia, o percebia, o sabia em nuances íntimas e que poucos alcançavam. 

Mas aí, como toda história digna de quem é dada a poesias, não fui correspondida. Primeiro, fiquei muito triste. Depois, chorei e comecei a extravasar minha dor. Escrevi uns poemas melancólicos e outros utópicos, todos guardados no caderno. E feito menina triste, minha alma ficou pelos cantos. Pelos cantos de mim. E eu me senti incompleta, vazia, partida ao meio. Uma alma sem corpo, um corpo sem alma, completa dissociação do meu ser. Eu andei pelo mundo sem sopro de vida naqueles dias... 

Mas aí, o tempo, esse garotinho mimado, que só faz o que quer e quando bem lhe entende, resolveu agir, e rápido, sobre a minha razão. Ele me disse que era preciso explicar as coisas para minha alma. Ele me mostrou que eu podia perder a paixão que tive. Era triste, mas eu podia perder aquilo tudo, posto que nunca tive de fato o amor do outro. Logo, de fato não era uma perda. O que eu não podia, não mesmo, era me perder de mim... E ele tinha razão...

Então falei pra minha alma que eu, o meu Eu-Corpo, precisava de toque na pele, de beijo na boca, de ouvir palavras doces feitas para mim e para Nós-Corpo-e-Alma. Contei para ela, minha alma irremediavelmente triste, que paixão na alma é raro sim, mas que Eu-Corpo e Eu-Alma somos uma coisa só, somos o Eu-Mulher. E que o Eu-Mulher precisa viver um amor que nos torne uma só, alma e corpo, uma mulher feliz e amada. Falei também que ela guardasse na lembrança, com carinho, aquele sentimento único que ela, o meu Eu-Alma, foi capaz de sentir. Porque talvez não aconteça nunca mais...

(Paro aqui, ao escrever, e respiro. Um quase-suspiro ao lembrar daquele arrebatamento que fazia ventar a minha alma e movê-la feito bailarina... Dança flamenca, intensa, flamejando de paixão. Pausa... Preciso de ar... Ainda.). Mas, bem, talvez não aconteça nunca mais, outra vez, esse amor na alma. Essa paixão estranha e linda, é coisa de fazer feliz alguém só por tê-lo experimentado. Não tem cara de coisa que acontece de novo. Mas só talvez. 

E surpresa, percebi que minha alma entendeu. E voltou a viver alegrinha, pois alegria e felicidade são sentimentos distintos. E agora, pelos caminhos tortos da vida, minha alma segue, certa de que tudo está no seu lugar, como deveria estar. Ela me fala todos os dias que sente falta. Daquele sopro. Mas sente a gratidão de quem sabe que experimentou uma preciosidade. E mais: vivemos as duas novamente unidas, sem sopro, sem arrebatamentos, mas com a certeza de que a vida é repleta de riquezas. Que poderão acontecer de outra forma, vestida com outra roupa, com um outro tipo de amar. Afinal, muitas são as formas de amar. Eu-mulher está pronta. Que venha o próximo presente. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma nova página a caminho

                                                                   Foto extraída do instagram do usuário "lovepaperplane"


Já escrevi aqui antes sobre a fênix, no início do blog. Pois continuo achando que, se eu tivesse que ser algum ser fantástico já imaginado antes, eu seria uma fênix. Não porque eu quero, mas porque simplesmente é meu: tenho uma capacidade imensa de transcender, e depois de morrer, renascer das cinzas. Blá-blá-blá, lugar comum, eu sei. Mas quem foi que disse que não há felicidade em lugares-comuns, em coisas simples, no cotidiano? Quem foi?


Pois é isso: desde que acordei hoje uma alegria enorme me acompanha. Nem sei o porquê, mas foram tantas questões profissionais dificílimas essa semana, que ter resolvido todas elas com habilidade, carinho e muita diplomacia com certeza são parte desse sentimento bom que me adentra. Mas é mais que isso. É a sensação deliciosa de ganhar presentes da vida o que, nesse momento, me alegra tanto. Meu olhar que vê o que (quase) ninguém alcança está muito apurado, e tenho percebido minha vida inteira como uma grande e poderosa oração: "Obrigada! Obrigada! Obrigada!".

E nesse sentido sutil que o mundo tem me revelado, embarquei, com a mala da coragem e do medo juntas, mas a mala do medo ficou pelo caminho: extraviou. Estou muito feliz por conseguir me reinventar a cada crise: aceito a mudança que se impõe inevitável, umas vezes morrendo, mas sempre renascendo, com asas magnificas e dotada da capacidade de sonhar e alçar vôos para terras longínquas. 

Isso tudo pra dizer que ontem, naquela energia toda de amor pairando sobre a cidade, lancei uma página nova, aquela mesma que eu já tinha dito outro dia que estava a caminho... Ah... Você pensou que eu falava sobre outra coisa? Rsrsrsrs. Eu sempre falo no duplo sentido, ;-). 

Lancei uma página no facebook. Se você quiser curtir a página fique à vontade, eu vou curtir isso, rs. A página chegou, mas confesso que eu não sei bem o que vou escrever por lá, se as mesmas coisas daqui ou outras. Entrei em crise de criatividade diante da invenção de moda e acho que corro o risco dela começar e acabar num susto só. Mas eu sou agora uma fênix novinha de novo, e a alegria está pelo caminho. Isso sim é o que importa. O restante sempre vem. Um beijo e um carinho pra você que leu até aqui!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Amor, amor, amor...




Porque a maior poesia é amar e ser amada: dispensa palavras, não necessita de ritmo, transcende qualquer metáfora. Porque o verbo amar é uma hipérbole, conjugada a dois, em tempos compostos de ser feliz, sonhar acordada, sorrir à toa, andar nas nuvens. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Prescrição para ser uma plantinha florida



Tudo o que não recebe alimento e cuidado, morre. Todo mundo sabe disso. Mas se todo mundo sabe, porque existem tantas pessoas murchas, feito plantas que não foram regadas? Perguntas que me faço. Sempre me fiz muitas perguntas. Para essa pergunta, encontrei a resposta.

E a resposta que me dei é a que agora explico: as pessoas estão murchas por aí porque esperam alimento e cuidado do outro. É preciso, antes de tudo, cuidar de si mesmo. Ninguém dá o que não tem, sem romantismos nem idealismos, por favor. Então, para ser plantinha florida, é preciso descobrir o que te faz despontar com folhas novas, o que é que há em você que brilha mais forte quando o sol amanhece alaranjado no horizonte e o que te faz remanso ao luar. Receita de fórmula simples. O que não é nada simples é seguir o tratamento. É preciso uma dose alta de empenho para fazer esse tipo de descoberta.

Coragem é necessária também, sejamos francos. Afinal, olhar para dentro de si e se assumir sendo o que se é, com singularidades incríveis e defeitos monstruosos, requer coragem. Mas olhar para os próprios monstros é quase como acender uma lâmpada fluorescente na escuridão: os fantasmas simplesmente somem! E isso é libertador.

Então, não se deixe perder o viço. Alimente-se de alimentos dos mais diversos tipos de nutrientes para uma vida feliz. Alimente sua criança interior com chocolates, pipocas, com uma voltinha numa roda gigante ou um balanço na pracinha. Tá valendo! Tudo com moderação, ou não necessariamente, depende do seu colesterol e se sua pressão está controlada. Não vá depois me culpar e dizer que falei para você fazer merda por aí. Não misture as coisas. Alimente. Apenas alimente a sua criança.

Dê à sua criatividade filmes, livros e um hino à liberdade. E se você não teve oportunidade de aprender o hino à liberdade, já lhe digo: roupas leves, sapatos com garras e uma trilha no meio da mata. Não há maneira melhor de sentir liberdade. Bem, isso, na minha opinião. Pois eu, já descobri o que me faz plantinha florida. E estou aqui, escrevendo essa bobagem toda, porque talvez você também queira florescer tudo ao seu redor. E minha experiência é só mais uma entre tantas. Mas se lhe for útil, fico feliz. Se não for, eu escrevi e você me leu, rimos os dois disso tudo.

Fato é que é preciso alimentar os muitos sonhos que moram dentro de cada um de nós. E para isso você não precisa fazer uma viagem cara, embora fazer viagens seja super saudável. Pra cultivar os sonhos sempre floridos, é preciso imaginação. E imaginação pressupõe uma vontade própria. Portanto, faça coisas que te encantam. Faça um bolo só pelo prazer de sentir o cheirinho dele assando, faça reuniões com os amigos, só pra rirem de coisas tolas. Faça. Faça coisas. Cultive alegria.

Alegria não é vendida em lojas, em sementes empacotadas. Mas as sementes estão entre risos e formas de viver - e ver - a vida. E escolher o riso e a forma positiva de experimentar o cotidiano pode até requerer treino no inicio. Mas só no inicio. Não custa dinheiro e não tem contra-indicação. Agora, se você de repente começar a viver com a cabeça nas nuvens, e muito muito feliz, isso sim, é um efeito colateral. Sem maiores gravidades, eu garanto!

sábado, 8 de junho de 2013

Reinvenção - Uma nova página a caminho



E quando tudo parece dor, quando a conexão se vai de mim arrancada com brutalidade -  a brutalidade da realidade que me é desfavorável, quando tudo parece que não vai ter mais sentido, me vejo diante do abismo do nada. Sem caminho para onde dar o passo, enclausurada pelo 'quase' que se equiparou a 'coisa nenhuma'... É nesse momento que penso que vou morrer. Exageros que me compõem.

Mas gata escaldada não teme água fria. E sabe que o rio que passa tem duas margens. Se é que é mesmo rio. E sendo rio, é só me lançar nele, nadar, boiar, agarrar na barbatana de um peixe-amigo, não brigar com a correnteza, não ter medo, nada temer. Eu não vejo agora, mas sei que a outra margem está lá. Vou em direção a ela. E se ela não estiver lá, é porque o rio não é rio, o rio já é mar. E quem se sabe amor, não tem medo das dores do amar. Vai. Joga-se. Porque se é mar, está tudo certo: as lágrimas são salgadas e estou em casa, nas águas salinas do oceano de se aventurar. 

Quando penso que vou morrer, diante da antítese da reciprocidade, é nesse momento, que mesmo sem saber, eu me reinvento. E encontro a página em que vou escrever uma nova história. A duas mãos: as minhas somente. Nesse momento, é isso o que tenho. E com o que tenho, construo castelos belos, jardins suspensos, sem Salomão nem Babilônia. "O sábio não se aborrece: confia". Recadinhos que meu anjo da guarda me trouxe essa noite, dormida com lágrimas e tristeza. Dia amanhecido com um sol brilhando lindo, só pra me lembrar o que o sábio Salomão já devia saber, na Babilônia da vida, e que o poeta uma vez transcreveu: sofrer é opcional. É outono apenas... Tempo em que as folhas caem... 

domingo, 2 de junho de 2013

Que sejamos livres



Surgiu numa conversa trivial, mas me chamou a atenção. Fiquei pensando nela. Feito um eco que só eu ouvia, lá dentro, ela, a frase, se repetia: "Que sejamos livres!".

Pois que seja assim. Seja eu, sejas tu, seja ele, sejamos nós todos, livres... Livres para expressar(mos) nossa própria carne sangrando pela falta do amor. Livres para deixar(mos) escoar, ralo abaixo, e até a última gota, o sangue invisível de nossa dor. Livres para fazer(mos) perceptível a nossa frustração. Livres para escrever(mos) o que bem quiser, sem que haja uma censura a nos vetar, nem pública, nem do tipo auto-censura. Livres de todas as amarras e conceitos e verdades castradoras. Livres apenas.

Porque ser "livre apenas" é coisa simples. E é o simples que me encanta. E que nesse encantamento a liberdade voe, em asas de um abraço... Porque há dias em que é preciso se expor, em demônios e escuridão. Porque tudo habita no íntimo de cada ser. Coragens que me faltam, medos que me vencem. Derrotas sentidas em silêncio na alma, tristezas que encontram afago em palavras, colhidas para fazer voz a um eco... que só eu ouço, só eu sinto, e que não teve reflexo... 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Fábrica de idéias



Pudera eu ter uma fábrica de idéias, e poder dá-las - as idéias,  não a fábrica - a cada um dos amigos meus.
Para que todos estivessem sempre plenos de coisas novas, de um imaginário criativo... Para que o ócio, o tédio e a mesmice passassem bem longe... E assim, que fossem todos felizes, todos os dias, com idéias a lhes borbulhar em suas mentes. E sendo felizes todos os dias, poderíamos então considerar, que seriam - e foram - felizes para sempre...

(Porque há dias em que precisamos nos agarrar às nossas crenças - e crer e sonhar - que seremos todos felizes para sempre. Porque é nesses dias, em que o nada nos arrebata, que mais precisamos manter viva aquela coisa que costumamos chamar de fé. E que ele, o nada, seja invadido, e derrotado, e preenchido - se não pelo tudo, ao menos por algo). 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Orvalho



                                                                      Da lágrima
                                                                      faço a gota
                                                                      que rega
                                                                      a flor.

                                                                      E transformo
                                                                      assim
                                                 em primavera
                                                                      o jardim da dor.

domingo, 26 de maio de 2013

Excessos pelo caminho


Em um contínuo derramar me encontro. Vou derramando tudo o que há em mim. Pois eu transbordo. E à bordo de mim mesma, enfrento marés altas, baixas, maremotos. Sou excesso. Mas sou capaz de ver isso como algo bom. Percebo essa nuance por um ângulo que ri desse excesso todo: é melhor sobrar do que faltar. Então, que sobre amor! Que eu possa entornar sonhos, e que esperanças saiam de mim como em raios... E que esses raios atinjam a quem delas precisar. E que tudo o que há em mim esparrame-se mar afora, vida afora... E que o medo, a tormenta, a ansiedade, a dor, saiam como gotas de chuva, para esvaziar de mim esses fragmentos de desamor. Porque vida é sinônimo e antônimo. Complementaridades e paradoxos. Noites de lua cheia e dias de sol escaldante. Caminhos e descaminhos. Mas nos momentos em que posso escolher - e sabe-se que não se pode sempre - prefiro trilhar as vias por onde passam aquela gente que ama, que se entorna e esparrama toda. Pois é quando se derrama, que, de repente,  planta-se as sementes do bem. É assim que quero meus excessos:  feito sementes por onde andei. E que deem flores e frutos o amor que, até mesmo sem querer, plantei.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Adicção


Leveza, amor,
leveza.
Porque a vida
anda sem rima
e eu,
estátua na praça,
assisto a tudo
o que passa
ali na esquina.

E se a oferta
que assisto
da felicidade em pó
exterminasse de mim
a sensação de ser só
eu juro, amor,
eu juro,
que provaria
dessa ilusão
vendida a um passo
da minha razão.

Mas não...
Não sou dada
a processos complexos
e se houver algum aditivo
para acrescentar
em minha vida,
creia amor,
creia,
eu quero entorpecer
de doçura.

Então, traga-me
somente açúcar
e mascavo, por favor,
amor,
porque não,
não quero
a química pré-fabricada,
quero a simplicidade
e antes de tudo eu sei
lidar
com a minha dor.

(E traz junto o café.
Não se esqueça.)

É preciso acordar
para receber
a esperança
de braços abertos
porque sim,
eu creio,
amor,
eu creio
que ela bate à porta
e traz consigo
algo mais.

domingo, 19 de maio de 2013

Obrigada 3000 vezes!


A marca de 3000 acessos é fruto de reciprocidade. E reciprocidade é algo que busco, algo que tento encontrar - e venho encontrando - desde que me propus a levar uma vida assim do jeito que levo, algo que é início, meio e fim ao mesmo tempo. Reciprocidade é um gigante na vida. E eu, estou levitando! Sinto minha alma em perfeita comunhão com meu ser... Sou alguém que escreve, que criou formas para curtir esse prazer. Alguém que, de repente, passou a conhecer pessoas com essa mesma sintonia. Alguém que percebe a fantasia que existe em cada nota de realidade que perfuma o ambiente. Alguém que recebe presentes da vida e sorri para ela.

Hoje, meu obrigada a você. A você que chegou aqui sem querer, a você que veio sabendo aonde vinha, a você que veio uma vez, a você que volta sempre que pode, a você que, de um jeito ou outro, gosta desse mar. A vida precisa ser comemorada em suas nuances. E essa é uma ocasião. Eu sei que há blogs que têm 3000 acessos por dia. Claro que sei. Mas comemoro a minha realidade. É com ela que quero estar bem, é nela que sou feliz e escrevo. Leveza, alegria, sou alguém que se despe das palavras e cria um universo paralelo, maré alta de sonhos, esperanças, catarses de uma vida em crescimento. Sou grata por esse blog ter chegado até esse post. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Alice no País da Solidão


Feito Alice, caí. É bem verdade que caio sempre. Já caí até na rua México. E aquele tombo na rua foi digno da cantiga Teresinha de Jesus: fui acudida por muitos cavalheiros, só que no meu caso, nenhum deles com chapéu na mão. Mas essa é uma história sobre como caí feito Alice. Aquela personagenzinha instigante daquela estória nada infantil. Ou antes, tão infantil que buscamos um motivo para que não seja. 

Pois caí. Em um buraco muito fundo. Fui caindo tão lentamente que esqueci que caía, pensei que vivia. Enganos diários de uma vida cheia de tapetes puxados. Vejam bem, nem são tão puxados assim, mas preciso dar ênfase ao drama. E peço ao leitor que entenda, faço uso de recursos textuais. E sendo assim, caindo e pensando que vivia, entrei no buraco do País da Solidão, onde nenhuma maravilha habita.

Quando cheguei lá, um chá era servido. Não me lembro bem se Alice foi chegando e tomando chá, mas o país em que ela caiu era diferente do meu. E aqui, na minha estória, mal cheguei, dei de cara com uma mesa de chá. Não fui convidada para sentar-me junto deles. Mas não sei porque, me senti convidada. E pensei que poderia me sentar assim mesmo, ser sociável, apesar de não haver um convite formal. Não fui bem recebida, apesar de, no início, eu entender que tudo estava bem. Descobri com o tempo que, lá, naquele lugar, à mesa do chá, as pessoas não eram de fato amigáveis. Ou antes, eram desconfiadas. E não há amizade que consiga sobreviver em ambiente hostil. Poucas coisas sobrevivem, na verdade, em ambientes assim. E então, não se fazem laços. Um lugar de águas rasas. Sei que não me importei. Fiquei triste, mas no fundo, não dei importância, porque gosto mesmo é de café. E não, não serviam café ali.

Fui embora. E logo adiante, um coelho correu atrás de mim, puxando uma conversa. Eu não queria conversar com coelhos. Nem quero. Não ainda. E talvez nunca queira. Prefiro os coelhos trazendo ovos na Páscoa. Queria conversar com gente. Gente humana e dotada de doçura na alma. Deixei o coelho pra lá. Fui em frente, porque sou aquele tipo de gente que segue em frente. E seguindo, encontrei cartas que falavam. Reis, Valetes, Damas, um baralho de uma vida embaralhada se abriu à minha frente. Não sei, até agora, quem dava as cartas ali. Sei que eu não quis jogar. Não gosto do jogo pelo jogo. Gosto de brincar. Com alegria e leveza. 

E assim, nesse país que surgiu depois do buraco estranho, me vi sozinha. Sozinha num mundo em que eu nada entendia, em que os meus sentidos percebiam o que vai na sutileza, mas ninguém, ninguém mais percebia. E sem ter com quem compartilhar meus mais íntimos pensamentos, meus ideais mais profundos, minha nota singela de poesia diária, senti a imensidão daquele país. Um lugar estranho em que sentir é coisa que causa aversão. Assim como causa espanto a aproximação para um diálogo sem pretensões. E o que dizer sobre segurar na mão do outro, um toque puro somente para perder o medo? Um mundo esquisito, que não gostei de conhecer. De onde saí machucada, escoriações nem tão leves como eu faço agora supor. Mas um mundo que fortalece. Que faz crescer a percepção. E que só fez aumentar o meu amor pela vida.

Como eu saí do buraco é uma estória que não tenho vontade de contar agora. Mas se você quiser, pode visitar o site da fotógrafa Elena Kalis. Ela fez um ensaio fotográfico belíssimo que se chama Alice in Waterland. E que tem tudo a ver com esse mar. E cujas fotos ilustrariam facilmente esse post, não fosse o fato de ela ter fotografado Alice e não a mim. 

Não importa isso agora. O que penso nesse momento é em quantas vezes somos feito Alice... Visitamos países fantásticos, os mais diversos... E se não há um País das Maravilhas, elas, as maravilhas, estão espalhadas por aí. E se em alguns instantes de nossa vida, breves ou longos, caímos no País da Solidão, sempre é possível ir embora... E levar consigo as lições apreendidas e antes inimagináveis, que cada lugar tem para nos mostrar. O importante é seguir em frente. Existem mundos muito legais esperando para serem visitados.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Janelas para o mundo


Quando tudo sufoca e a dor vem sem pena, como quem te engole, não se renda: janelas.

Para que não  falte o ar. Pare que não se limite a visão. Para vislumbrar o que há além do horizonte.

Uma janela que se abra para o sonho quando a realidade for muito cruel. Uma janela que ofereça como vista a esperança. Uma janela que permita a entrada em um mundo novo.

Uma janela ou várias. Onde se possa pintar de cor tudo o que tem tom de desamor. Onde se possa desenhar em traços leves tudo aquilo que é só borrão em marcas fortes. Onde se possa transformar aquilo que não nos convém. Porque é preciso ter escapes.

E fugir pelas janelas, quando a vida insiste em trancar a muitas chaves a porta de entrada, é como criar asas. Asas para voar. Voar pelo mundo. Porque há dias em que é preciso fugir e voar. E a porta está fechada. Mas quem não se rende, sempre encontra um jeito. Alternativa poética para dias sem lirismo. Ou pelo menos, uma tentativa de.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Coisas que a gente não sabe


Há coisas que a gente não sabe. Coisas sobre as quais só se pode imaginar. Feito presente que não foi aberto. Caixa fechada pelo medo de gostar demais. E guardado no fundo do baú, naquele quarto em que ninguém dorme, fica lá. Presente que nunca fez sorrir. Presente que não fez brilhar os olhos. E sorrir, e brilhar os olhos, e derramar-se de alegria, é coisa que a gente imagina, que aconteceria, se, por ausência do medo, tivesse aberto o presente, daquela caixa bonita, ofertada pela vida.

O que a vida não sabia, ao mandar o presente, é que o mundo é muito, muito pequeno. E seus habitantes têm em si coisas estranhas, aos quais chamam de sentimentos. E o que a vida ainda não sabe é que esses sentimentos os pegam de surpresa, e nem todos esses habitantes sabem como lidar com eles. Na verdade, bem poucos deles sabem. E por não saberem como fazer, às vezes, nada fazem. Por culpa de um troço chamado medo. Que não deixa revelar. Que não permite mostrar. Que não arrisca abrir o presente. Ah... Essa vida é uma menina cheia de travessuras... E não se cansa, e gosta, de enviar surpresas a esses habitantes...

E eu daqui só faço torcer. É só o que posso fazer. Presentes entregues. Serão abertos? Como disse, há coisas que a gente não sabe...

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre felicidade e exemplares vendidos de jornal


Porções diárias de medo e violência em doses às vezes nem tão homeopáticas adentram nossos lares. Você liga a TV, por comodidade ou por preguiça de buscar a informação escrita ou pela rede, e mal termina de fazê-lo, já tem início a chuva. Um temporal de desgraças, relâmpagos de agressividade, notícias sanguinolentas, decadentes, moralmente desmotivadoras. Ódios e comportamentos munidos de egoísmo, travestidos de doenças psíquicas, acasos e fatalidades insuportavelmente doloridos para uma existência idônea. 

Uma enchente de desânimo assola toda e qualquer alma que se vê diante da tela do eletrodoméstico ingrato. Esgotos que transbordam. E trazem à tona toda a sorte de dejetos. Devendo informar, não trazem esclarecimento, apenas a gratuita sombra. Envolvem em pessimismo e descrença o seu telespectador. Eu, eu quero gritar! Um grito bem alto! Peço ao mundo que seja como antes... Eu quero a realidade na íntegra sim, mas com um tom de esperança ao fim. Ou... será? Alguém me diga, por gentileza... Se é o mundo que está mesmo virado de ponta-cabeça ou se sou eu, que estou de cabeça pra baixo, e penso que é o mundo... Diante de tanta escuridão, da sensação de impunidade, da veiculada certeza de que nada podemos mudar, quero cair fora. Como viver aqui se não adianta existirmos? Quem pede que seja enviada essa mensagem subliminar? A quem interessa confundir e criar a dúvida? Valores trafegam por finos fios, feito um equilibrista. A vida parece um circo, não um dilúvio, ou talvez, um picadeiro assolado por uma inundação. Tudo junto.

Eu penso. Eu vejo. Eu uso óculos. Eu não disfarço as conexões feitas por minhas sinapses. Ostento. Troféu sem glória. Vitória sem aplauso. Um caminho vazio. Desligo a TV. Resolvo escrever. É preciso soprar ao vento uma canção. Uma canção que espalhe a esperança. Que leve um toque de fé a quem ouvi-la. E deixar que o destino entregue essa mensagem. Explícita, aberta, escancarada. Uma mensagem de que não me dou por vencida. Que vida é meu nome, que meus sonhos são castelos de areia sim, mas isso, só no começo. Transformo em tijolo a poeira de minhas andanças. Carrego na face o sorriso de quem acredita. E vou morrer desejando que a paz habite cada ser humano. Porque assim, em paz, podemos ligar a TV, ouvir a notícia e continuar acreditando que é preciso ser correto, honesto, generoso, grato. Com, sem ou apesar do baixo ibope associado ao ser humano de bem. Características que não vendem jornal. Mas a felicidade pessoal não é mesmo medida por jornais vendidos. Ou a sua é?

domingo, 12 de maio de 2013

Um anjo chamado mãe - o início da metáfora em minha escrita

                                                                                               Minha mãe e eu

E se temos anjos aqui na Terra, anjos que assumem a forma humana, esses anjos são as mães... 

O tempo é algo que me encanta. Ele dá a dimensão exata de tudo aos que se propõem sentir essa dimensão. E o tempo me traz, a cada dia, uma metáfora nova. Mas essa metáfora, de mães e anjos, o tempo me trouxe muito cedo. Eu tinha 11 anos. Gostava de escrever, assim como gostava de correr, de estudar, de brincar, cantar, imaginar, ler. Infância feliz. Era estudiosa, sempre tive sede de saber. Queria aprender. 

Apesar de ter uma cabecinha sonhadora e que voava facilmente, incentivada pelos muitos livros que lia da biblioteca da escola, às vezes era uma dificuldade ter que escrever. Embora gostasse, eu já sabia que inspiração não é algo que se domina, não facilmente ao menos, não aos 11 anos. Requer treino, esforço e outros predicados. E em várias ocasiões eu me via obrigada a escrever, às voltas com poesias, que eram exercícios de colégio, dever de casa. Nesse momento, meu lado prático sempre esteve lá, não me abandonava. Para temas tolos, rimas tolas. Poesia para a bandeira nacional? Eu fiz fácil: rimei nacional com florestal e mineral e ganhei nota boa. E assim tudo ia bem. Até que teve a poesia para o dia das mães. 

Lembro da minha angústia. Eu estava diante de um tema de verdade, um tema profundo. Como transcrever numa poesia a palavra mãe? A minha dificuldade em acordar cedo e ser chamada carinhosamente por ela para ir ao colégio, talvez pudessem estar lá... Como mamãe conseguia ser tão suave para andar, sem fazer barulho, e me acordar tão mansinho? Como? Entre ansiedade, angústia, falta de inspiração e estréia diante de um tema tão sublime, vacilei. Já não seriam as rimas a dar o tom... As lembranças não são tão claras. Lembro que não conseguia fazer a poesia. Lembro da ansiedade. Lembro da dúvida. Lembro que, depois de pronta e lida diante da classe, os colegas riram bastante. Acharam graça, afinal, eu tinha fama de ser dorminhoca e, de certa forma, coloquei isso lá na poesia. Sei que foi ali que escrevi um poema pela primeira vez usando metáforas. E dali em diante, mal sabia eu, as metáforas nunca mais me abandonariam...

Hoje, o post é a poesia que fiz para mamãe, como dever de casa. Escrito pela menina que fui, aos 11 anos. Minha homenagem aqui no blog a essa mulher incrível e forte que ela é. Para ler a poesia, peço que adotem um olhar pueril, vistam-se da meninice. Espero que gostem!

                                                                  

                                                                               Mãe

Mãe,
sinônimo de amor, de vida.
Imagem viva de um anjo
que nos protege
e que, à noite,
passeia nos quartos.
No escuro, é a luz.
Na estrada, a seta indicadora.
Nas cores, representa a paz.
E num vestido alvíssimo
mostra a sua pureza,
a sua alma intocável
que só uma mãe pode ter.
Mãe,
certeza de uma vida iluminada,
sem trevas...
certeza de caminhos limpos,
com pétalas de rosas,
sem espinhos...
Mãe,
vida refletida numa pessoa
que ao amanhecer,
nos desperta para viver.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Poemas livres

                                                                            Foto do meu amigo, o fotógrafo Thiago Machado


Não deixe preso o poema que há dentro de você. Solte-o. Solte-o por aí. Deixe-o ser livre. Porque liberdade é o nosso bem maior. Bem, há controvérsias sobre isso, talvez tenhamos vários "bens maiores". O importante é que já existe tanta coisa presa... Aquela confissão que não se fez... aquela vontade que se deixou passar... aquela palavra dita só na imaginação pelo medo de ser ridícula... É tanta coisa presa, que sufocou e murchou e corre o risco de morrer. Então, para não ficar aí colecionando palavras não-ditas, risos não-gargalhados, coisas-contidas, é bom começar a soltar. Solte tudo. Mas pode soltar aos pouquinhos, para ir se acostumando... Vá devagar no início... Liberte todo o sentimento que te reveste por dentro. E livres, você vai ver, eles começam a voar, e espalham-se por aí. Feito uma revoada de pássaros, que toma formas diversas. E qualquer que seja a forma, será no fim, uma poesia. Porque a vida toda, todinha, é um poema. Às vezes sem rima, outras vezes sem graça, por vezes lírico, dramático ou cítrico. Olhe e veja. E sorria. A vida toda tem seu ritmo. Pulse poesia. Porque é tudo a mesma coisa: o pulso, a vida, o poema, a respiração, a nostalgia, o medo, a saudade, o amor, a alegria. Fragmentos de uma vida sem ensaio. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Plenitude

A plenitude
que transborda agora
em minha alma
é como brisa
à beira-mar:
vem de mansinho
e como num carinho
sopra em mim
segredos e desejos
do verbo amar.


terça-feira, 30 de abril de 2013

Canção do Encontro


E por não saber que cada um é uma nota só, quis juntar-se a outras notas, e assim fazendo, surgiu a canção. E inconformado por não encontrar a certeza, por não achar algo que tocasse com toda a delicadeza o seu coração e provocasse uma violenta vontade plácida, seguiu. Em frente e sem rumo certo. Subiu montanhas e vales. Andou por caminhos dos quais se orgulhava. Sentiu-se cansado e pensou em desistir. Em vez disso, sentou. Chorou sozinho. Lembrou das companhias que o mundo até então lhe trouxera e com o qual uniu-se para fazer canção. E à beira do que imaginava ser o fim, resolveu seguir adiante. E assim fez. E assim foi. O céu como testemunha, o sol como guia, a lua como bálsamo, as estrelas embalando seus sonhos, riachos matando-lhe a sede. Seguiu. E quando pensou não haver mais nada, encontrou o que buscava.

E foi assim, desse jeitinho, que surgiu a canção do encontro, a mais bela canção que alguém um dia sonhou que pudesse existir...



(Ao amigo que busca)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Fake plastic trees


                                                    Duas árvores que, vistas de longe, parecem uma só. Foto minha. Em: Lago Titikaka

Já logo depois de acordar, hábitos modificados por uma vida conectada, tomo o café da manhã na rede. Rede social.

A foto estava lá, linda e com uma legenda bem atual. Ícones de um aplicativo: o bonequinho correndo, as notas musicais, o nome da banda e o nome da música. Quis tentar: ver a foto ao som da música para tocar a impressão que teve a fotógrafa. Pra quê? Pra que, eu me pergunto agora. Pois que deu nisso: tive que ligar o computador e postar o que tive que escrever...

Não, não toquei a impressão da fotógrafa. Devo andar carente de acontecimentos fantásticos, pois que ronda a minha imaginação uma máquina do tempo. E por ela, a máquina imaginária, fui transportada. Uma foto, uma música, uma sensibilidade aflorada, chorei. Fui tocada. Por algo, que nem sei bem, em minha alma. Uma saudade estranha... Saudade de tudo o que ainda não veio... Saudade de tudo o que não aconteceu... E a vontade de ser o que não ouso contar, mas que está lá, no finalzinho de radiohead, em fake plastic trees, a tal música da tal banda na legenda da foto da fotógrafa da danada da rede social em que tomei café da manhã.

A saudade do que ainda não vivi misturada com a lágrima da alegria pelos dias que se foram... Na máquina do tempo, fui transportada. A casa de minha infância, na cidade em que cresci, estava ali. Entrei. Rede na varanda, broa de milho assando, mamãe e papai felizes, meus bisavós casados por 60 anos, muito barulho, minha irmã gargalhando, piscina no quintal com muita farra, as plantas no murinho da varanda, a horta ao lado, meu regador verde de plástico...

Lembranças que destroem o medo de uma vida de borracha. E na tal máquina do tempo, fui ao passado. Vontade que ela me leve logo ao futuro. Mas de tudo isso, uma certeza me abraça nesse instante: a de que tenho raízes. E sendo assim, não preciso temer. Sou árvore de verdade.

sábado, 27 de abril de 2013

Ecos de amar


Quero. Quero muito. Quero muito todo o dia. E quero um amor. Para sempre e que dure a vida toda. Ainda que a vida toda não seja toda a vida. Isso, sim, é autobiográfico. Embora o blog não seja. Porque sou muitas e me faço todas. Feito poeta fingidor. Algumas vezes escrevo sobre o que sinto nos olhos que vi, do outro, que passa ali, anônimo na rua. E tantas outras escrevo sobre mim, em fusão com o mundo que penso ser real. E se alguém se importa em saber, o que é real, o que não é, perde tempo, porque eu mesma não me importo, assim como eu mesma às vezes nem sei. O que quero - e quero muito, todo o dia - é o sentimento do encontro. Porque frases ecoam e eu sou o eco de todas as palavras que levam em si a essência do amar.

(textinho antigo. pediu pra sair e se deu bem. postei. atendo aos pedidos de meus textos, porque eles também são parte de mim. partes que espalho pelo mundo e deixo a quem passar e quiser colher. continuo plantando sonhos...)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uma questão de semântica...


Há fases em que me faço de hiato, só pra saber como é ficar só. Mas por vezes esse hiato é tão longo que separo-me de mim mesma...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sobre livros que não li e outras idéias


E às vezes acho que me perdi nas páginas dos livros que não terminei de ler. São muitos os que não terminei, os quais desisti da leitura no meio de suas intermináveis linhas sem nexo. E não me orgulho disso. De maneira que, na tentativa de me (re)encontrar, resolvi que vou sorver essas leituras incompletas, todas, uma a seguir da outra. Buscar o sentido. E se depois de tudo, eu não me achar em nenhuma daquelas páginas, poderei dizer, sem a menor dúvida, que ninguém se perde em histórias que não sabe, que ninguém se encontra naquilo que não lhe pertence, que os descaminhos da vida são ímpares e dotados de muitas inquietudes. Mas entre um dia após o outro, existe uma noite com uma lua, que brilha alta e exalta a força da paz. Porque viver é como uma história. Pra ser escrita até o fim, lida até o último ponto, sentida até o último suspiro. Sem desistências e sem abandonos. Ainda que não se saiba personagem. Porque nem tudo, nem tudo, se sabe.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Porta aberta


E de repente, abro a porta. E por ela, porta aberta, passa o vento, passa a luz, passa um pássaro. Há muitas outras metáforas e sonhos que passam... Só quem não passa sou eu. Fico ali, parada.

Não  sei  se  quero.  Ou, quem sabe, talvez eu queira apenas ver passar. Mas não quero ver da janela. Não sou a moça que vê a banda. Gosto de portas. Gosto de pontes. Gosto de tanta coisa...

E  me  embala a esperança estar ali, diante dela, a porta. Diante apenas da possibilidade de compor um quadro, mas a qualquer tempo, tudo mudar. Basta apenas passar através. Atravessar. A travessia.

Os  dois  lados  de uma porta: o lado de dentro e o lado de fora. O que se guarda e o que se mostra. O que se conhece e o que se quer aprender. E o que os separa: a porta, a decisão, o passo - o agir. Vontade.

Atravessar. Um  'através' de possibilidades. Um transpor a fronteira, um dar de ombros diante da chance do insucesso, o arriscar. Correndo riscos e estradas, limites e exposições. Travessias são sempre uma aventura.

E  assim  é. Diante da porta, não é só o caminhar. É a vontade que grita e te empurra. É o estar pronta. Mas há coisas para as quais só se sabe pronta vivendo no agora o momento que chama.

Coisas  que  nunca se sabe quando se tem como  guia  o cálculo exatamente matemático da lógica racional e aritmética de quem não se entrega. A frase é longa, mas de significado curto: a vida, não é uma reta.

Nela, há momentos, diante da  porta,  em  que  tudo é preenchido  de um presente contínuo, como ir vendo, ir deixando, ir acontecendo. Filosofias. Sem hipérboles nem megaclarões de lucidez. Eu, adoro ir.

Ir no infinitivo mesmo, acompanhada de um gerúndio. Adoro gerúndios também. E assim, é hora de ir. Cantando, dançando, escrevendo, aventurando(-me), sonhando. Atravessando. Decisão inevitável.

Porta aberta. Feito o vento, tal qual a luz, como se fosse um pássaro, passo por ela. Olho adiante, coisa daquele tipo que insiste em ir em frente. E com todo o desapego que me é possível, penso: não sei quando volto.


terça-feira, 16 de abril de 2013

Auto retrato


Café com açúcar
Chocolate amargo
Sorvete no inverno
As quatro estações

Sabor na vida
Naturalmente sentida
Como se fosse
apenas uma
clássica canção

E de tudo um pouco
e do pouco um muito
e em cada coisa
o que há de bom
o que é emoção
o que vai
dentro
do coração.

Em  poucos traços
eu faço
assim
o meu retrato
Tela abstrata.
Concreta imaginação.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Viagem de Ida



A menina-mulher em mim sorriu. Olhou-se e viu-se refletida no espelho de Sophie. Os sonhos estavam por todo o caminho, como flores que ninguém plantou e a natureza com perfeição cuidou. Sonhos imensos, e frescos como brisa em tardes de outono carioca... Brisa que renova, que faz crescer a esperança, que embala a tarde cheia de promessas. 

Ela não sabia antes, mas no espelho de Sophie coisas mágicas acontecem. Como parábolas convidativas a um mundo encantado. Agora, a mulher diante do espelho sabe. E sabe também que mundos encantados são cenário para contos. Contos de fada, de princesas e príncipes, de Alices e Dorothys. E de Sophie. Contos com final feliz, que acontecem fora, dentro - ou diante - de um espelho. Espelho que é reflexo dos desejos mais indissociáveis da menina que ali se olha, e que também é ela. 

A menina de ontem e a menina que habita o seu interior. Duas meninas dentro de um ser: a mulher que ostenta a certeza e a força, que esconde o medo e a insegurança, que ri e que chora, que corre e que fica, mas que sempre escolhe. E depois que escolhe, segue sua escolha com paixão. E foi desse jeito que a menina-mulher em mim tudo percebeu. E sorriu. Viagem de ida. Sophie acabara de voltar. E lhe contara: "feche os olhos e veja, abra os olhos e viva". E assim, fez. Fechou e viu. Sorriu. Abriu e seguiu.

E essa foi sua viagem de ida. Pelos mesmos caminhos floridos cujas flores ninguém plantou, ninguém regou, mas que o sol e a chuva cuidaram como se fossem suas. Caminhos por onde estavam os sonhos. Sonhos que pode vislumbrar ali, diante do espelho de Sophie. E essa seria mais uma viagem feliz. Ela sabia. (Pre)ssentia. E assim seguiu, com um sorriso a lhe iluminar. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Cartas para Samuel



                                                                E que saudade...
                                                                E que vontade...
                                                                Daquele passeio de bicicleta,
                                                                você de chapéu Panamá,
                                                                eu, vestido de poá,
                                                                monark 82,
                                                                romance no ar...

domingo, 7 de abril de 2013

Se o rio se vai


O fio
esticado
cortando
tal qual navalha.

O rio que corre
levando com ele
a imagem
da margem
onde está o fio.

É  tudo coisa que passa,
é tudo momento.

O que fica
é terno.

E se o rio se vai
vou com ele também.

Escolhas.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sístole e Diástole


E em alto fluxo deságua. A vida. Em vermelho líquido. Enche e preenche todo o espaço. Pronto a receber, aberto a acolher, cavidade de amor. Movimento de expansão. Enche, enche, enche de emoção. Como o rio que corre para o mar. Como a água que vem beijar a margem na maré alta. Como o universo que se movimenta e faz chover estrelas... Assim deságua a vida na vida. 

E de repente, repleto, segue o movimento já sabido, a contração. O recolhimento máximo da cavidade, que se dobra ao seu interior e expulsa de si nada mais que ela novamente: a vida! Expulsa com força e ela escoa, vermelha, por tubos de tecido vivo que nossa imaginação tece em sistemas. Vai levando sonho, e leva esperança, leva amor, leva medo também. Em alguns momentos é a raiva, em outros alegria, às vezes tristeza, e ainda saudade. Leva... E circula a vida, assim, em molécula. Cumpre seu papel sem questionar, sem nem saber o porquê, sem motivo que precise de haver.

Cicla o ciclo. Tum-tá. E toda a existência se movimenta e dança o seu balé. Cicla o ciclo da vida. Sístole. Diástole. Sístole. Diástole outra vez. Sucessivas. E ininterruptas. O movimento do universo inteiro. Sangue, coração, células humanas. Galáxias inteiras no mesmo movimento. Tum-tá. E tanta explicação, tanto saber, quando tudo o que importa é sentir. Deixa ser, que a vida sabe ciclar.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A ponta solta

                                             
A ponta solta
Não acha
A outra.
São portanto
Duas pontas
De uma fita frouxa.

Não se encontram
Não se falam.
E segue a fita
Fazendo laços
E abraços
Num outro compasso.

A ponta
Solta
Sente falta
Do que sabe
Que existe
E nem conhece bem:
A outra ponta.

E nesse mundo
Quantos desenlaces
De ponta em ponta.
E quantos desencontros
E quanta gente
Tonta.


domingo, 20 de janeiro de 2013

E chove...


E que a chuva faça germinar e crescer e florescer toda a inspiração que amanhece semente dentro da gente...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

E de repente... 1 ano!



É tempo de silêncio em mim. As linhas não querem se manifestar, mas hoje venho escrever porque é uma data que merece comemoração: 1 ano do blog. Neste ano, aprendi que escrever tem dessas coisas de sazonalidade. Apesar de estar silenciosa, estou em festa: venci a vergonha de mostrar meus textos. Eles estão aqui, postados publicamente para quem quiser ler. E isso de vencer essa timidez, foi o máximo! Brindemos!