domingo, 18 de novembro de 2012

Sobre ser princesa e mais coisas


A verdade seja dita: ando desejosa de um gato pra chamar de meu. Humana que sou, divirto-me com os errados, como dizem por aí. Mas claro, quero encontrar um gato que seja um príncipe. E meu, pronome possessivo na primeira pessoa! Entretanto, entre tantos sonhos, no dia-a-dia, para a correria da vida real, eu acho que os sapos são mais práticos. Príncipes podem ser muito chatos. Podem estar sempre ocupados com as coisas do reino, do trono, do castelo, com o cavalo branco. Podem ser do tipo que têm mil crises existenciais, e não se resolvem se beijam logo ou não beijam a princesa, se correm atrás da moça ou não pra ela calçar o sapatinho. Enfim, deviam todos ficar nos livros mesmo, porque são figuras lindas pra sonhar.

Mas pra viver, viver mesmo, assim, junto, compartilhando uma vida real, topo um sapo. Eu sei, a vida não é um menu onde vou lá e faço a escolha assim, tão desse jeito, tão a dedo, tão racionalmente. Mas se posso desejar, e isso sei que posso e devo, quero um sapo. Um sapo que seja príncipe. Será que tem esse no menu? Sapo-príncipe: aquele tipo que está longe de ser um deus-grego-descido-do-olimpo, mas que é bacana, gente boa, divertido, bem-humorado, bonito-sim-por-que-não?-pois-eu-gosto, e que não queira  focar nos meus defeitos, por-que-eu-os-te-nho-e-em-a-bun-dân-ci-a, que fique claro. Um homem real, que queira me olhar com olhos de quem constrói, de quem caminha junto.

Também não é para ser uma caminhada longa. Pode até se tornar longa. Mas é para caminhar, apenas. Um passo após o outro, um dia por dia, e isso já é coisa à beça. Pois um dia de cada vez, com consciência, chega a ser exaustivo. E é pra ser cheio de riso e alegria, sem a seriedade que deixa a vida sisuda. Estou de saco cheio de gente séria, cansada de responsabilidade que tem peso. Quero a leveza na mala, sabe como? Uma mala cheia, mas que pode até ser mochila, que é pra ver se atravesso logo o Salar de Uyuni  e realizo esse sonho de aventura. Metaforicamente ao menos, mas o sonho explico melhor outro dia. Agora estou falando sobre uma travessia a dois, que seja um paralelo com o deserto de sal. Algo que oscile entre os diversos sabores da vida, que faça aquecer o coração como um dia no Salar. Que arrepie como a sua gélida noite de lua cheia e que chova amor na relação da mesma forma que existem estrelas numa madrugada em Uyuni... E que principalmente, me faça faltar o ar, não por uma altitude rarefeita, mas por gerar em mim um sentimento intenso. Quero perder o fôlego.

E no fim, já não sei se estou sentindo falta de um namorado ou de uma viagem de aventura, posto que viajei só de imaginar a mochila nas costas e eu em terras distantes explorando o universo encantado que se desenha nesse mundo, através de paisagens pouco exploradas... Mas quem também não irá dizer que assim não é o amor? Um universo a ser descoberto, ao qual nos jogamos, umas vezes com mochila, outras vezes sem, mas sempre experimentando sabores, cores e dores, como numa viagem por terras longínquas e inexploradas... Um universo a ser sonhado e vivenciado a dois, uma grande aventura: eis o amor.

O amor, tema de lindas estórias. O amor que une universos encantados, povoados de princesas presas na torre ou no fundo do mar, madrastas malvadas e caçadores e anões bonzinhos. E claro,  sempre há os sapos, que também são personagens dos contos de fadas... Contos que estão repletos de príncipes "tortos": tem príncipe que é sapo, tem príncipe que é fera, tem outro que é ogro, tem pra todo o gosto, como naquele cardápio de bar ou restaurante. Mas o legal, é que depois, as princesas da vida real, também de todos os tipos, descobrem que, apesar da aparência, basta desfazer a maldição, e entrar no encantamento da paixão, que eles se transformam em lindos príncipes. E logo depois disso, são todos felizes para sempre, apesar de isso dar um trabalho danado, ninguém nunca contar o quanto é difícil e serem necessários muitos outros posts pra tentar explicar... Explicar? Explicar nada. Sem explicações, e eu sei que você entende o que quero dizer. 

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