domingo, 25 de novembro de 2012

Sobre andar a pé e ter ilusões - Um caminho nada pequeno de porções


Gosto de andar a pé. É bom para observar coisas e ouvir sons que são imperceptíveis de outra forma. Na verdade, gosto de andar. De bicicleta, carro, moto, tanto faz. Ah, moto é uma delícia!!! Aquela sensação de liberdade, da bicicleta, multiplicada... Pensando bem, de avião, barco, também. É isso: andar é o lema, não importa qual seja o meio. Pode ser o lema, mas não é o tema. Ou, antes, não era. Se eu continuar me estendendo no assunto, passará a ser. Então, antes que o seja, continuemos...

Ah, sim! Andar. Hoje, eu andava, a pé, quando ouvi a música que vinha de um carro... ouvi a música e tive um clique... e daí pensei: 'tenho que escrever sobre isso'. Fiz o resto do meu caminho cantando baixinho e pensando na frase que deu o clique: "pequenas porções de ilusão". Sempre gostei dessa música. Mas as tais 'pequenas porções de ilusão', antes, nunca me soaram assim, em negrito, itálico e tudo maiúsculo, como dessa vez. Ficou ecoando, sabe como? Daquele jeito que faz pensar em um monte de outras coisas, um nexo emenda no outro e o pensamento final não tem nada aparentemente lógico com o início. Entendeu? Explico. Embora deteste explicar, vou me dar ao trabalho.

Sou danada para fazer isso. Penso que A=B, p.ex. Daí, associo que B+C=D, D-E=F, que parece com G e cheguei em G só porque pensei em A. Entendeu a confusão? E por causa disso, estou escrevendo esse monte de explicações. Não sei se interessa a alguém saber como funciona meu raciocínio, mas é meio que assim, desse jeito, um jeito que não sei se é igual ao seu e ao dos outros, pois nunca tinha parado pra pensar a respeito e então nunca perguntei a nenhuma pessoa como é que ela raciocina. Afinal, devo estar desocupada para pensar tamanha esquisitice. Com tanta coisa melhor pra pensar, você deve estar pensando. O fato é que aquelas pequenas porções geraram um monte de conexões filosóficas.

Pequenas porções de ilusão... A primeira coisa que pensei foi: pequenas porções não satisfazem a ninguém. Uma frase despretensiosa, profunda e super no duplo sentido. Adoro frases no duplo sentido. Do que Cazuza falava? Pequenas porções que te drogam e te desconectam da dolorida realidade? Ou pequenas porções que te fazem viver? Aassim como a água é essencial ao corpo, pequenas porções de ilusão são a água da alma? Era isso? E quantas pequenas porções de outras coisas nos são ofertadas diariamente, como petisco, como aperitivo, como entrada, como complemento, como acessório... E o quanto essas mesmas pequenas porções, de ilusão, alimentam outras porções de outras coisas? São microdoses tipo doses homeopáticas ou são doses para sustentar o vício de viver alheio ao real?

Não vou nunca saber qual a intenção dele com 'pequenas porções de ilusão'. Coisas da arte de permitir a interpretação dupla. Talvez seja possível que existam as duas possibilidades, a porção em pequena quantidade feito droga e a porção reduzida pelo que é essencial à vida e necessário em dose pequena. E cada um escolhe qual o jeito que vai utilizar sua pequena porção. A minha, eu quero fracionada. Do tipo que é feito o ar, essencial à vida. Uma dose pela manhã, servida com pão francês quentinho e manteiga derretendo. Com café, claro. Outra dose no almoço, de sobremesa. Uma à noite, antes de dormir, que é para ter sonho bom. Afora isso, prefiro megadoses de realidade, que é para manter meu pezinho bem no chão e continuar seguindo minha vida. De preferência, andando. A pé, de bicicleta, carro, moto, avião, barco. A propósito, se for de barco, vamos pro meu mar. Habitat natural da ilusão. E não se intimide: nessa mar, as porções de ilusão são muito, mas muito generosas.

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