terça-feira, 6 de novembro de 2012

Maitri


A palavra surgiu daquele jeito meio mágico, naquele livro que eu não teria interesse, mas que caiu na minha mão meio 'sem querer'. Caprichos do acaso. Maitri é a bondade amorosa e o amor incondicional por si mesmo. Achei interessante. Mais que isso, pra ser sincera.

Estou nesse processo há um tempo. Sem saber, mas já estou. Intermitentemente às voltas com minhas sombras e demônios, percebo que venho acolhendo quem eu sou na íntegra. Desisti de brigar comigo, ou melhor, resolvi me gostar naquilo que é condenável, no que é 'feio', politicamente incorreto e pouco nobre. Eu não sabia, mas quando entrei nesse processo, de me amar e aceitar integralmente, imperfeita e com sentimentos pouco celestiais, estava desenvolvendo a maitri.

Maitri é libertação. É isso que venho experimentando e quero compartilhar. Quando o livro começou a introduzir o conceito, me surpreendi já sabendo do que a autora falava. De repente, eu, cristã, me descobri budista. Aprendi e venho continuamente aprendendo. Mas como sempre falo, não gosto de definições. Ser cristã, budista, hare krishna, não interessa. Importa o caminho que se quer trilhar. E meus caminhos são às vezes como aqueles de personagens fantásticos, sem sentido e repletos de insanidades. Tenho preferência por portas estreitas. Gosto de descobrir o sabor que poucos experimentaram. E isso não tem a ver com vaidade. Gosto do incomum. Não tenho medo de me jogar. Pulo. Lanço-me. E de olhos abertos. Para aproveitar cada instante e ter também a sensação visual.

Nessa coisa toda de aprender, me percebi atingida pelos mesmos raios de iluminação que alcançaram a autora de "Quando tudo se desfaz". Mas sem querer ser soberba ou algo semelhante, me diverti com isso também. Só de me achar iluminada, já não sou, eu sei. E não me importa. Nunca busquei isso. Apenas foi muito interessante descobrir que amar-se de um jeito incondicional, com todo o kit que o compõe, é algo que muita gente persegue e eu alcancei sem saber, sem ir atrás, sem ter como meta. Não foi sem dor, devo dizer. Mas com muita compaixão. E aceitação de que eu só serei realmente verdadeira comigo, e com a vida toda, se eu souber quem mora dentro de mim. 

E nesse caminho, andei. Descalça. Entre pedras e espinhos. Uma viagem ao universo de mim. Não desisti em nenhum instante. Tive ajuda, de pessoas muito queridas, enviadas pelo tal do 'acaso'. Só posso dizer que foi gratificante. Está sendo. Ainda estou em plena travessia de universos. Uma galáxia sou eu, a boa. A outra galáxia, sou eu, a má. Nem tanto uma, nem tanto a outra. Mas a resultante é um mix que amo, de maneira acolhedora. A mulher que sou, e sabe dar colo como ninguém, acolhe essa que sou, em luz e sombra, naquilo que alguém denominou maitri e que eu chamo de amor próprio e sem medo de ser o que se é. Vou caminhando. Me disseram que é assim que se faz o caminho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!
Responderei ao seu comentário em seu respectivo blog.
Até mais!