segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Setembro


Entrou de mansinho, trouxe sol gostosinho e foi abrindo os braços para ser recebido num abraço. Não pediu licença. Nem precisava. Sua postura forte e doce, não faz imposição. Simplesmente acontece. Sem ser necessária nenhuma palavra. Com ele, as cores ficam mais cheia de viço, as flores sorriem em botão e abrem-se, as árvores esticam seus galhos como se estivessem se espreguiçando. É setembro. Outra vez, de novo, mais um. Tempo de encanto e perfume. Tempo de sintonizar na estação da vida. Tempo do desabrochar da natureza.

E quem disse que ser humano também não é natureza? Pois é. A humanidade é uma natureza meio desconectada, meio sem jeito de ser o que é, mas é. Metida, com nariz empinado, tratou logo de se auto-intitular de herdeira do paraíso. E dele se afastou. E com ele não tem sequer identificação. E assim, chega a primavera, vem o dia da árvore, e ninguém sabe nem disso. Eu mesma, que estou aqui bradando toda essa defesa em prol da conexão com o universo, digo que sei o que nem sei mais. Mas justiça seja feita, já soube um dia. Agora sequer me lembro quando é o início da primavera, quando comemoramos o dia da árvore, o que é mesmo o equinócio. Pois o tempo seleciona coisas e, aqui no meu cérebro, escolheu esquecer essa datas, esqueceu saber qual vem primeiro, o que é o quê, e por aí vai.

Resolveu apenas que setembro há de morar para sempre na lembrança como um mês feliz. Isso eu sei muito bem. Um mês de brisa e despertar suave. De encontros com a felicidade, no movimento da ascensão da espiral que é a vida. Mês que aquece o coração e traz com ele a alegria de ter sobrevivido a mais um inverno. Ainda que não tenhamos invernos rigorosos nessa doce terra. Ainda que a questão da sobrevivência não seja mais atravessar o rigor climático com a escassez de uma colheita minguada. Nada disso. Quem atravessou o inverno rigoroso dos tempos da conexão virtual, sabe que não se trata mais de alimento nem de frio. Pelo menos aqui no meu mundo e no seu, que agora lê isso que escrevo. E aqui, nesse mundo, setembro é promessa.

Promessa de vida fora do casulo. Promessa de vôos. Promessa de conquistas. E não interessa se serão vôos rasantes, altos, curtinhos, travessias imensas. O importante é transpor a fronteira. "Que fronteira?", você deve estar perguntando. E eu respondo de maneira nada original, mas com bastante domínio: a fronteira que faz você ser o que você é e te impede de ser quem você gostaria. Tentar, ousar, ascender, pode ser muito bom. E todo o universo, neste momento, fala a mesma linguagem. Uma linguagem antiga, que você esqueceu. Ou nunca soube, porque afinal, humanos não dão bola nenhuma para bobagens como essa. Fato é que o momento é propício. Setembro está aí. E tempo é dinheiro. Embora essa frase soe como um antagonismo completo a tudo que foi dito. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!
Responderei ao seu comentário em seu respectivo blog.
Até mais!