sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Romances datilografados


Houve um tempo em que eu acreditei que havia um homem feito para mim. A qualquer instante eu iria encontrá-lo. Esbarraria com ele, os sinos tocariam e num passe de mágica, plim-plom! Seríamos felizes para sempre. Aí, cresci um pouquinho.

Mudou a versão: Manhãzinha e eu correndo atrasada, preciso pegar aquele ônibus, esbarro nele, caem no chão vários dos meus livros e cadernos, ele me ajuda a pegar tudo, sorri, e me pede o telefone. Perco aquele ônibus. Mas ele liga e me convida para o cinema. Início do namoro. Cresço mais um pouco.

Fim de tarde, Centro da cidade, eu saindo do trabalho, esbarro numa senhora, ela cai, ajudo-a e ele vem ajudar também. Recebo um convite dele para tomar um café, os sinos tocam na igreja ao lado, ele pede meu telefone e me liga mais tarde. Um convite para jantar. Não sei se seremos felizes para sempre, mas quero ser feliz a dois ao menos por algum tempo. A vida ensina e cresço com o aprendizado.

Noite linda, engarrafamento insuportável, um calor de matar, esbarro no carro da frente quando tento manobrar para sair daquela via. Desço do carro nervosa, peço desculpas, ele é lindo, fico mais nervosa ainda e estou atrasada para um compromisso profissional. Falo rápido, ele tenta me acalmar, disse que nem arranhou o carro dele, pede meu telefone gentilmente para o caso de precisar me contactar para algum problema. Vou embora e ele não liga. Sou feliz e ele é só um episódio no trânsito. Cresci.

Dia amanhecendo, saio para correr na praia, encontro com o ex correndo também, levo um susto e nem sabia que ele ainda mexia comigo, com isso dou um esbarrão em alguém. Esse alguém é lindo. Peço desculpas, dou um sorriso e um tchau, mas antes percebo que ele gostou de mim. Dou meu telefone, sem ele pedir. Mas encontro com ele na praia no dia seguinte e lembro que ele não ligou. Ele dá um tchauzinho e então eu penso que ele é um frouxo. Cresci e vejo a realidade com uma clareza irritante.

Esbarro num homem. Ele não é lindo. Estou puta e de saco cheio de esbarrar em homens e não sermos nunca "felizes para sempre". Pego o telefone dele e ligo para saber se ele ficou bem depois de ser atropelado por mim. Ele é bem humorado. Quero ser feliz com ele hoje e ver estrelas quando a noite chegar.

O tempo passa. Mudam os desejos e as expectativas, a forma de encarar os acontecimentos, mas há sonhos que nunca mudam. Ser feliz a dois é um deles. E isso é ser romântica: acreditar que existe alguém que é para você. Ainda que as evidências não tenham deixado ninguém para sempre na sua vida. Mero detalhe. Nem ligo. Rio sozinha enquanto escrevo toda essa epopéia, até agora sem aquele final feliz cultuado nos contos de fada. Seria porque isso aqui é apenas a vida real?

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