segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os hábitos que me fazem ser - 2º capítulo


Converso com plantas, especialmente as minhas: isso mantém acesa a consciência de que muitas são as formas de  vida  e muitas  as  linguagens  pelas  quais falamos. O mais legal é que sei o que elas dizem e entramos numa sintonia fina incrível. Se estou feliz, elas também estão. Se entristeço, elas ficam sem viço também. Oh! Eu converso com plantas! E elas me entendem até quando não falo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Os hábitos que me fazem ser - A série


Se é mesmo verdade que o hábito faz o monge, isso é pano pra manga. E compra bastante tecido aí para costurar essa roupa, porque são imensas as nuances para a abordagem filosófica. Mas supondo, só supondo, que os hábitos fazem as pessoas serem o que são... Sem entrar na questão da aparência e nem em outras vertentes que o referido ditado popular pode conter, fiquei pensando: quais hábitos me fazem ser eu? o que eu visto que cabe em mim tão perfeitamente que me parece a minha própria pele?

A-rá! Se não houver um sem-número de questionamentos, não sou eu. Já aceitei esse fato! Mas geralmente questiono para mim mesma agora. Costumo dizer que pergunto para dentro. E só por um motivo: já cansei de perguntar pra fora e me irritar com semblantes de interrogação que não alcançam o patamar mínimo para a compreensão da minha dúvida e bum! Me julgam e crucificam. Então, pergunto pra dentro mesmo. Ou, na terapia, rs. Ou, agora, no blog.

Se bem que, agora, no blog, não são as perguntas. São as respostas. As respostas que encontrei quando me perguntei o que faz de mim quem eu sou. Claaaaaro, muitas coisas fazem de mim quem eu sou. Mas tolices e detalhes compõem o meu ser. Coisas grandes e coisas pequenas (acho que mais coisas pequenas do que grandes, mas não é essa a questão). O que acontece é que resolvi voltar a fazer uma série e essa série contém exatamente isso: o pequeno, tolo e o detalhe meu que me dá forma. Então lá vai o primeiro e esse, com certeza, é óbvio!

Gosto de ler poesia antes de dormir: isso mantém serena a minha alma e me conecta ao mundo das idéias. E conexão é a bola da vez!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um mergulho no silêncio


Existem silêncios dentro de mim que são mergulhos em águas cristalinas. Onde tudo vejo, tudo observo, tudo respeito, e sou capaz de ouvir a fala que me cala, mas que mora dentro da minha alma. Porque até quando sou silêncio, sou palavra. O meu ser inteiro é comunicação. Meus sonhos dizem sobre mim. Meus medos são meus desejos mais íntimos, vestidos pelo avesso. Meus impulsos são vontades estabanadas de quem quer muito, mas não sabe como. 

E assim me revendo, passando a limpo os rascunhos e esboços do que desenhei, entendo que muito pouco eu sei. O mundo traz essa tomada de consciência, às vezes, para algumas pessoas: a de pouco saber, apesar de muito tentar e querer. E essas coisas de sentimento então, são de um grau de introspecção, de um quê de abstração, que não é mesmo fácil assimilar, entender, domar. Tem sempre junto uma pincelada de peixe fora d'água. 

Mas contra a maré da contra-mão, insisto em pertencer. Verbo bom, que traz em si o acolhimento, o agrupamento, o todo mundo juntinho por algo em comum, e não necessariamente tudo em comum.  O pertencimento é uma das sensações que mais acalentam o ser humano. E assim o sendo, uma vez acalentado, já não se é só, mas peixe no cardume, cardume em mar de vida, vida em mar de ser feliz. 

Ah! Existem silêncios em mim... E eles doem, latejam, fisgam, queimam, e olha que de dor eu entendo. Mas  deixemos de lado esta que implora ser tema, mas a quem não cabe papel no roteiro. São eles, os meus silêncios, que querem hoje apenas chorar baixinho. Somente eles terão espaço e nada mais, nem dor, nem amor, seja o que for, é tudo coisa que fala e não quero dar ouvidos.

Deixo meu recolhimento tomar corpo, abro a porta e convido-o com respeito, pois outra vez, sou eu mesma pedindo, quase sem forças, uma canção e um colo para me aconchegar. Deixo tudo o que é artificial na superfície. O meu silêncio sou eu, de uma forma profunda, que ainda não sei qual é, ou, quem sou. Mas não há motivos para temer. Lanço-me ao mar. Mergulho. No mar profundo de mim. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Recomeço


Recomeço
reconheço
tudo do avesso
agora
e por enquanto.

Sem mais,
no entanto,
o mesmo se repete
e tudo inverte -
êxodo de mim.

Retornarei
quando não sei
um contra-ponto
talvez
no fundo do espelho.

Espero
e assim almejo
completa
antítese
do meu próprio reverso.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O amor nos tempos da rede wi-fi


Eu quero alguém para mim. E preciso dizer isso escrevendo, colocando letra após letra, dando sentido a uma frase, formando um parágrafo, tornando coeso um texto. Preciso dar forma ao meu desejo. Um homem com defeitos, problemas, medos e dúvidas. Normal. Mas que seja para mim. E que vista-se de coragem quando eu não encontrá-la. Que segure a minha mão quando as montanhas me assombrarem. Que seja céu quando eu for sol e que seja sol quando eu for terra, para que nele eu brilhe e para que em mim ele faça tudo ser vida. 

E sendo eu uma onda, que ele venha em mim surfar. E quando meu mar for lago manso, que seu barco esteja lá. E que eu seja alimento para a fome da rede que ele lançar. E sendo tudo isso, que o senso prático não nos abandone, pois é preciso ganhar o pão, fazer a comida, lavar a roupa, deixar a casa limpa e em meio a tudo isso ser amor e ser feliz. 

E para ser feliz, tem que ter rock, trilha na mata, praia quando der vontade, bicicleta na rua, música para dançar, viagem de aventura, amigos para compartilhar, família para reunir no ninho. E livros. Coisas simples. Coisas às vezes raras e deixadas de lado por tanta gente. Pois todo mundo é diferente. E a mesma tal felicidade para o outro pode ser que tenha que ter samba, shopping, vinho com lareira, carro novo e silêncio, futebol e churrasco. Diferenças administráveis mas que precisam ser resolvidas sem causar incômodo. Tecer o relacionamento numa trama sem fio. Porque um dia, tudo o que se abre mão por força da força, explode. E queima o amor na explosão.

É por essas e outras que é tão difícil. E é por isso que tanta gente quer alguém e não encontra o caminho. Porque antes de tudo, é preciso estar disposto. É preciso querer construir. Uma matemática em que o resultado da equação seja maior do que o que a lógica alcança. Sem explicações. Apenas com a vontade de fazer com o outro uma jornada intensa e de felicidade. Assim. É assim que eu quero o meu alguém. E ele tem a forma que abriga todas essas possibilidades. Só não conheço ainda o rosto dele. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ressaca


Ressaca
Em olhos de não confiar.
Ressaca
Instabilidade das ondas
Do amor
De amar.
Ressaca
A dúvida
Que corroe
A rocha
Na erosão.

(Para todos os Bentinhos e Capitus da vida).

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Romances datilografados


Houve um tempo em que eu acreditei que havia um homem feito para mim. A qualquer instante eu iria encontrá-lo. Esbarraria com ele, os sinos tocariam e num passe de mágica, plim-plom! Seríamos felizes para sempre. Aí, cresci um pouquinho.

Mudou a versão: Manhãzinha e eu correndo atrasada, preciso pegar aquele ônibus, esbarro nele, caem no chão vários dos meus livros e cadernos, ele me ajuda a pegar tudo, sorri, e me pede o telefone. Perco aquele ônibus. Mas ele liga e me convida para o cinema. Início do namoro. Cresço mais um pouco.

Fim de tarde, Centro da cidade, eu saindo do trabalho, esbarro numa senhora, ela cai, ajudo-a e ele vem ajudar também. Recebo um convite dele para tomar um café, os sinos tocam na igreja ao lado, ele pede meu telefone e me liga mais tarde. Um convite para jantar. Não sei se seremos felizes para sempre, mas quero ser feliz a dois ao menos por algum tempo. A vida ensina e cresço com o aprendizado.

Noite linda, engarrafamento insuportável, um calor de matar, esbarro no carro da frente quando tento manobrar para sair daquela via. Desço do carro nervosa, peço desculpas, ele é lindo, fico mais nervosa ainda e estou atrasada para um compromisso profissional. Falo rápido, ele tenta me acalmar, disse que nem arranhou o carro dele, pede meu telefone gentilmente para o caso de precisar me contactar para algum problema. Vou embora e ele não liga. Sou feliz e ele é só um episódio no trânsito. Cresci.

Dia amanhecendo, saio para correr na praia, encontro com o ex correndo também, levo um susto e nem sabia que ele ainda mexia comigo, com isso dou um esbarrão em alguém. Esse alguém é lindo. Peço desculpas, dou um sorriso e um tchau, mas antes percebo que ele gostou de mim. Dou meu telefone, sem ele pedir. Mas encontro com ele na praia no dia seguinte e lembro que ele não ligou. Ele dá um tchauzinho e então eu penso que ele é um frouxo. Cresci e vejo a realidade com uma clareza irritante.

Esbarro num homem. Ele não é lindo. Estou puta e de saco cheio de esbarrar em homens e não sermos nunca "felizes para sempre". Pego o telefone dele e ligo para saber se ele ficou bem depois de ser atropelado por mim. Ele é bem humorado. Quero ser feliz com ele hoje e ver estrelas quando a noite chegar.

O tempo passa. Mudam os desejos e as expectativas, a forma de encarar os acontecimentos, mas há sonhos que nunca mudam. Ser feliz a dois é um deles. E isso é ser romântica: acreditar que existe alguém que é para você. Ainda que as evidências não tenham deixado ninguém para sempre na sua vida. Mero detalhe. Nem ligo. Rio sozinha enquanto escrevo toda essa epopéia, até agora sem aquele final feliz cultuado nos contos de fada. Seria porque isso aqui é apenas a vida real?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A paz ao meu lado


O que escrever nos dias de plenitude? Como dizer de forma doce e poética que estou em paz? Se a própria paz já é azul e preenche com mansidão meu ser inteiro, como fazer poesia se a poesia agora faz morada em mim? Apenas me lagarteio ao sol, deixo a luz do dia entrar e aquecer a minha alma. Não almejo nada mais.

Pés na areia, caminho ao som das ondas. Como é bom respirar e caminhar sozinha! Ainda ontem vi uma moça bem mais jovem que eu e que não podia fazer isso sem ajuda. A autonomia é uma prece para mim... Que elevo aos céus com muita alegria e gratidão. Coisas simples que tornamos mecânicas e não valorizamos. Não com a ênfase que devíamos, ao menos.

Por isso, e por tantas outras coisas que agora não penso em escrever, é uma dádiva quando somos visitados pela paz. E assim sendo, vou ali na padaria comprar pão fresquinho, bolinho de chuva e outras delicinhas, pois vou aproveitar para tomar com ela um cafezinho. Quem sabe, ela não deixa de ser visita e resolve morar aqui para sempre?