quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quando



Quando não sei o que fazer, não faço nada. Quando não tenho o que dizer, fico calada. O que não significa dizer que, quando eu não saiba o que vestir, eu fique pelada. Também não é assim. Visto-me. Do que há de mais confortável e surrado, porque meus movimentos odeiam restrição. Nunca pensou nisso? Nunca achou que eu odeio coisas? Odeio coisas e algumas pessoas também. Pois tenho em mim todos os sentimentos do mundo. Aliás, essa frase me soa familiar. Um plágio incontrolável (pausa, pois vou ver se é de quem penso que é).

Claro! É dele sim: Pessoa. Mas ele tem todos os sonhos do mundo, eu tenho todos os sentimentos. Meu mundo não é cor-de-rosa, como pensam algumas amigas, só porque gosto de babados, rendas, laços e frufrus. Meu mundo é azul. Da cor do mar. E se ficar cinza, porque o dia está nublado, tudo pode acontecer. O mar pode ficar cinza. Ou talvez eu prefira desenhar o sol .

Mas quando não quero, não sou. Quando não encontro espaço, deixo para lá. Porque não me diminuo para caber e nem sequer insisto com a minha presença. E aí, tudo em volta se faz ausência do outro que ficou para trás da boca para fora, mas que ainda mora, aqui, dentro de mim. E pego de novo emprestado uma idéia, mas que agora não vou pausar para saber de quem: eu poderia perder todos os amores que tive, mas não sei perder um amigo. Principalmente quando perco para a vida. Principalmente se percebo, que reciprocidade não era a tona. E que talvez, não fosse tão amigo assim.

Então, quando desisto, eu vou adiante e me afasto do que ficou. Quando quero respostas, me deparo com tantas perguntas que percebo que o problema é o tanto dos questionamentos que invadem o silêncio da minha alma. Que já abarrotada de fala tagarelante de um eu inquieto, pede socorro. E olha. Um olhar para dentro de mim mesma. Em busca da menina silenciosa que mora ali, e que ainda brinca com os sonhos. Aqueles mesmos sonhos que O Poeta tem do mundo. 

Tudo isso quando eu tenho coragem. Porque quando eu tenho medo, eu luto. Enquanto outras tantas, eu fujo, eu fujo, eu fujo.

Um comentário:

  1. nossa Cris, que lindeza de sentimentos expressos em palavras! amei esse texto! =)

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita!
Responderei ao seu comentário em seu respectivo blog.
Até mais!