domingo, 29 de julho de 2012

É preciso cantar



É preciso cantar. E manter a sanidade. Cantar para espalhar notas musicais de alegria pelos recintos sombrios e cinzentos da prisão de si mesmo. Cantar com a alma, ainda que a boca não se mova, ainda que a voz não obedeça, mesmo que o corpo padeça na total carência de liberdade, de carinho e afeto. 

A música faz voar. Nas asas de um vôo alado, de encontro à imensidão que tudo pode ser. E por isso, é preciso cantar. Um cântico que cubra os gritos de dor do vazio ao lado. Ou do vazio que habita o próprio ser. Mas cantar. Cantar para ser animado da gota de vida que existe no som da canção. Cantar para ser preenchido do sonho de que a tortura terá fim. Cantar, cantar, cantar.

E seguir cantando. Entoando cores na expressão de uma doce melodia. Encobrindo o medo de acabar-se só. E cantar a todo instante para que a esperança permaneça viva e erguida. De pé, altiva, sorridente. Cantar. Sem se incomodar se incomoda. Cantar bem alto. Para que o próprio coração ouça seu clamor pela vida. É preciso cantar. Até, e principalmente quando, tudo parece ruir. Porque o canto pode salvar. 

Salvar da guerra, animalesca emboscada humana que corrói o laço entre o hoje e o amanhã. Guerra, finitude de toda e qualquer forma de sensibilidade. Cantar é preciso. Porque quebra o ciclo de horror que se instala nas paredes frias que enclausuram os fortes. Cante. Pois cantar evoca o amor. E o amor é dotado de uma partícula do infinito. Incondicional, tudo acolhe, tudo ama, tudo reúne, em seus braços ternos e delicados. Tudo perdoa. A música de quem canta sempre será ouvida em algum lugar...

(Escrevi esse texto vendo Incendies, um filme canadense maravilhoso, que eu super recomendo. "La femme qui chante" inspira. Veja e entenda melhor o que estou falando. É forte, primoroso, arrebatador e surpreendente. E mais um tanto de adjetivos que eu sugiro que você veja o filme.)

sábado, 28 de julho de 2012

O fantástico mundo de Walt Disney




Há algo de muito especial no mundo encantado de Walter Elias Disney. Algo que, de tão magnífico, estendeu-se além de seus parques... E além de suas fronteiras tudo também é pura diversão e alegria, com parques para todos os gostos. Mesmo que não seja um parque da Disney, o que há lá, vem dele. Semente que deu frutos.

A criança que vive dentro de mim, um dia foi criança de verdade. E era muito lúdica, vivia no mundo d fantasia. E de repente, encontrou ali na Disney seu lugar perfeito. Foi súbita e novamente alimentada com a mais pura magia, o mais belo sonho... Aquele castelo fez Cinderela emergir do meu disquinho de vinil, que rodava diariamente naquele toca-discos daquela casa em que não moro mais... Branca de Neve estava alí, na minha frente... Peter Pan assoviava sua canção... Pinóquio passou por mim e deu tchau, ele era um menino de verdade... Tudo isso ao som da musiquinha do meu programa favorito aos domingos, no SBT... As lágrimas pareciam não se esgotar. E senti, assim, minha idade diminuir, diminuir, diminuir, até que não pude mais esconder: eu tinha 8 anos novamente.

Todo dia era dia de parque. Foi assim nas férias em Orlando. Mas o primeiro domingo lá foi um acontecimento: acho que entrei numa máquina do tempo e nem percebi. O mágico Magic Kingdom está além de qualquer tentativa de explicação. É a morada do encantamento, local onde residem os sonhos. E embora ninguém veja, tenho certeza agora que as fadas tocam com varinha de condão os corações que lá passeiam.

Brinquei, joguei beijo para personagens, pedi autógrafo e tirei fotos com eles. Corri solta pela Main Street como se ali a liberdade morasse e dissesse: "_Venha criança, venha para os meus braços!". E eu fui. Deixei vir aquela essência pueril que a gente insiste tantas vezes em esconder por receio de alguma coisa tola que nem sabemos o que é. Ah, deixei! E fui tão feliz... Eu estava lá, em Magic Kingdom, e nada mais no mundo importava. 

Era para ser uma viagem em família. Era para ser um período de férias de muita descontração. Era para ser uma viagem muito fora do meu estilo, tendo em vista que não viajo de pacotes de excursão. Mas não foi só isso. Foi muito mais. Fiz amigos, fiquei fã de montanha-russa, e curti demais andar atrás de um guia para que eu pudesse apenas ser criança de novo. E descobri que tenho muito da menina de 8 anos ainda. Neste fantástico mundo é possível ser tudo. Basta permitir-se. E acreditar que o tempo é apenas uma medida física. A essência que vive em nós é atemporal. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Férias


Malas prontas e lá vou eu de novo, fazer uma das coisas que mais gosto nesta vida: viajar! Desta vez, vou para Orlando, destino meio óbvio para o meu gosto, mas sabe como é, a vida contém o óbvio e eu não ouso andar nesta contra-mão, com hífen mesmo, pois até agora ainda não parei para estudar as novas regras. Odeio regras, mas lembro-me agora que as ortográficas são necessárias, fazer o quê... 

Fazer o quê? Agora, esquecer o português, tirar o inglês da bolsa e fechar a mala. Pegar o voo, para voltar a ser criança, e brincar até não poder mais, que é outra coisa que gosto muito também. E como vamos em família, mãe, sobrinho, sobrinha, o que não vai faltar é brincadeira. Quero escrever de lá, mas não sei se vai dar tempo. O ritmo promete que vai ser frenético. 

Qualquer que seja a situação, vou fazer um diário à moda antiga mesmo. Aí, o que for legal eu publico aqui depois. Então, só para não deixar de me deliciar antes de ir, estou aqui, escrevendo umas letrinhas e percebendo-me cada vez mais dona de mim, dona de minha vidinha. Porque é assim que faço, é assim que sou: vou caminhando e fazendo o caminho. Eu faço escolhas. E amo isso! 

domingo, 8 de julho de 2012

Tormenta

Tormenta
Na água salgada
Reviravolta que escorre
Dos olhos e cai
No copo
A água
Ardente
Dói.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quando



Quando não sei o que fazer, não faço nada. Quando não tenho o que dizer, fico calada. O que não significa dizer que, quando eu não saiba o que vestir, eu fique pelada. Também não é assim. Visto-me. Do que há de mais confortável e surrado, porque meus movimentos odeiam restrição. Nunca pensou nisso? Nunca achou que eu odeio coisas? Odeio coisas e algumas pessoas também. Pois tenho em mim todos os sentimentos do mundo. Aliás, essa frase me soa familiar. Um plágio incontrolável (pausa, pois vou ver se é de quem penso que é).

Claro! É dele sim: Pessoa. Mas ele tem todos os sonhos do mundo, eu tenho todos os sentimentos. Meu mundo não é cor-de-rosa, como pensam algumas amigas, só porque gosto de babados, rendas, laços e frufrus. Meu mundo é azul. Da cor do mar. E se ficar cinza, porque o dia está nublado, tudo pode acontecer. O mar pode ficar cinza. Ou talvez eu prefira desenhar o sol .

Mas quando não quero, não sou. Quando não encontro espaço, deixo para lá. Porque não me diminuo para caber e nem sequer insisto com a minha presença. E aí, tudo em volta se faz ausência do outro que ficou para trás da boca para fora, mas que ainda mora, aqui, dentro de mim. E pego de novo emprestado uma idéia, mas que agora não vou pausar para saber de quem: eu poderia perder todos os amores que tive, mas não sei perder um amigo. Principalmente quando perco para a vida. Principalmente se percebo, que reciprocidade não era a tona. E que talvez, não fosse tão amigo assim.

Então, quando desisto, eu vou adiante e me afasto do que ficou. Quando quero respostas, me deparo com tantas perguntas que percebo que o problema é o tanto dos questionamentos que invadem o silêncio da minha alma. Que já abarrotada de fala tagarelante de um eu inquieto, pede socorro. E olha. Um olhar para dentro de mim mesma. Em busca da menina silenciosa que mora ali, e que ainda brinca com os sonhos. Aqueles mesmos sonhos que O Poeta tem do mundo. 

Tudo isso quando eu tenho coragem. Porque quando eu tenho medo, eu luto. Enquanto outras tantas, eu fujo, eu fujo, eu fujo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Casa Vazia


Bati à porta
E ninguém respondeu.
Eu entrei.

Sonho de vida
E ternura sem fim.
Ali fiquei.

Longo tempo
E eu esperando o amor se dar.
Cansei.

Casa vazia
Morada fria
Noite sem dia
Fui embora.

E não mais voltei...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Silenciamento


Hoje, tomada por um sentimento de quietude desconfortável. Talvez porque não seja quietude, mas silenciamento, que é meu neologismo para quem fica calada à força. À força de, melhor calar a falar e ser mais mal interpretada ainda. Então, quando é assim, deixo pensarem o que quiserem. Mas sou humana. E me recolho no meu mundinho e fecho ele todo, todo, todinho. Para mais ninguém entrar, porque não quero que caiba mais ninguém ali. Para eu ficar nele do jeito que sei, e sem ser machucada. E pensando bem, a crise de criatividade é só consequência. Vim aqui hoje desabafar. Quem sabe, passa... quem sabe, não. Nada é autobiográfico até que seja. E o sentimento de inadequação quando bate, dá um quê de "meu mundo não é esse...". Dias de águas rasas...