sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pandora, senhora de sua caixinha


Que adoro mitologia, isso é sabido de todos que me conhecem. Mas o que quase ninguém sabe, é que Pandora e sua caixa exercem sobre mim um fascínio imensurável. Hoje porém, acordei com mil pensamentos filosóficos. Sem o menor propósito, bluft! Veio em minha mente, essa coisa da caixa. E subitamente, a esperança, que sempre resta, e sempre cultuada como a moral da história, o ponto alto do enredo, o estímulo para lembrarmos de seguir em frente, perdeu um pouco do encanto. 

De repente, percebi algo maior que a caixa e a esperança. Percebi que Pandora, uma egocêntrica repleta de futilidades, sempre olhou para a caixa e somente para a caixa: o seu umbigo. E quando se olha somente para si, para o próprio umbigo, todos os males são levados ao mundo: ao mundo ao redor de si. Quando tive esse insight, com todo este cenário desenhado, vi o embotamento que envolvia nossa antagonista. Pandora não passa de uma vilã focada em guardar coisas para si, em colecionar pseuso-virtudes, em manter presa a esperança no fundo da caixa. Pandora olha para dentro. Vê somente a si. Busca salvar sua única possibilidade, a bendita esperança. E para isso, vive na caixa.

E seria bom se alguém dissesse para ela: "Pandora, fofa, sai dessa! Se somente esperança sobrou em sua relíquia dos deuses, vamos acertar uma coisa: olhe para fora da caixa, pense fora dela, saia dela". Sim, porque é tudo tão mais amplo do lado de fora que, se há males, há também outros bens. Há flor, há cor, há amor, há dor, tudo com rima, e ainda assim sem a menor graça às vezes. Mas só alcança a satisfação, momentânea digo-lhe logo, aquele que ousa, que se arrisca, que procura ver o ângulo da maneira que ele ainda não foi visto. Menina, deixe de ser tolinha. Se a caixinha agora é sua, não interessa se há nela esperança somente. Que bom que há! Mas vá em busca das outras coisas. Olhe ao redor. Há muito além de esperança, do lado de fora...

Foi isso o que pensei hoje, sem querer... Bem, talvez eu tenha sido a única pessoa que levou tanto tempo para entender o que todos já tinham entendido. (Só eu que não tinha pensado assim? Agora me parece tão óbvio, rs). Mas fiquei muito feliz em ver que um mito tão antigo, tão conhecido meu e seu, pode ter uma interpretação nova, agora transformando a caixa em sua própria pessoa e fazendo dessa pessoa alguém que olha não somente para si e para o que sobrou dentro de sua alma, mas para o mundo que está ao seu redor. Um mundo que está aí, cheio de oportunidades, e que se abre a cada instante. Mas apenas para quem pensa fora da caixa. 

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