sábado, 16 de junho de 2012

A lágrima que não se vê



O coração é a sede da alegria. Diz assim a medicina tradicional chinesa. Mas há momentos em que ele chora. E a esse chorinho doído, de apertar lá dentro e escorrer uma lágrima que não se vê, chamo de tristeza. E há pouco, a tristeza chegou num telefonema... Minha amiga Vera faleceu. Há 15 dias. Ninguém me avisou.

Mas como eu não sabia de minha amiga? Simples: há pessoas que não vemos sempre, mas que sempre chamaremos de amigo. E lembro-me das poucas vezes que nos vimos mas da empatia que tivemos. Trabalhávamos na mesma empresa, uma multinacional, e ela era lotada numa unidade na África. Tivemos um seminário pesadíssimo, encontro de sei lá quantos dias, dia inteiro, todo mundo internado num hotel, para... trabalhar! Discutir resultados, estabelecer metas, um sem-fim de coisas. E Vera fez uma palestra, apresentou seu trabalho em paralelo à empresa, um esforço belíssimo em fornecer conhecimento e educação sobre AIDS...

Ela era dessas pessoas iluminadas, sempre sorrindo, muito culta, astral bacana, simples toda vida, e uma sacada rápida do outro que me impressionou. Quando a conheci eu estava num processo de investigação de doença, muito magra, mas super firme na cabeça. No ano seguinte, eu já tinha resolvido tudo, voltado ao meu peso normal, e ela, muito perspicaz, me disse que eu estava linda, queria saber o que eu tinha feito para... crescer!!!! Que eu estava enorme, alta!

Ela era incrível! Pois na verdade, aquele processo me manteve com a mesma estatura, me devolveu o peso normal, mas me fez crescer como gente, em atitude, em saber ocupar o lugar meu, em ser notada no que faço. E era isso, esse crescer, que ela falava rindo, brincando, como se estivesse se referindo à altura do meu salto. Depois disso, encontrei com ela 2 outras vezes. Sempre, uma alegria encontrá-la. E eu soube hoje, que, em abril, estavam algumas pessoas combinando uma saída aqui no Rio, e ela disse: "_Lembrem-se de chamar a Cris para o nosso chopp!". E ela adoeceu, e não teve chopp, e ela se foi, e eu não a vi mais, e só soube agora...

Triste porque meu lado humano e egoísta não pode abraçá-la. Triste porque não pude brincar e rir alto com ela mais uma vez. Triste porque não me lembro se disse o quanto a admirava e tinha carinho por ela. Triste porque às vezes não há uma segunda chance. Espero que meu anjo entregue a ela o meu recado de saudade, onde ela estiver. Mas eu agora, vou ligar para meus pais - ela tinha idade para ser minha mãe - e dizer o quanto eles são importantes para mim. Porque é óbvio. Mas o óbvio também precisa ser dito.

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