terça-feira, 22 de maio de 2012

A fuga de um poema


                                                     Foto de Eduardo Wermelinger    


                                      Ao homem que ama Tereza
                                                                                                      (2002)

Porque nem tudo é permitido 
entender.
Porque os instantes mágicos
já não consigo
perceber.
Porque os limites estão ali
esperando alguém
que os possa romper.
Porque coragem é força
e vontade de ir
até onde dá para viver
e ver.
E porque o amor é apenas
um disfarce de onde nasce
o perdão
já que nem tudo é permitido
entender,
imperfeição.

Porque a alegria é fonte
da mais sublime inspiração.
Mas quando ela se perde
pelo caminho
e faz florescer a dor
em um coração
sozinho,
homem que ama Tereza,
veja –
de olhos bem abertos,
veja –
que muitas são as formas
de solidão.
Veja quão imperfeito é o amor
porque imperfeitos são os sentimentos
            imperfeitos os comportamentos
            imperfeitos também os versos
inspirados pela tristeza
de não ter você para mim.

Porque os tempos verbais
estão equivocados
e não há o verbo amar
perfeito,
não há o verbo amar
mais-que-perfeito,
homem que ama Tereza.
Porque perfeito é sonhar...

Não, nem tudo é permitido
entender.
Muitas são as formas de solidão
e você é só.
Não há nenhuma beleza
em não ter você aqui
junto de mim.
Eu estou só
e decididamente não há
nenhuma beleza no fim.

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