segunda-feira, 30 de abril de 2012

Redenção


O nome é Monte Calvário. Faz jus ao nome. Quando se está a 3800m de altitude, chegar a 4100m é mesmo um calvário, principalmente se você vive ao nível do mar. É um local de peregrinação na Bolívia, e muitos bolivianos fazem essa caminhada na sexta-feira da Semana Santa. Mas como a data é outra, encontrei mesmo muitos estrangeiros pela trilha, um brasileiro dentre eles.

A trilha possui escadas. Não há como errar. De tempos em tempos, uma cruz marca o trajeto, referindo-se  a uma estação da via crucis. Iniciei a subida rezando o terço, mentalmente. Muitas paradas ao longo do percurso, para apreciar o visual, para  beber água, para respirar melhor. Me perdi no terço... 

Demorei para chegar. Mas não estava com pressa. Acho que assimilei isso: não ter pressa, curtir o caminho, ser feliz enquanto não se alcança o objetivo... E no fim da via crucis, não havia crucificação. Não a minha, ao menos. O que encontrei foi Redenção. Um lindo fim de tarde, um pôr-do-sol no Lago Titikaka para nunca mais se esquecer. Quando se ama é assim, nunca mais se esquece.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Horca del Inca



Queria ir até lá. Tinha melhorado do soroche, enfim! E nada me impedia. Logo, fui.

Subi muito devagar. A altitude impõe respeito. Um passo, uma inspiraçao. Sem pressa. Como tudo aqui. E lá no alto, a quase decepção: as escadas eram tão perfeitas, o caminho tão certo, como eu poderia ter me perdido, e não encontrá-la?

Girei. 360. E nada. Um visual incrível, nem preciso dizer. Mas e ela, onde estava? Onde estava a rocha do solstício de inverno inca? Eram muitas formações rochosas, todas belíssimas, observatório astronômico. Mas aquela que eu buscava, brincava de esconde-esconde comigo. Revelou-se quando bem quis. Protegida pelas outras, eu sozinha lá em cima, fiquei meio sem rumo. Achei até que tinha me perdido. Aprendi a não subir sozinha mais, eu acho...

Mas de repente, num giro... ela estava lá. No giro, o encontro, a foto! Essa que está postada, aí! E o desastre: a câmera, sem dar aviso de meia carga, não tinha bateria mais. Não acreditei! Desliguei e liguei de novo. E tive a chance de mais 2 fotos. Só.

Fui até lá, entrei em seu abrigo e senti a conquista. Eles estiveram lá, os Incas! Construíram tudo aquilo. E eu estive lá também!  

domingo, 22 de abril de 2012

O Beijo do Lago



Fim de semana no Lago Titikaka. Ele está aos meus pés. Eu o beijo. E desse amor, conheço o misto de prazer e dor. Respiro bem, mas preciso caminhar devagar. Tenho fome, mas nao consigo comer. Uma fraqueza toma posse de mim e em meio aos mistérios do nascimento de Manco Kapac e de toda a origem da civilazaçao inca, sinto a mutaçao desta fragilidade em força. Uma oraçao a Virgem Morena e a emoção: ninguém foge de suas raízes. E enfim, é o Lago quem me beija. Amor correspondido. Renasço de suas águas. A Bolívia me toma como filha.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O inferno em La Paz

                        

Essa foi a primeira visao que tive dele, o Chicaltaya... Quando o aviao passou por ele, me apaixonei... Mas como toda paixao, e como todas as palavras sem o til, pois este teclado é maluco, levou'me a perder o folego! Vai ser dificil escrever assim, mas o fato é que sucumbi aa altitude. Estou sofrendo de soroche, o mal da altitude, a quase 48 horas. 

Tanta beleza a ser vista e eu a ter sintomas os mais diversos. Comecei com uma especie de tonteira, uma impressao de raciocinio lentificado e desmaio eminente. Tomei cha de coca, dormi um monte e acordei otima. Fui entao fazer o reconhecimento de area, quando faltou o ar absurdamente... Muita secura na boca e agua nenhuma era suficiente. Ate que chegou a noite e comecei a vomitar. Resumindo, fui a uma clinica para fazer um plasil que nao fosse por via oral e fiquei bem. Consegui comer apenas frutas e estou rcobrando os sentidos agora. Estou socializando aqui no hotel mesmo. Mas ja ja vou sair para comprar mais estoque de frutas e agua. 

Meus planos de nao ter planos me surpreenderam. A natureza sempre nos surpreende. Ainda nao comecei a me divertir, posso ate dizer que so sofri ate agora. Mas talvez seja parte dos planos da natureza para mim, ensinar me a aceitar os caminhos como eles se apresentam. Sim, o caminho nos escolhe e tem seus caprichos. Aqui, o tempo passa diferente. Preciso aprender a ser mais de va gar. A vida devia ensinar isso a todos os humanos. Mas agora, a aluna sou eu!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Travessia


Chegou o dia em que vou andar pelo mundo, até atravessar a Porta do Sol e alcançar uma nova dimensão. Talvez encontre a Atlântida perdida... Ou não. Mas quero chegar ao Lago e tocar, ao menos de leve, o fino manto da mais pura lã de alpaca de Manco Kapac. E com este toque, fundir-me mais uma vez aos mistérios da humanidade. Incas e Tiwanakotas, aí vou eu!

domingo, 15 de abril de 2012

Pale blue eyes



Sinto-me assim: alma a correr livre por aí... de encontro ao belo... Ouvindo uma musiquinha bacana - Pale Blue Eyes -  trilha doce para embalar o arrumar da mala. Colocando nela só o essencial: não quero peso nenhum, assim como na vida. Vou levar somente o conteúdo que aquece o corpo e o coração, para os momentos de frio. E junto, levo o desejo de uma boa viagem, seja nesses dias de abril, seja no caminho de minha vida toda, e para a sua vida também. Básico e essencial.  

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Hitchhiking


E como o clima é de viagem, um monte de pequenas coisinhas para ajeitar, como comprar umas pilhas pra fazer o Calvário na hora do pôr-do-sol em Copacabana, p.ex., lembrei de repente, do dia em que viajei de carona. Foi sensacional! E foi com o meu papai. 

Eu era adolescente, talvez uns 16 anos. Lembro-me daquela viagenzinha para a casa de vovô toda na baldeação. Um ônibus curtinho aqui, outro trechinho de ônibus até mais adiante, até que chegamos a um ponto em que não tinha mais como ir de ônibus. Acho que era um feriado. Meu pai não pensou duas vezes: 
_Vamos de carona!
_De carona? Como?
_De carona de carona, ué!? De caminhão.
_Obaaaa!!!! Nunca andei de caminhão!!!!

Rapidinho, estávamos nós dois numa scania imensa, numa cabine super alta. Eu ia vendo a estrada de um ângulo que nunca tinha visto antes: do alto! E adorei! E sempre é legal quando a gente tem a oportunidade de ver uma coisa a partir de uma nova perspectiva. 

Por isso, viver vale tanto a pena. Sem a troca de experiências, sem o contato humano, sem conhecer o ponto de vista que o outro adota, o mundo fica pequeno, a vida empobrecida. A riqueza está em viajar, comunicar-se, trocar, conversar aqui e acolá, saber como pensa e sente uma outra cultura. Viver é aventurar-se. Lançar-se ao desconhecido. Sem medos. E sem mais palavras. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lançar-me ao desconhecido


Andei sumida, é verdade. Mas é que resolvi lançar-me ao desconhecido de uma viagem. No início, não conseguia saber qual destino me chamava. Sim, são os destinos que me escolhem, fato... Achei que era Cartagena, até comentei aqui. Mas algo não batia lá dentro. Daí, veio o Salar de Uyuni povoando meus sonhos. Mas junto com ele, uma espécie de medo de algo não dar certo. Precisei então sair de cena para sentir melhor o que se passava comigo. Afinal, o clarão me mostrava a Bolívia. 

Sim, a Bolívia. É a Bolívia que estava me chamando. É a Bolívia que me chama, que me deseja, que quer se mostrar para mim. Mas ainda assim, o medo... Não sei se por ser um lugar em que nunca pensei antes, ou se por ser um preparativo de viagem muito rápido, ou mesmo a altitude ou a viagem sozinha a um país "perigoso". Enfim, vontade é realidade. Abre parênteses: Ou não, porque se a vontade não é possível, não é, e desencano. 

Então, estou sumida nesses dias acertando tudo. De-tes-to viajar de pacote, entrar num ônibus de excursão. Vou na semana que vem e espero, em tempo real, fazer o meu diário de viagem no blog, ou parte dele. Na volta, vou postar as dicas. De tudo, só defini La Paz e Copacabana até agora. O Salar eu só vou resolver lá; para ir mesmo, vai depender de o quanto estarei adaptada. Mas vou passar um fim de semana no Lago Titikaka. Estou super empolgada e, claro, apreensiva. Nunca estive antes em uma altitude de 4000 metros e não sei como meu organismo vai receber isso. Espero ficar bem e poder aproveitar bastante. Quero muito ver de perto a cultura inca e pré-incaica do Altiplano Boliviano. Uma viagem me refaz!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Estrela cadente


Há um texto guardado em meu caderno que insiste em sair daquelas páginas. Lembro-me de tê-lo escrito aos soluços, rs, ouvindo "No Fear of Heights", de Katie Melua. Hoje ele pediu pra sair do caderno. Vou deixar. Talvez porque hoje eu esteja me sentindo fora de contexto, antiquada, com sintomas de "vazio no coração". Ou então é uma paixão recolhida, como sempre disse minha avó, que quer se manifestar no blog. Pode ser amor não correspondido, ou talvez amor platônico, ou quem sabe somente tristeza por não ter vivido uma coisa tão simples. Sempre ouvi dizer que contra o amor impossível nada pode, porque ninguém pode com a fantasia. Enfim, sem querer esgotar os "porquês", resolvi postar o texto fujão. Quem sabe funciona como um bálsamo, quem sabe me faz colocar o pé no chão, quem sabe muda meu jeito de depositar confiança no ser humano. Gente que recebe flores da vida e faz questão de não aceitar, não merece nada. Eu, vou seguindo... coração vaziiiiiiooooo...

"Aconteceu. Eu passava. Despretensiosamente. Com um objetivo, um foco certo, definido, eu ia. Mas sem saber, passei ali, naquele lugar. E nesse exato instante, ele virou o rosto. Mero acaso, não sabia que eu passava. Uma dessas coincidências. E distraída, meu olhar encontrou o dele. E meus olhos viram seu sorriso. E foi assim, nesse dia, que caí. Caí num abismo. Queda livre.

A paixão é uma queda livre. Às vezes, o jogar-se no abismo é uma escolha, um aceitar, um decidir se pula ou se não pula, um permitir que aconteça. Outras vezes, a queda livre é um empurrão do destino mesmo. Ainda estou em queda livre. Não chego nunca ao chão. Como se esse abismo fosse o próprio universo, que sendo infinito, leva-me à infinitude de um cair, que não termina em chegar a lugar nenhum.

Empurrada. Arrebatada. Jogada deste planeta ao vazio de toda uma galáxia. Caio e vejo as estrelas ao lado. Entre todas estou caindo. Não é possível tocar nenhuma delas. Também não é possível tocá-lo. Queda livre. Estar entre as estrelas, na solidão de cair sozinha e possuída por tanta paixão. Um olhar. Um sorriso. E o abismo. Quero chegar ao chão. Onde está o chão? Meus pés querem tocar o solo...

Quero entrar em combustão nesta queda. Não era para ser assim? Corpos que caem, caem, caem, entram em combustão... Não entram? Então por que também não eu, a queimar em fogo ardente, até não mais existir? E não mais existindo não serei mais essa paixão... Preciso queimar toda logo, para por-lhe um fim. Pois eis que sou uma paixão: não a possuo em mim, pois por ela fui toda invadida. Nesse existir, já não quero ser.

Quero voltar, me deixe, não quero passar naquele lugar, naquele dia, naquele olhar, naquele sorriso. Tempo, volte atrás! Queda livre. Em câmera lenta, como num filme. Um corpo que indefinidamente cai. Espero logo chegar ao chão. Acabar-me. Findar essa loucura que não pedi seguir-me. Mas eis que enquanto caio, meus olhos estão abertos. Só quando se cai assim, é possível ver que as estrelas estão ao seu lado.

Caindo sozinha, não é possível tocá-las. Mas as vejo de perto. E se isso não me basta, ao menos me afaga o coração poder tê-las tão próximas. Tenho muita sede... Quero estar de mãos dadas, caindo junto... Como eu quero... Jogue-se! É minha vontade maior. Eis o meu desejo."

segunda-feira, 2 de abril de 2012

500


Nunca pensei em chegar até aqui, como também nunca pensei aonde chegaria com isso. Um dia, comecei. Nem sei se já cheguei a algum lugar. Mas ter 500 acessos num blog ao qual "divulguei" a mais ou menos 20 amigos, me dá a sensação de que, ou meus amigos são leitores fiéis - e sei que não são-, ou tem uma galera lendo o que escrevo. Enquanto houver vontade de escrever, haverá postagem. E tem havido muita vontade, pois como já disse, tenho um mar de emoções dentro de mim. Em 2 meses e meio dessa experiência, sinto-me mais leve escrevendo minhas bobagens aqui e sinto-me agora um sucesso literário da rede com esses 500 acessos, rs. Não, não sou ainda a Martha Medeiros. Vejam bem como coloquei: ainda! Hehehe. O post de hoje é sobre isso: a coragem de colocar em prática um projeto "tolo" e fora da sua realidade porque você simplesmente quer. Dane-se o resto todo! Faça o que quiser! Obrigada a todos que por aqui passaram! Um brinde a nós e longa vida ao blog!

domingo, 1 de abril de 2012

The wall

"You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying"
Great! 
Ainda entorpecida com tanta criatividade, arte, beleza, emoção e energia. Coisas que um espetáculo de música são capazes de fazer em mim... Coisas que Roger Waters faz com maestria. E meu mar fica em festa!