terça-feira, 6 de março de 2012

Meu presente


Hoje, bem cedinho, antes de sair de casa, ganhei um presente muito especial. Numa caixa linda, repleta de bom humor, encontrei um cartão que dizia: "Cuidado: Frágil! Contém todas as coisas boas que você deveria viver". Olhei e pensei: estranho... já vivi tanta coisa boa... minha vida é vivida... não é sonhada... o que será que eu deveria viver?

Abri a caixa e dentro dela encontrei um balde. Olhei bem, estava vazio. Olhei de novo, estava cheio. Num passe de mágica, o balde começou a transbordar. Era um balde encantado. Tinha ali dentro uma borracha desmancha-chatices, feita para apagar tudo o que aborrece. Havia também um pincel maxi-cores-surreal, que nunca vi antes, mas cuja função é colorir tudo o que eu quiser no dia em que a vida estiver meio sem cor, meio sem graça, meio blasè. Um outro item curioso era um balão, para transportar minha cabeça para as nuvens sempre que os pés estivessem muito presos ao chão.

Tinha um modelinho ainda não inventado das havaianas, que eu amei, e um vestido sensacional do Elie Saab - meu atual "objeto" de desejo -  junto com um convite para a festa do Oscar 2013... Enlouqueci!!!! Será que vou vestida de namorada do George Clooney???? Hahahaha, afinal, isso é coisa que ainda não vivi, hahaha... Que delicinha de presente, um balde cheio para a minha imaginação...

Tinha também um amor... o amor... o amor que se ama antes, durante e após o fim da paixão, porque esse amor aí eu não vivi ainda. Sempre amei muito, sabe? Mas sempre com a paixão acoplada. Fim da paixão, bluft, naufrágio do "amor". O amor que dizem ser o tal, que se ama quando finda todo o desespero que se conhece como próprio das paixões, esse aí, tava no baldinho. Até achei estranho, porque desse amor aí eu ando meio desacreditada, mas bem, estava lá. Talvez um convite a voltar a sonhar, já que, não é possível realizar o que não se sonha.
 
 
Estavam lá também todas as viagens que eu quero fazer e ainda não con$egui, com uma dose generosa de tempo para poder viajá-las todas. E o balde... Ah, ele era lindo, o danadinho. E estranhamente, não tinha fim. Olhando por fora, parecia pequeno, quase raso. Olhando-o por dentro, e colocando-lhe o braço para tirar os muitos presentinhos, nunca que alcançava-lhe o fundo. Era feito de um plástico muito simples, mas um tipo de plástico ecológico, que se desintegra em 24 horas quando em contato com a tristeza de um lixão.
 
 
E estava eu assim, repleta de fantasias, quando então, trrrriiiiimmmmmmmm... tocou o despertador e tudo desapareceu, caixa, balde, presentinhos... Eu dormia e sonhava um sonho tão bom... E depois disso tudo, pensei que a medida de se viver as coisas boas é a medida do infinito: sempre há espaço para elas, mas nunca é o suficiente tê-las vivido, porque alcançar a satisfação não é próprio da arte de ser humano.

Quero gritar ao mundo que desejo viver tudo, todas as coisas boas, no agora, com a medida do infinito, sem falsas promessas, sem auto-enganação, assumindo a parte humana que me é própria. Minha imperfeição me torna sã, aceito criar expectativas e não ser elevada espiritualmente, permito-me pedir colo apesar de toda minha força. Quando se é de carne e osso, tudo isso é possível e mais um tanto que nem cabe aqui. E quando se é assim, ao tocar do despertador e descobrir-se sonhando demais, tudo o que se tem a fazer é correr para o banho porque o dia já vai alto e não espera. Eis o agora.

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