quarta-feira, 28 de março de 2012

Canção de ninar


Adoro dormir com barulho de chuva. Sinto uma alegria ao ouvir esse som... Nem tem explicação. Quando criança, eu brincava muito solta, na rua, era um moleque. Mas quando chovia, tinha que ficar presa em casa. E apesar disso, achava a chuva linda. Ficava na janela, por um tempão, olhando... Gostava dos trovões, dos relâmpagos, das gotas caindo no chão que pareciam fazer um copinho. Achava que uma trovoada era Deus andando no Céu, afinal, Ele era muito grande, muito velho e muito barbudo, e óbvio, o caminhar dele era um estrondo, rs! Enfim, o kit chuva sempre me agradou e ainda, por um bom tempo, provocava meu imaginário com fantasias. Hoje, chuva é musica para os meus ouvidos, e música da natureza. Como eu gosto! Precisei dividir aqui esse meu gostar. Agora sim, posso dormir. Boa noite!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Pensamentos recorrentes



Não há um só dia em que não chegue a noite. Assim como não há um só momento de luz em que não haja uma escuridão a lhe rondar. Não existe a mãe sem o filho e o filho só é filho porque nasceu de sua mãe. Não há caminho sem que haja pés para caminharem nele; do contrário, não seria um caminho, mas outra coisa. Ou um vazio. E não existe vazio que um dia não seja preenchido. Senão, não é vazio, é vácuo.

O mundo é dual, mas inteiro, nunca é metade. E suas partes inteiras possuem entre si a característica da complementaridade. Os seres existem em consonância com algo que nem sabem o que é, mas mesmo não o sabendo, ainda assim, esse Algo existe. E em mim, existe saudade, felicidade, espontaneidade, susto, medinho, meninice, nuances de ser humana. E vontade. Do quê, só eu bem sei. Mas desse quê, não quero nada dizer abertamente. Não em voz alta. Mas no seu ouvido, bem baixinho, digo tudo. Em segredos. Filosofias de nós dois. Delírios de mim. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dos demônios e outro amor




Não sei se é porque tenho pensado muito em Cartagena, uma coisa leva a outra, penso na menina dos cabelos muito compridos, o convento de Santa Clara e inevitavelmente uma coisa não me sai da cabeça: os meus demônios. Tenho muitos, dentro de mim. Interessante é que os possuo. Não sou por eles possuída....

A ansiedade é o que considero pior. Vim com uma cota de paciência para esse mundo e a consumi toda.  Zero no estoque. Daí, sobrou a tal ansiedade, que se veste às vezes de impaciência. Tenho também raiva, tristeza e dúvida morando aqui no meu ser. Sem falar no medo. E assim, um a um, eles vão se dando as mãos e tomando corpo. Manifestam-se de tempos em tempos, fazem-me lembrar de minha natureza humana... Explodem! E eu com eles.

Procuro melhorar. Procuro fazer de minha alma um recanto doce, com o som das ondas do mar, o cheiro de mato e de terra molhada, onde habita a luz. Para espantar pra bem longe esses demônios insolentes. Mas entre procurar fazer e conseguir, vai uma distância... Por vezes sou tomada de tanta, tanta escuridão, que nem me reconheço. Mas não sinto nada de errado com isso. 

Sinto-me autêntica, humana, nem boa nem má, nem Caim nem Abel, nem luz nem treva. Ser em evolução. E me permito, alguns dias, estar de mau humor sim. Não acredito nessa alegria que todo mundo tem, nessa superior espiritualidade que todos querem transparecer. Estou farta do alto astral crônico coletivo. Essa coisa de gente boazinha que tá bem o tempo todo irrita. Será que engana alguém?

Nem só de chocolate ao leite vive a fábrica de chocolates; um meio amargo contribui muito para apurar o paladar. É o que penso. E meu paladar é apurado. E mais uma vez, termino comparando tudo a um sabor. Porque isso a vida tem de sobra: sabor variado! Só sei que de gancho em gancho emendei o assunto, e quase acabo esquecendo do amor. Veja bem: outro amor. Pois de demônios e amor antigo também estou farta. Portanto, outro amor ainda está na esfera da vontade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Momentos


Prefiro homens inteligentes a bonitos. Fato. Claro, sem exageros no quesito beleza, né? Afinal atração... bem isso é outro post. Hoje, o que quero dizer é a frase da minha amiga Mandy sobre essa minha preferência (desculpa, Mandy, eu tinha que dizer que era sua, embora você diga que é de domínio público):
"Quem fode com a inteligência é meningite!"

Bem, preferência cada um tem a sua, Mandy! 
Idéias me seduzem, um papo bacana me envolve, raciocínio ágil me encanta. Sim.
Mas estamos falando de momentos, não é mesmo?

terça-feira, 20 de março de 2012

Fim do verão


Com os dias belíssimos deste verão, senti um amor imenso... e não, não era paixão. Encontro-me ainda no que chamo de período refratário: neste instante, nada deflagrará o potencial de ação, rs. Leia-se: nenhum deus grego descido do Olimpo ou nem um homem mortal sequer que habite a face dessa Terra linda terá agora a minha atenção. Mas o amor está aqui, está no ar, no meu mar. É um amor meu por mim mesma e pela vida e que não tem pretensão de nada mesmo. Só a de viver com alegria. Seja verão, seja outono... 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Amor eterno amor


Novela bacana essa das 18h... Entra em um Brasil que o Brasil não conhece... Leva aos lares o que eu tive o prazer de conhecer: o Pará, a ilha de Marajó, as belezas de um lugar quase intocado, repleto de lendas, temperos e sabores, perfumes e águas de cheiro, ritmos e cores. O Pará é tudo isso. É um coração pulsando vida, habitado por uma gente amiga, hospitaleira, cercado da floresta mais linda e cheia de vida que vi, cujo som jamais esquecerei. Se você não sabe como é, arrume suas malas, mochila, o que for, e vá até lá para conferir. O som da floresta Amazônica é o som de muitas cigarras, todas juntas, cantando... Cicicicicicicicicicicici... Ah! Meu amor eterno amor àquela terra, àquele lugar, àquele santuário. E pensando nisso tudo, nessa saudade que bate agora, de quando explorei aquele território, sinto que a estrada está me chamando novamente... Só preciso descobrir qual destino me chama.   

quinta-feira, 15 de março de 2012

Abraço de criança



Ganhei um abraço tão forte, mas tão forte, tão gostoso e de tanta pureza, que chorei. Chorei escondida, depois de fazer de conta que estava eu mesma. Mas não, não estava eu mesma, não era eu. Fiquei desmontada. Fui tomada por uma abundância, por um excesso, um amor que não cabia em mim, que acho que o excesso entornou. Na forma de lágrimas. Uma criança afetuosa me desmonta. E eu fico criança também ao lado de uma... Derreto toda.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Escolhas que ao bem me leve





Sou livre e independente desde... desde sempre, eu creio. Minha mãe conta que aos 2 anos eu ia sozinha à casa do meu avô. Tudo bem, a cidade era pequena, todo mundo lá sabia quem eu era, e eu era filha do meu pai e da minha mãe e neta do meu avô, rs. E é minha mãe mesma quem fala também que não sabe como deixou isso. Mas penso que não era questão dela deixar ou não. Era uma questão de eu ser o que sou.

E sou assim, independente até não poder mais, e cheia de atitude. Beiro ao impulso. Sou de ir e fazer. E sem pedir permissão. É o meu perfil natural. Ousadia, independência, ansiedade, ou um pouco de tudo. Assusto. Mas quem tem medo que não saia de casa, quem não sabe brincar que não desça pro play, quem tem preguiça que fique na cama. Eu tô aí. Escolhendo meus caminhos.

terça-feira, 13 de março de 2012

A primeira voz


A segunda voz não é necessária. Que me perdoem as duplas sertanejas, que me atirem pedras os apreciadores do estilo, mas se a calarmos, não fará falta nenhuma - ó, sim, afetos e apegos, somente. Fora isso à parte, não fará falta. Penso que a voz que se ancora na primeira, e parece por ela carregada no rastro do sucesso, dá até um certo charme e um quê de estilo, que não aprecio, serei verdadeira, mas sua função me parece ser a de adornar. Adorno, sinônimo de enfeite. E enfeite é plus.
 
 
Fundamental mesmo é a primeira voz. E isso vai muito além da fronteira musical, que é mera ilustração. Se posta em silêncio, decreta o fim de um conhecimento instintivo, primitivo, metafísico, não sei definir, nem quero definir nada. Quero só dizer que essa é a voz que realmente interessa. É ela que vem de mansinho, sai direto do coração e  tantas vezes é subjugada, afogada, guilhotinada, no corte mais profundo e agressivo do silêncio imposto. Porque insistimos em submetê-la a um sem fim de análises racionais, a processos construidos.

Começa assim: a bonitinha fica ali, fala, e ninguém a ouve. E aí, ela fala outra vez, e de novo não é escutada. E um dia, de tanto falar e ser sempre ignorada, ela silencia. Cala-se a voz da intuição. E então, quando isso acontece, é como se a música silenciasse dentro de quem não tem essa voz. Silêncio, vazio, vácuo. Total ausência da propagação do som. Mordaça, percepção embotada, morte do "eu" que tudo sabe antes que a consciência processe razões e equações que façam sentido.
 
 
Acho belíssimo esse saber que não obedece à lógica. Ainda me surpreendo cada vez que essa minha primeira voz fala depressa... Quase atropelando, ela me dá uma percepção que não tem precedente e a seguir tudo se concretiza. Outro dia ela disse algo para mim. Em completo desafino, fingi que não ouvi seu conselho. Não a segui! E preciso contar quem estava certa? Quem já sabia tudo antes de tudo?  Quase num paradoxo, essa voz que não segue razão, está sempre coberta dela. Preciso deixar de ser tão racional às vezes. Abrir mais minha mente para ouvi-la.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Fora de época


Ainda estou paradinha. Não quero andar para lado nenhum. E nem quero fazer o que não tenho vontade: comemorar o meu aniversário. Não tem nada a ver com não gostar de ficar mais velha. Acredito que é a cada dia que envelheço, e não em uma data específica. E acho que melhoro a cada dia, tipo vinho, whisky, coisa e tals.  Mas é que por anos na minha vida eu fiz aniversário com meu avô. E agora não sei fazer aniversário sozinha. E o pior é que fica todo mundo cobrando... Estranhamente também morro de medo de fazer uma festa e não ir ninguém. Isso nunca aconteceu, não é nenhum trauma de uma festa passada. É só uma fantasia, que beira o pesadelo: "e se ninguém for?" Tenho um amigo, que tem um amigo, que fechou uma casa noturna na cidade para comemorar seus 40 anos: somente 6 pessoas foram à festa! Tem idéia? Imagina a frustração do cara! Bem, nem sei porque estou escrevendo sobre isso. Eu ia falar sobre outra coisa. Meu aniversário até já passou. Mas talvez eu precise exorcisar esse fantasma de dentro de mim. E quem sabe, assim, no próximo ano eu consiga reunir os amigos e a família... Ou talvez este ano ainda, em junho, só pra sair da rotina de fazer aniversário em março? 

domingo, 11 de março de 2012

O luar


A lua brilha em todo lugar.
O que temer?
Por que não arriscar?
Se a mão não a alcança aqui,
lá também não a alcançará.
Melhor é viver
e deixar-se levar.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Situs inversus parcial




Há vezes, só algumas, em que não quero entender.
Outras tantas, quero esquecer para onde vou e ficar assim, paradinha, no tempo.
Há dias, uns deles, em que não quero pedir. Nada a ninguém.
Mas gostaria de receber, sem dar passo nenhum. Ganhar um colo. Ou talvez uma carona.
Ser compreendida só porque sou eu. Sem precisar primeiro compreender.
Ando cansada esses dias. E de saco cheio das obrigações. Sim, não posso fugir delas.
E apesar da Oração de São Francisco ser linda, hoje quero-a com suas frases invertidas.
Na segunda parte, que fique claro, Ó Mestre!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pit Stop



Um convite inusitado.
Dúvida. Ponderação.
Medindo os prós e os contras.
Mas o caminho é reto.



terça-feira, 6 de março de 2012

Meu presente


Hoje, bem cedinho, antes de sair de casa, ganhei um presente muito especial. Numa caixa linda, repleta de bom humor, encontrei um cartão que dizia: "Cuidado: Frágil! Contém todas as coisas boas que você deveria viver". Olhei e pensei: estranho... já vivi tanta coisa boa... minha vida é vivida... não é sonhada... o que será que eu deveria viver?

Abri a caixa e dentro dela encontrei um balde. Olhei bem, estava vazio. Olhei de novo, estava cheio. Num passe de mágica, o balde começou a transbordar. Era um balde encantado. Tinha ali dentro uma borracha desmancha-chatices, feita para apagar tudo o que aborrece. Havia também um pincel maxi-cores-surreal, que nunca vi antes, mas cuja função é colorir tudo o que eu quiser no dia em que a vida estiver meio sem cor, meio sem graça, meio blasè. Um outro item curioso era um balão, para transportar minha cabeça para as nuvens sempre que os pés estivessem muito presos ao chão.

Tinha um modelinho ainda não inventado das havaianas, que eu amei, e um vestido sensacional do Elie Saab - meu atual "objeto" de desejo -  junto com um convite para a festa do Oscar 2013... Enlouqueci!!!! Será que vou vestida de namorada do George Clooney???? Hahahaha, afinal, isso é coisa que ainda não vivi, hahaha... Que delicinha de presente, um balde cheio para a minha imaginação...

Tinha também um amor... o amor... o amor que se ama antes, durante e após o fim da paixão, porque esse amor aí eu não vivi ainda. Sempre amei muito, sabe? Mas sempre com a paixão acoplada. Fim da paixão, bluft, naufrágio do "amor". O amor que dizem ser o tal, que se ama quando finda todo o desespero que se conhece como próprio das paixões, esse aí, tava no baldinho. Até achei estranho, porque desse amor aí eu ando meio desacreditada, mas bem, estava lá. Talvez um convite a voltar a sonhar, já que, não é possível realizar o que não se sonha.
 
 
Estavam lá também todas as viagens que eu quero fazer e ainda não con$egui, com uma dose generosa de tempo para poder viajá-las todas. E o balde... Ah, ele era lindo, o danadinho. E estranhamente, não tinha fim. Olhando por fora, parecia pequeno, quase raso. Olhando-o por dentro, e colocando-lhe o braço para tirar os muitos presentinhos, nunca que alcançava-lhe o fundo. Era feito de um plástico muito simples, mas um tipo de plástico ecológico, que se desintegra em 24 horas quando em contato com a tristeza de um lixão.
 
 
E estava eu assim, repleta de fantasias, quando então, trrrriiiiimmmmmmmm... tocou o despertador e tudo desapareceu, caixa, balde, presentinhos... Eu dormia e sonhava um sonho tão bom... E depois disso tudo, pensei que a medida de se viver as coisas boas é a medida do infinito: sempre há espaço para elas, mas nunca é o suficiente tê-las vivido, porque alcançar a satisfação não é próprio da arte de ser humano.

Quero gritar ao mundo que desejo viver tudo, todas as coisas boas, no agora, com a medida do infinito, sem falsas promessas, sem auto-enganação, assumindo a parte humana que me é própria. Minha imperfeição me torna sã, aceito criar expectativas e não ser elevada espiritualmente, permito-me pedir colo apesar de toda minha força. Quando se é de carne e osso, tudo isso é possível e mais um tanto que nem cabe aqui. E quando se é assim, ao tocar do despertador e descobrir-se sonhando demais, tudo o que se tem a fazer é correr para o banho porque o dia já vai alto e não espera. Eis o agora.

sábado, 3 de março de 2012

Sobre pérolas e amizades




É hora de encerrar a série. Eu teria muitas outras frases para postar, mas resolvi que ainda não é o momento. Quem sabe numa nova temporada - e aí já teremos um seriado? Rs! Hoje tenho vontade de dizer apenas que tenho amigos incríveis. Verdadeiras preciosidades. Amo-os todos. Com o kit completo que eles têm, incluindo a impetuosidade, volatilidade, manias, caduquices, tolices, birras, limitações. São o que são e gosto deles porque são o que são.

Uma dose a menos de qualquer coisa e já não seriam eles próprios, seriam outros. E então, sendo outros, não são os amigos que amo. Não aceito seus defeitos. Não tolero suas lerdezas. Não engulo suas impaciências. Gosto. Gosto dos defeitos, das lerdezas, das impaciências. Quem aceita, faz barganha. Quem tolera, se aprisiona. Quem engole, não degusta. Gosto deles e curto sorver suas loucuras. Amizade é amor. E o amor, já disse alguém, liberta!

Um viva à liberdade, ao amor, à amizade, às perolas e ostras, às preciosidades que cada ser humano contém em si. Porque se sua consciência pode ser um cão, que seja forte, dócil e seu amigo. Se for para você mergulhar sexualmente em alguém, que seja bom o bastante para você sentir que há frases que são apenas engraçadas. E se houver em você alguma dúvida sobre o seu teor de bem e mal, que você seja logo um absintho, com teor de bem oscilando em  70%. E que você não pare nas horas e nem deixe o tempo te levar. E pertencendo ao modelo dos obsoletos ou não, o que todo mundo quer é ser amado. Faça da sua estória uma mina de pedras preciosas, uma joalheria muito chique se esse for seu estilo ou então mergulhe... há ostras e pérolas que não estão em cativeiro! 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Meus amigos ostras e suas pérolas - D5


Paquera rolando e nada do mocinho agir, só olhando, olhando...
Então, minha amiga lança essa que é a pérola da sexta-feira:

"Homem é mesmo um modelo obsoleto de ser humano!"

Mas cá pra nós, adoro esse modelo!!! 
E adoro mais ainda quando vem dotado de atitude!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Meus amigos ostras e suas pérolas - D4


Essa é porque sinto que todos somos prisioneiros do tempo.
Na primeira vez que ouvi, pensei nisso à beça!
Frase simples, quase tola, e eu ali, pensando... Sou assim. Penso até quando não se deve, rs.

"E a hora não passa e o tempo não para..."