segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

De cacarecos e afins


Adoro essa modinha de coisas penduricadas aos montes nas paredes de estabelecimentos comerciais. Seja em São Paulo, no Rio, e mesmo em Montevidéo, onde estive por último. Na capital uruguaia também me deparei com um bar super legalzinho e repleto de coisitchas cacarecadas. Foi lá que fiz a foto que incrementa o post nada original de hoje. Mas não estou mesmo preocupada em ser original, ou legal, ou divertida, ou seja lá o que for. Só quero falar o que der vontade. E hoje, desejo comentar sobre as paredes com cacarecos, que, resumindo, acho mesmo o máximo, do ponto de vista denotativo! Passa para mim uma idéia de retorno ao tempo, de viagem de fácil embarque, lembranças expostas aos pedaços.

Porém, na contramão óbvia, tudo isso me remete ao mesmo tempo às coisas antigas que penduramos nas paredes. Nada é só o que parece, eu acho. Sou levada a refletir sobre as nossas paredes emocionais... Imagina, uma paredinha abarrotada de apetrechos antiguinhos... E que fazem somente ocupar espaço, extrair vida, trazer peso, com mera função de acúmulo de poeira, atraindo mofo. E principalmente, não permitem que o novo se instale. Cruzes, nem gosto de imaginar!
 
 
É sabido que existe uma tal lei do vácuo. Não lembro onde li isso. Alguns sabem. Leio muita coisa científica e muita bobagem também. Acho que numa linha imaginária, com esses dois extremos - o científico e a bobagem -  a lei do vácuo está mais próxima à segunda, sem querer desmerecer nada. E se estou falando abobrinha, pessoas se enganam, eu também, que me perdoem - e até que falar abobrinhas é bem divertido. Mas voltando à lei do vácuo, bobagem ou não, fato é que quero falar disso, não há como entrar nada novo se o antigo está lá, grudado em você. Desapega logo! Sai rápido, porque a cinética da vida quer te apresentar um mundo novo. Deixa ser!
 
 
Se montes de quadros em forma de mágoas não lhe desgrudam das paredes do seu coração afetivo, faça logo uma faxina, doe tudo, chore lágrimas à beça. O mundo está infestado de gente cheia de cacarecos e que puxa quinquilharias feito um burrico de carga. Não é preciso de peso para ser feliz. Precisamos de intensidade. Essa sim! Acrescenta, encorpa, solidifica uma existência. Intensidade de experiências. Mas desprendimento delas, por favor. Acabou, acabou. Curtiu enquanto durou? Ótimo. Se não, vê se não perde o time da próxima vez.

Que nossas experiências nos decorem as lembranças, que valsem ao nosso redor em momentos de êxtase e de dor, inclusive. Não sou a favor de uma vida monótona. Aquela mesma nota de alegria diária leva ao tédio. A dor é sim necessária. E também a raiva, o medo, a tristeza. É preciso pisar todos esses solos, comer de todos esses sabores, ouvir de todas essas notas. Quero dizer, não sei se é preciso para você. Mas para mim é. Não estou aqui ensinando ninguém a viver. Mas o meu jeito é esse. Eu não vim nesse mundo para trilhar o caminho da vida perfeita. A imperfeição me atrai. A diferença me atrai. O outro me atrai. Sou assim, curiosa. Quero ir lá e ver. Embora eu saiba muito bem o que quero viver, o que quero para mim, o que vai bem na minha parede, o que preenche o espaço em branco que nela existe, não quero ser poupada de nada.
 
 
Na minha vida, paredes que se despem de coisas velhas. Não tenho tempo nem espaço para lixo emocional. Quero a luz, o bom, o belo. Ares de limpeza em tudo, com aquela fragrância de lavanda perfumando o ar, cheiro de casa limpinha. Sem poeiras. Nada esquecido em nenhum recanto. E tudo é comemoração. Bem, quase tudo. Há dias em que estou insuportável, mas deixemos de lado minhas imperfeições, porque não quero exaltá-las. De volta às paredes repletas de quinquilharias, quando olho fotos como essas, penso: muito cool essa decô do barzinho, mas de fato tudo está onde devia estar nas paredes recém-pintadas do meu apartamento e da minha vida.


Paredes alheias cheias de quinquilharias? Um clic. Tire a foto. E cuidado onde pisa!

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