domingo, 29 de janeiro de 2012

Uma foto e nada mais




Era pra ser só uma foto. Mas deu vontade de escrever. E quero escrever sobre minha paixão pela fotografia, meu amor aos ângulos, minha atração pelos muitos pontos de vista que se pode ter a respeito de qualquer coisa. O que inclusive já transcende a fotografia, mas não quero agora perder o foco e abrir parênteses sobre a diversidade de opiniões. Fotografia, eis o foco. Nunca é só um ângulo captado. É também um olhar que se insinua sobre o objeto, que o sonda e o transforma numa imagem.Que pode surpreender, emocionar, ser comum. O que importa é que sempre diz. E de diversas formas a cada um de nós.

Essa foto aí de cima é minha. Aliás, essas fotos. São todas do templo de Diana, em Évora. Era amor antigo. Das aulas de história, saltou dos livros e estava diante de mim. E não veio de repente. Fui de mansinho, pela cidade, a passear, no bom português de Portugal, repleto de infinitivos. E infinitivamente, a outros locais fui visitar primeiro. Entradas bem servidas. Na catedral, fui ao telhado e de lá, minha primeira contemplação daquele belo que tanto me fascinava. Retina satisfeita, córtex occipital em festa, todo o circuito visual aos pulos e gritos de alegria. Desci do telhado, gata com olhos brilhantes, certa do destino a seguir.


E de repente, era real. De repente, aí sim, o prato principal. Ele e eu, frente a frente. Sentei. Emoção, êxtase. Levantei, comprei um cartão postal, que nem sei se tem ou não hífen, mas comprei. Escrevi para o meu professor de história. Tomei café. Ali, olhando para ele, templo divino e maravilhoso de um mundo muito-mais-que-antigo, permaneci um tempo indefinido. Perdi a noção das horas, dos minutos. Um instante atemporal, eu acho.  Enfim, tive pernas para ir lá, pertinho. Circundei toda a ruína. Toquei nela. Ecos. Tirei rápido as mãos. Respirei fundo. Toquei de novo. Ecos, força, dor, medo, lutas, alegrias, tempo, gente, flash. Passou tudo na velocidade de um raio, a cortar minhas impressões e impregnar-me de imagens. Fantasias da minha cabeça, loucuras de mim mesma, tolices de gente que sente demais, mas aquilo era muita história para assimilar.


Novo círculo ao redor do templo. Câmera na mão. Ângulos, maneiras de ver, mil formas a se desenhar diante de mim. Diana falava comigo. Assumia formas para que eu a registrasse. Curvei-me a ela. Obedeci. Prestei-lhe o devido culto. Que agora publico. Essas fotos ficaram guardadas todo esse tempo. São 10 anos, eu acho. E resolvi que era hora de compartilhá-las. Gosto muito de todas essas fotos. Coloquei todas juntinhas e está aí. Culto devidamente prestado à mãe de todas as caçadoras, mulheres fortes que vão à luta. Agora sim, posso dizer, nada mais! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita!
Responderei ao seu comentário em seu respectivo blog.
Até mais!