terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Azedinho-doce da vida




Suspiros de uma vida doce... Não doce tipo "dulce de leche", mas "torta de limão" mesmo, saca? Porque nem mesmo o que é doce é bom se não provarmos o azedinho, o agridoce, o amargo, o salgado... Bem, nem sei o porquê, mas tava aqui pensando sobre isso. Aliás, suspirando. E pensando que, apesar de ter que acordar cediiiiiiinho amanhã, minha tortinha de limão tá muito boa!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Uma foto e nada mais




Era pra ser só uma foto. Mas deu vontade de escrever. E quero escrever sobre minha paixão pela fotografia, meu amor aos ângulos, minha atração pelos muitos pontos de vista que se pode ter a respeito de qualquer coisa. O que inclusive já transcende a fotografia, mas não quero agora perder o foco e abrir parênteses sobre a diversidade de opiniões. Fotografia, eis o foco. Nunca é só um ângulo captado. É também um olhar que se insinua sobre o objeto, que o sonda e o transforma numa imagem.Que pode surpreender, emocionar, ser comum. O que importa é que sempre diz. E de diversas formas a cada um de nós.

Essa foto aí de cima é minha. Aliás, essas fotos. São todas do templo de Diana, em Évora. Era amor antigo. Das aulas de história, saltou dos livros e estava diante de mim. E não veio de repente. Fui de mansinho, pela cidade, a passear, no bom português de Portugal, repleto de infinitivos. E infinitivamente, a outros locais fui visitar primeiro. Entradas bem servidas. Na catedral, fui ao telhado e de lá, minha primeira contemplação daquele belo que tanto me fascinava. Retina satisfeita, córtex occipital em festa, todo o circuito visual aos pulos e gritos de alegria. Desci do telhado, gata com olhos brilhantes, certa do destino a seguir.


E de repente, era real. De repente, aí sim, o prato principal. Ele e eu, frente a frente. Sentei. Emoção, êxtase. Levantei, comprei um cartão postal, que nem sei se tem ou não hífen, mas comprei. Escrevi para o meu professor de história. Tomei café. Ali, olhando para ele, templo divino e maravilhoso de um mundo muito-mais-que-antigo, permaneci um tempo indefinido. Perdi a noção das horas, dos minutos. Um instante atemporal, eu acho.  Enfim, tive pernas para ir lá, pertinho. Circundei toda a ruína. Toquei nela. Ecos. Tirei rápido as mãos. Respirei fundo. Toquei de novo. Ecos, força, dor, medo, lutas, alegrias, tempo, gente, flash. Passou tudo na velocidade de um raio, a cortar minhas impressões e impregnar-me de imagens. Fantasias da minha cabeça, loucuras de mim mesma, tolices de gente que sente demais, mas aquilo era muita história para assimilar.


Novo círculo ao redor do templo. Câmera na mão. Ângulos, maneiras de ver, mil formas a se desenhar diante de mim. Diana falava comigo. Assumia formas para que eu a registrasse. Curvei-me a ela. Obedeci. Prestei-lhe o devido culto. Que agora publico. Essas fotos ficaram guardadas todo esse tempo. São 10 anos, eu acho. E resolvi que era hora de compartilhá-las. Gosto muito de todas essas fotos. Coloquei todas juntinhas e está aí. Culto devidamente prestado à mãe de todas as caçadoras, mulheres fortes que vão à luta. Agora sim, posso dizer, nada mais! 

sábado, 28 de janeiro de 2012

O vazio





O vazio
que preenche a minha alma
de frio
é como um rio
sem mar para encontrar:
tem começo e não tem fim
não acaba dentro de mim
intangível
sem barcos a lhe navegar.


(esse poema é parte de uma tríade - ou seria trilogia? qq que seja o nome correto, você pode encontrar o outro aqui)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cinema com batom



Adoro um bom papo. Minha mãe sempre diz que por mim, se o mundo acabar em conversa, está tudo certo. E está mesmo. Troco quase tudo por um dedo de prosa desses que lavam  e levitam a alma. Quase tudo porque nunca pensei no tema, de maneira que não posso afirmar com verdade, pois não sei se tudo é coisa demais ou se tudo é suficiente mesmo. O "tudo" à parte, fato é que adoro puxar uma conversa, desde muito pequena. Ainda não abandonei esse estranho hábito, que me provoca um prazer incrível: o de conhecer outra pessoa e interagir com seu modo único de processar vivências.

Assim, outro dia fui ao cinema. Bem, fui esta semana mesmo, mas o que vou contar aqui já deve ter uns 6 meses, ou mais, ou menos, sei lá. Um tempinho. Um tempão. Tanto faz. Fui ver um filme coreano que me chamou a atenção pelo nome: Poesia. Super bem falado, cult até não poder mais. Vesti-me toda despojadinha, cineminha de circuito bacaninha, tarde linda, lá fui eu.

Pipoca na entrada. Assim que o filme iniciou, achei meio lento. Passados 10 minutos, pensei que daí a pouco ia melhorar. Com 20 minutos, nada de eu achar o filme interessante. Aos 30, eu olhava o relógio sem parar, preocupada, pensando em quanto tempo faltava para o fim. Quando passou a primeira hora, já tinha na cabeça um novo título para o filme: "E a esperança vai para o ralo...". Mas essa mesma bendita esperança, lá do fundinho da caixa de Pandora, sorria indecentemente pra mim e pedia uma chance... fazia rodar na minha mente o desejo de que tudo iria melhorar na segunda metade. Aliás, era ali que estava a surpresa. Tudo aconteceria quando ninguém mais esperasse nada do filme. Era isso!

Para resumir: o filme acabou e eu esperando que 'Poesia' acontecesse na tela. Não aconteceu na tela nem em mim. Ah, sim, eu entendi o filme, claro! Mas não gostei. Com todas as letras, com til e ponto final. Porque nem ponto de exclamação merecia. Simplesmente um não gostei seco. E tudo poderia ter terminado assim. Com um levantar da poltrona e um café gostosinho, porque preciso alimentar meu vício, posto que, sendo humana, também tenho um, e confesso ser esta bebida divina, com um aroma que me soa a perfume mesmo. Mas deixemos de lado o café, que falo dele outro dia. Ia à cafeteria. Era neste ponto em que estava. Mas resolvi antes, ir ao banheiro.

E aí entra a minha mania de puxar conversa. Banheiro cheio, um monte de mulheres egressas daquele que considerava o pior filme dos últimos tempos, precisei saber se alguém tinha gostado. E eu estava certa de que, se houvesse alguém, seria talvez uma, no máximo duas pessoas. Lancei a pergunta à primeira que me pareceu vítima fácil, já que ninguém ali estava com cara de que queria conversa. Peguei a mulher desprevenida, talvez louca para que se desocupasse algum sanitário. Mas em menos de um segundo, inverti com ela o papel, pois a tal foi socorrida por todas as outras, que amaram o filme. E com uma ênfase que jamais entenderei, com um calor e análise crítica que eu precisaria de mais umas cinco outras vidas para assimilar.

Definitivamente não acredito até agora que tenham gostado. Sabe aquele tipo de gente chata, metida a gostar de tudo porque alguém disse que se tinha que gostar do filme? Só podia ser isso! E desataram a fazer seus relatórios, melhor, resenhas: excelente por isso, sensacional por aquilo outro, maravilhoso por tal motivo, singular em tal aspecto, e milhões de etecéteras de gente mega entendida. Não acreditei! Agora sim, com exclamação! Eu devia estar no banheiro com várias críticas de cinema, pensei! E me ferrei, ria por dentro. 

Quanto a mim, na verdade, achei a atuação da atriz sensacional. Fora isso, senti uma fadiga muscular enorme, que me desafiou o filme inteiro a continuar ali sentada até o final. Venci o desafio. Mas pela primeira vez uma poesia não me causou emoção. Só fadiga! E, quase desconcertada no banheiro, tudo culpa desse jeito de gostar de um papinho, disse apenas que não gostei, que não me causou emoção. Afinal, só a emoção me interessa. Nada mais. Retoquei então o meu batom. Sorri para mim mesma no espelho. Vi que lá dentro, em mim, existe autenticidade. E lá fui eu. Rumo à cafeteria e certa de que, poesia mesmo, é a vida inteira. O resto é papo. Ou, nem sempre, como se vê. 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Quando não sei o que fazer...

A verdade pura e simples é que travei. E quando não sei o que fazer, não faço nada. Não sei o que escrever, tolhida que estou pela possibilidade de alcance dos meus pensamentos. Escrevia como se fosse para mim somente. Mas estou sendo lida. Não que eu não goste, é claro que gosto! Acho incrível! Mas de repente, não sei o que escrever.

Estou me habituando ao fato de isso ser um blog e só um blog e que isso é coisa pra caramba ao mesmo tempo. Saber que minha página foi aberta na Alemanha 6x, no Reino Unido 5 e 1 nos Estados Unidos me fez pensar na dimensão das distâncias hoje, em quanto são curtas e que muitas vezes estamos próximos no coração de alguém que fisicamente não está ao nosso lado. Mil coisas ando pensando. Pensando, sentindo e absorvendo. E quando tudo isso começar a tomar corpo em letras, palavras e frases, volto aqui pra registrar. Tenho fotos que quero compartilhar também. Mas ontem, hoje, especificamente nesse meu agora, não sei o que fazer. Isso é raro. E percebo nisso uma intensidade, uma nuance tão incomum de mim mesma, que queo estar comigo nesses dias de "fazer nada por não saber como agir diante da inusitada situação de me perceber lida por quem nem sei que me lê".

Não é excesso de importância. É surpresa. Boa e com medinho. Que quero curtir bastante até que as palavras voltem a formar frases sozinhas sem que eu precise fazer força. Até lá, que pode ser amanhã, acho que não demora, ficarei aqui, dentro de mim mesma. Quieta. Em silêncio. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sabedoria de Criança


Menino mora pertinho do vô em seus primeiros anos de vida. Criado ali na casa açucarada, enquanto o papai e a mamãe trabalhavam, os dois são um grude só. Até que papai e mamãe resolvem mudar-se. Vão morar na cidade em que vive o outro vô e levar menino com eles. O vô daqui fica triste, o menino, com seus 4 anos, fica triste, é tudo uma tristeza sem fim...

Aí, meses depois, a tão esperada visita, tempo de férias de menino no colégio! O vô, com sua saudade a lhe apertar o peito e ansioso pela resposta que lhe aliviaria a dor da próxima separação, desejando sempre ser o preferido de seu menino, pergunta:

_João, de onde você gosta mais: de Salvador ou de Campinas?

Ao que, o menino respondeu:

_Se estou em Salvador, prefiro Salvador. Se estou em Campinas, prefiro Campinas.

Quem vai dizer que criança não tem sabedoria? ;-)

E para que todos saibam, o vô aí de cima já leu o meu blog! Beijo, meu amigo! Tive que contar esse seu "causo". Acho sensacional!!!


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Lenda ao Reverso






Reza a lenda, que o sol e a lua amavam-se muito. Um amor nunca antes visto. Entretanto, uma ironia do destino não permitia que eles ficassem juntos. Amor impossível, tema lugar-comum de folhetim novelístico. Mas aqui, recheado de encantos folclóricos, uma lenda nossa, acho que indígena, que não sei bem contar com pormenores. Neste amor impossível, o sol, quando se aproximava da lua - e o amor deseja ardentemente a proximidade - a queimava com seu calor. Queria a vida qe os dois se separassem, lua não podia ficar com sol. E como se amavam... Contudo, a solução encontrada foi o sol ficar com o dia, a lua com a noite; quando um estava no céu, o outro não. E dessa separação, lágrimas sem fim foram choradas por ela, mocinha romântica sem final feliz. E chorou tanto, tanto, tanto, lágrimas em tamanha abundância, que fez nascer o Rio Amazonas. Bonito, né? Foi pensando nisso, que escrevi Lenda ao Reverso, há tanto tempo atrás que nem ouso dizer quanto, afinal, é suficiente saberem que habito este planeta de longa data, rs.

Lenda ao Reverso

Sol
moreno
ardente
me queima
e surpreende
ao menos com teu breve encontro
porque já não posso
viver com você.
Pois sou lua
branca
apaixonada
nua
na noite fria
sua
e ainda que eu derreta toda
quero ter você.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Mar da Cris




O mundo obedece a uma lógica. E de maneira lógica, não entendo o mundo. Ele é de um raciocínio muito mais avançado do que posso imaginar. Já desisti de alcançar. Vou ali, no meu passinho, nível básico-intermediário mesmo... E nesse padrão, vou seguir o post de hoje na busca de uma sequência lógica, que nem sei se é necessária, mas que me dá a idéia de que tudo segue seu curso em ordem.

Assim sendo, vou falar do meu mar antes que o blog já comece e termine com um único post. De repente, fiquei sem saber o que falar e  resolvi falar do Mar da Cris, um mar imenso, de águas límpidas e repleto de cardumes ainda não-catalogados por oceanógrafos nem biólogos.

No Mar da Cris, tenho todos os peixes em mim e ao mesmo tempo não sou nenhum peixe. Queria muito ser sereia, mas sabe como é, aquele cabelão todo, aquela voz sensual, aquele papinho mole que enrola... Definitivamente não sou sereia, não, rs, e que pena! Mas existo nesse mar porque ele sou eu. Quase Deusa mitológica...

Os sentimentos são o próprio mar. Sentimentos bons, puros, mar calmo. Sentimentos nem tão puros, mar revolto, ressaca... Um mar de emoções, onde é possível navegar, mergulhar, encontrar-se e perder-se em devaneios, compartilhando aventuras. Meu mundo real é tão concreto que criei esse mar ilusório. Com elementos telúricos a lhe decorar, pois também não é um mar onírico. É real sem ser. Pois sou eu.

Eu poderia dizer que sou um ser humano incompreendido, diferente de todo mundo, blá-blá-blá. Não vou dizer isso não. Loucura todo mundo tem, cada um a sua. A diferença é como cada um lida com isso. Eu sou louca por dentro. Como você também deve achar que é. O que difere a minha piração da sua é só... que a minha é minha. Não é especial. Mas é única. Como todos somos. 

Se todo meu sentimento se transmutasse em água, seria um mar. Esse é um dos pensamentos da minha piração. E dada a diversidade e intensidade, seria um mar repleto de vida. E se parte de mim vive voando feito balão - às vezes, parte de mim voa !-, os pés estão no chão. Sempre. E são pés sensíveis. Ao extremo. Isso dá um trabalho... Por isso, prefiro calçados confortáveis, a bonitos.


Assim sou eu. Assim meu mar. Para nele navegar, apenas leveza. E uma cabeça com sonhos, um coração com emoção, uma cabeça que saiba ser amiga da razão, vontade de ser feliz. Amizade começa assim. O Mar da Cris é cheio de emoções, reflexões e ações para serem compartilhadas. Aliás, gosto muito desse verbo. Pode navegar!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os Manuscritos do Mar da Cris - A Origem



O começo pode ser complicado. Mas vou tentar simplificar: tenho muito sentimento em mim. E por vezes, isso transborda e me deixa inquieta. Dessa inquietude que me invade, do fundo das cavernas de emoções silenciosas e profundas do meu mar,  nascem textos e poesias, fragmentos de mim. Os meus manuscritos. Que são mesmo escritos à mão. Ainda não aprendi a transpor o meu sentir diretamente para a tela. Meus sentimentos tornam-se então pensamentos "papeficados".

Sou dada a neologismos. Aprendi essa palavra com o poema de Manuel Bandeira que recitei quando criança no colégio. De lá pra cá, não parei mais de inventar palavras. Mas ao contrário do poeta, gosto de beijo e muito beijo, diga-se de passagem. E falo tanto quanto beijo. Incongruências entre mim e o Bandeira, rs.

À parte os neologismos, tentei de várias formas canalizar essa minha inquietude. Fui fazer parte de um grupo de teatro e achei chato. Música eu só sei ouvir, não tenho o dom. Queria mesmo era ser back vocal de uma banda, mas também não tenho voz. Gosto de dançar, mas não era isso ainda. Tentei pintura, porém, só sei colorir desenho. E assim, por falta de opção mesmo, o jeito foi canalizar meu processo criativo na escrita. O que interessa é que o meu transbordamento emocional adquira uma forma sólida. E para isso, meu português, que ainda não assimilou as novas regras ortográficas, servirá.

Escrevo poesias desde criança. Ganhei um concurso aos 10 anos. E isso é suficiente para estimular uma criança a continuar escrevendo. A criança cresce, torna-se uma mulher e resolve então postar tudo num blog. E isso é o começo.

Aos que navegarem pelos manuscritos do meu mar, devidamente digitados e aqui denominados "digitoescritos", rs, espero que gostem. Estou feliz por vencer o receio do blog. Sinto-me exposta, desnuda, em carne crua. E que essa minha nudez emocional seja também a sua satisfação na leitura. Algo me diz que vou gostar bastante dessa brincadeira.