segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O viver


E recebo de braços - e coração e mente - abertos, o frescor da manhã que traz consigo a surpresa de um dia inteiro que virá. E renovo dentro de mim - e fora também - as esperanças de que tudo acontece para o meu bem, o seu, o de todos nós, amém. Até quando não acontece nada. E isso eu acho chato pra caramba, o nada - e que esse nada seja lido entre parênteses. Respiro. Fundo. O Espírito Natalino está no ar. Exalo sonhos que nem sei como realizar.

Mas algo move-se. E indiferente a esse movimento, movo-me também. Do meu jeito, sem tropismo pelas metades, com atração pela imperfeição. Gosto do inteiro, sem me importar com as cicatrizes e marcas que  esse mesmo inteiro carrega. É vida vivida. E assim, feito semente que germina, mulher que foi menina, estou repleta de páginas escritas e tantas outras por escrever. Vida que se vive na realidade, alma inquieta e ávida por estórias. Como numa canção de roda, com sabor de infância, depositar a voz da vez. Um crescer amanhecido em cada dia, pausado a cada noite, para embalar em sonhos as promessas do depois. Brincar. Cantarolar. A cada passo preencher o espaço vazio que traz a ruga na face. Expressão de quem se expressa, de quem se entrega, de quem se lança. No relance que é o olhar. E um olhar de quem vê o sol brilhando em cada possibilidade. Porque no fim, é só isso: tudo é possibilidade.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Lado Escuro da Lua


Apague a luz ao terminar de ler.
Rasgue-se todo depois de me ter.
Entorne tudo ao fim de ser
Você.

Porque só assim,
Sendo até transbordar,
É que se atravessa
O tempo-espaço
Rápido
E contido
No ciclo de pulsar
o sangue
o amor
o furor
Da célula que sabe
A curva que vem
Ao final da reta.

Agora apague a luz.

domingo, 9 de dezembro de 2012

2000 Acessos!


Escrevo porque gosto, porque preciso, porque me dá prazer. E prazer compartilhado é melhor ainda! Obrigada aos que passaram por aqui e fizeram com que esse blog chegasse a 2000 acessos! Feliz por isso.

Feliz e seguindo em frente. Muito caminho por vir, coisas novas para aprender, uma estrada longa que se abre. Curiosa. Atenta. E sem pressa. Com coragem, rindo e colhendo as flores - e frutos - à beira do rumo que traço, sem pensar, a cada passo. Naturalidade. Leveza. Sutileza. Mas com uma leoa por dentro. Camaleoa. E que esses acessos transformem-se em felizes momentos compartilhados com todos os que por aqui trilham suas vias. Internética aproximação. Cibernética navegação. Amizades que fluem na rede da conexão. Obrigada e beijos! Feliz!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Montei a minha Árvore

                                                                                           Minha Árvore de Natal

Diz a tradição que a Árvore de Natal deve ser montada um mês antes do Natal e desmontada em 06 de janeiro, Dia de Reis. Assim me ensinou minha mãe. Assim eu faço. Pelo puro prazer de manter viva uma tradição. Portanto, ontem me dediquei a isso: montar minha árvore. 

Abrindo cada raminho, e ano passado comprei uma árvore bem repolhuda, abri muitos raminhos. Devo confessar que estava meio sem paciência, é verdade. Fiz o encaixe da base com cuidado. Encaixei a parte de cima. Era a vez de distribuir as bolas. Não as tenho iguais, não. Tenho em cor vermelha, dourada e verde. Tentei salpicar para ficar com uma jeito harmônico. É difícil intercalar as cores e tipos tão diferentes de bolas e fazer ficar bonito. Mas pensei que é mais ou menos assim na vida... conviver e saber lidar com as diferenças e ainda assim, fazer a vida ser bonita.

Depois, comecei a distribuir os enfeites maiores. Tenho duas estrelas lindas... Coloquei-as na árvore como quem deposita ali um tesouro. Depois, foi a vez do passarinho. Adoro passarinhos. Livres. Portanto, não os tenho em casa, em gaiolas ou viveiros. Tenho plantas. Que atraem os passarinhos até minha varanda. Então, muito natural que em minha árvore de natal, um passarinho esteja ali, a enfeitá-la. É como se eu dissesse que não é possível viver sem liberdade...

Era a vez de pendurar então aqueles penduricalhos todos. Muitos. Pequenos, médios e grandes. Anjinhos, papai-noel, boneco de neve, pirulito, soldadinho da fábrica de papai noel, um monte de personagens. A maioria deles com cara de chinês, pois foram comprados numa época em que as lojas americanas se abarrotavam de enfeites de madeira 'madeinchina'. Eram enfeites da mamãe. Mas ela cansou deles e perguntou se eu queria pra mim. Queria. Quero. E então, era o momento de dar a eles seu mês de glória, pois para isso, e só para isso, eles existem.

Junto com cada um deles, depositei minha esperança em dias melhores. Uma prece surgiu naquele instante, enquanto eu montava a Árvore. Que nossos sonhos se tornem reais. Mas antes, que tenhamos sonhos. Que tenhamos saúde para batalhar por eles. Que tenhamos alegria na dificuldade. Que a tristeza não ache a nossa casa no ano vindouro. E, se achar, que seja comedida e faça uma visitinha bem rápida. Que nosso trabalho seja motivador. Que eu possa levar paz a quem estiver aflito. Que o gato interessante se interesse por mim quando eu me interessar por ele. Que a reciprocidade no amor deixe de ser um poema. Que as trilhas da vida sejam como as trilhas da mata: dotadas de êxtase ao fim. E que os amigos, a família, os livros e a boa música sejam os companheiros da jornada. 

E depois disso, coloquei a estrela e circulei a árvore com um cordão de sinos. Que é para todos eles tocarem e os anjos em uníssono dizerem: _Amém! Sim, eu montei minha árvore. Como manda a tradição, mas com um toque meu. Com pura emoção. Com uma prece de desejos. E que sejamos felizes com esses rituais de acolhimento. Definitivamente, sinto como se todo o sentimento do mundo, toda a paz que nele habita, toda a delicadeza do universo e toda sua força selvagem, fizessem moradia aqui, na minha árvore. Ela é um gigante de simbolismos. E que esses símbolos todos sejam meu agradecimento. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Sobre andar a pé e ter ilusões - Um caminho nada pequeno de porções


Gosto de andar a pé. É bom para observar coisas e ouvir sons que são imperceptíveis de outra forma. Na verdade, gosto de andar. De bicicleta, carro, moto, tanto faz. Ah, moto é uma delícia!!! Aquela sensação de liberdade, da bicicleta, multiplicada... Pensando bem, de avião, barco, também. É isso: andar é o lema, não importa qual seja o meio. Pode ser o lema, mas não é o tema. Ou, antes, não era. Se eu continuar me estendendo no assunto, passará a ser. Então, antes que o seja, continuemos...

Ah, sim! Andar. Hoje, eu andava, a pé, quando ouvi a música que vinha de um carro... ouvi a música e tive um clique... e daí pensei: 'tenho que escrever sobre isso'. Fiz o resto do meu caminho cantando baixinho e pensando na frase que deu o clique: "pequenas porções de ilusão". Sempre gostei dessa música. Mas as tais 'pequenas porções de ilusão', antes, nunca me soaram assim, em negrito, itálico e tudo maiúsculo, como dessa vez. Ficou ecoando, sabe como? Daquele jeito que faz pensar em um monte de outras coisas, um nexo emenda no outro e o pensamento final não tem nada aparentemente lógico com o início. Entendeu? Explico. Embora deteste explicar, vou me dar ao trabalho.

Sou danada para fazer isso. Penso que A=B, p.ex. Daí, associo que B+C=D, D-E=F, que parece com G e cheguei em G só porque pensei em A. Entendeu a confusão? E por causa disso, estou escrevendo esse monte de explicações. Não sei se interessa a alguém saber como funciona meu raciocínio, mas é meio que assim, desse jeito, um jeito que não sei se é igual ao seu e ao dos outros, pois nunca tinha parado pra pensar a respeito e então nunca perguntei a nenhuma pessoa como é que ela raciocina. Afinal, devo estar desocupada para pensar tamanha esquisitice. Com tanta coisa melhor pra pensar, você deve estar pensando. O fato é que aquelas pequenas porções geraram um monte de conexões filosóficas.

Pequenas porções de ilusão... A primeira coisa que pensei foi: pequenas porções não satisfazem a ninguém. Uma frase despretensiosa, profunda e super no duplo sentido. Adoro frases no duplo sentido. Do que Cazuza falava? Pequenas porções que te drogam e te desconectam da dolorida realidade? Ou pequenas porções que te fazem viver? Aassim como a água é essencial ao corpo, pequenas porções de ilusão são a água da alma? Era isso? E quantas pequenas porções de outras coisas nos são ofertadas diariamente, como petisco, como aperitivo, como entrada, como complemento, como acessório... E o quanto essas mesmas pequenas porções, de ilusão, alimentam outras porções de outras coisas? São microdoses tipo doses homeopáticas ou são doses para sustentar o vício de viver alheio ao real?

Não vou nunca saber qual a intenção dele com 'pequenas porções de ilusão'. Coisas da arte de permitir a interpretação dupla. Talvez seja possível que existam as duas possibilidades, a porção em pequena quantidade feito droga e a porção reduzida pelo que é essencial à vida e necessário em dose pequena. E cada um escolhe qual o jeito que vai utilizar sua pequena porção. A minha, eu quero fracionada. Do tipo que é feito o ar, essencial à vida. Uma dose pela manhã, servida com pão francês quentinho e manteiga derretendo. Com café, claro. Outra dose no almoço, de sobremesa. Uma à noite, antes de dormir, que é para ter sonho bom. Afora isso, prefiro megadoses de realidade, que é para manter meu pezinho bem no chão e continuar seguindo minha vida. De preferência, andando. A pé, de bicicleta, carro, moto, avião, barco. A propósito, se for de barco, vamos pro meu mar. Habitat natural da ilusão. E não se intimide: nessa mar, as porções de ilusão são muito, mas muito generosas.

domingo, 18 de novembro de 2012

Sobre ser princesa e mais coisas


A verdade seja dita: ando desejosa de um gato pra chamar de meu. Humana que sou, divirto-me com os errados, como dizem por aí. Mas claro, quero encontrar um gato que seja um príncipe. E meu, pronome possessivo na primeira pessoa! Entretanto, entre tantos sonhos, no dia-a-dia, para a correria da vida real, eu acho que os sapos são mais práticos. Príncipes podem ser muito chatos. Podem estar sempre ocupados com as coisas do reino, do trono, do castelo, com o cavalo branco. Podem ser do tipo que têm mil crises existenciais, e não se resolvem se beijam logo ou não beijam a princesa, se correm atrás da moça ou não pra ela calçar o sapatinho. Enfim, deviam todos ficar nos livros mesmo, porque são figuras lindas pra sonhar.

Mas pra viver, viver mesmo, assim, junto, compartilhando uma vida real, topo um sapo. Eu sei, a vida não é um menu onde vou lá e faço a escolha assim, tão desse jeito, tão a dedo, tão racionalmente. Mas se posso desejar, e isso sei que posso e devo, quero um sapo. Um sapo que seja príncipe. Será que tem esse no menu? Sapo-príncipe: aquele tipo que está longe de ser um deus-grego-descido-do-olimpo, mas que é bacana, gente boa, divertido, bem-humorado, bonito-sim-por-que-não?-pois-eu-gosto, e que não queira  focar nos meus defeitos, por-que-eu-os-te-nho-e-em-a-bun-dân-ci-a, que fique claro. Um homem real, que queira me olhar com olhos de quem constrói, de quem caminha junto.

Também não é para ser uma caminhada longa. Pode até se tornar longa. Mas é para caminhar, apenas. Um passo após o outro, um dia por dia, e isso já é coisa à beça. Pois um dia de cada vez, com consciência, chega a ser exaustivo. E é pra ser cheio de riso e alegria, sem a seriedade que deixa a vida sisuda. Estou de saco cheio de gente séria, cansada de responsabilidade que tem peso. Quero a leveza na mala, sabe como? Uma mala cheia, mas que pode até ser mochila, que é pra ver se atravesso logo o Salar de Uyuni  e realizo esse sonho de aventura. Metaforicamente ao menos, mas o sonho explico melhor outro dia. Agora estou falando sobre uma travessia a dois, que seja um paralelo com o deserto de sal. Algo que oscile entre os diversos sabores da vida, que faça aquecer o coração como um dia no Salar. Que arrepie como a sua gélida noite de lua cheia e que chova amor na relação da mesma forma que existem estrelas numa madrugada em Uyuni... E que principalmente, me faça faltar o ar, não por uma altitude rarefeita, mas por gerar em mim um sentimento intenso. Quero perder o fôlego.

E no fim, já não sei se estou sentindo falta de um namorado ou de uma viagem de aventura, posto que viajei só de imaginar a mochila nas costas e eu em terras distantes explorando o universo encantado que se desenha nesse mundo, através de paisagens pouco exploradas... Mas quem também não irá dizer que assim não é o amor? Um universo a ser descoberto, ao qual nos jogamos, umas vezes com mochila, outras vezes sem, mas sempre experimentando sabores, cores e dores, como numa viagem por terras longínquas e inexploradas... Um universo a ser sonhado e vivenciado a dois, uma grande aventura: eis o amor.

O amor, tema de lindas estórias. O amor que une universos encantados, povoados de princesas presas na torre ou no fundo do mar, madrastas malvadas e caçadores e anões bonzinhos. E claro,  sempre há os sapos, que também são personagens dos contos de fadas... Contos que estão repletos de príncipes "tortos": tem príncipe que é sapo, tem príncipe que é fera, tem outro que é ogro, tem pra todo o gosto, como naquele cardápio de bar ou restaurante. Mas o legal, é que depois, as princesas da vida real, também de todos os tipos, descobrem que, apesar da aparência, basta desfazer a maldição, e entrar no encantamento da paixão, que eles se transformam em lindos príncipes. E logo depois disso, são todos felizes para sempre, apesar de isso dar um trabalho danado, ninguém nunca contar o quanto é difícil e serem necessários muitos outros posts pra tentar explicar... Explicar? Explicar nada. Sem explicações, e eu sei que você entende o que quero dizer. 

sábado, 10 de novembro de 2012

O espelho que me vê


Penso coisas estranhas às vezes. Tá bom, quase sempre. Mas já me acostumei com isso. E quem me quer bem, que se acostume também. E nesse aspecto, saltou-me uma observação outro dia. Ontem, pra ser exata. Olhei-me no espelho e não me reconheci. Que susto!

Precisava fazer o cabelo e fui no cara indicado. Ele é bom. Transforma cabelos como poucos. As mulheres entram lá e saem loiras lindíssimas. Mas não fui lá para isso. Deixei bem claro: não quero ficar loira, não sou loira. Porque acho que loira não é uma questão de estar, mas de ser. Tem que ter alma de loira. E sendo muito franca, me gosto com cabelos castanhos. Embora minha alma seja ruiva. e meus cabelos nunca fiquem castanhos completamente. Vão ficando vermelhos, vermelhos, vermelhos, em completa obediência à minha alma. Vou lá, e pinto de castanho de novo. Eterna negociação, ninguém se rende. Até agora, pelo menos.

Pois fui ao cabeleireiro. Mudar por fora, pois que mudei por dentro. Mudo sempre. E acho que todo mundo devia mudar sempre, se é que posso opinar sobre a vida de 'todo mundo'. Mas ele me disse que ia fazer umas mechas, para dar uma 'iluminada'. Bem pouquinho, acrescentou. Fim do chá de cadeira e eis que me olhei no espelho e não me vi. O espelho sabe também que não sou eu. Estou completamente loira. Socorro! 

Socorro? Mudei! Sou loira sem querer. Que 'iluminada' é essa, que me deixa loira? Socorro! E agora? Tenho que acompanhar. Portanto, mudarei tudo também. Pronto. Troquei a foto do perfil. Resolvi mostrar minhas pernas para o alto. Não sei o que fazer. Logo, quando é assim, já disse, não faço nada. Portanto, continuo loira. E o espelho que me vê começou a falar pra mim. Os espelhos falam. Não escutamos geralmente, mas falam.

Costumamos acreditar que nos vemos no espelho. Pode ser que seja o contrário: é o espelho que nos vê.  E fala. Pensar isso é estranho? Esse espelho, quando me viu, me disse que a morte é inerente à vida. E que ciclos são dotados de fim. E que depois do fim, tem um novo começo. Morreu. Morte do contraste da pele branca com o cabelo escuro, que eu tanto gostava. Nasceu uma loira. Meio contra minha vontade, mas não dá para fazer outra química agora no cabelo. O que fazer? Ficou bonito. Estou bonita. Muito diferente, praticamente não sou eu. Mas ficou bom.

E ainda sou eu que habito no fundo do espelho de meus olhos. O espelho que agora me vê, me diz que é hora de aceitar. Curtir a situação. Transformar. Brincar. Brincar de Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, Sharon Stone, Uma Thurman, Cameron Diaz. Não. Não estou loira platinada, não. Mas talvez, só talvez, eu  goste de encarnar a personagem fatal. Primeiro, preciso me reconhecer no espelho. Sou eu mesma, sim. E a vida, me pregou uma peça. Daquelas aparentemente tolas, mas repleta de ensinamentos surpreendentes. A impermanência cada vez mais se faz presente. Assume formas que jamais pensei. Aceito o convite. Vou brincar. Mas será que posso começar mais comportada, tipo Reese Whiterspoon?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Maitri


A palavra surgiu daquele jeito meio mágico, naquele livro que eu não teria interesse, mas que caiu na minha mão meio 'sem querer'. Caprichos do acaso. Maitri é a bondade amorosa e o amor incondicional por si mesmo. Achei interessante. Mais que isso, pra ser sincera.

Estou nesse processo há um tempo. Sem saber, mas já estou. Intermitentemente às voltas com minhas sombras e demônios, percebo que venho acolhendo quem eu sou na íntegra. Desisti de brigar comigo, ou melhor, resolvi me gostar naquilo que é condenável, no que é 'feio', politicamente incorreto e pouco nobre. Eu não sabia, mas quando entrei nesse processo, de me amar e aceitar integralmente, imperfeita e com sentimentos pouco celestiais, estava desenvolvendo a maitri.

Maitri é libertação. É isso que venho experimentando e quero compartilhar. Quando o livro começou a introduzir o conceito, me surpreendi já sabendo do que a autora falava. De repente, eu, cristã, me descobri budista. Aprendi e venho continuamente aprendendo. Mas como sempre falo, não gosto de definições. Ser cristã, budista, hare krishna, não interessa. Importa o caminho que se quer trilhar. E meus caminhos são às vezes como aqueles de personagens fantásticos, sem sentido e repletos de insanidades. Tenho preferência por portas estreitas. Gosto de descobrir o sabor que poucos experimentaram. E isso não tem a ver com vaidade. Gosto do incomum. Não tenho medo de me jogar. Pulo. Lanço-me. E de olhos abertos. Para aproveitar cada instante e ter também a sensação visual.

Nessa coisa toda de aprender, me percebi atingida pelos mesmos raios de iluminação que alcançaram a autora de "Quando tudo se desfaz". Mas sem querer ser soberba ou algo semelhante, me diverti com isso também. Só de me achar iluminada, já não sou, eu sei. E não me importa. Nunca busquei isso. Apenas foi muito interessante descobrir que amar-se de um jeito incondicional, com todo o kit que o compõe, é algo que muita gente persegue e eu alcancei sem saber, sem ir atrás, sem ter como meta. Não foi sem dor, devo dizer. Mas com muita compaixão. E aceitação de que eu só serei realmente verdadeira comigo, e com a vida toda, se eu souber quem mora dentro de mim. 

E nesse caminho, andei. Descalça. Entre pedras e espinhos. Uma viagem ao universo de mim. Não desisti em nenhum instante. Tive ajuda, de pessoas muito queridas, enviadas pelo tal do 'acaso'. Só posso dizer que foi gratificante. Está sendo. Ainda estou em plena travessia de universos. Uma galáxia sou eu, a boa. A outra galáxia, sou eu, a má. Nem tanto uma, nem tanto a outra. Mas a resultante é um mix que amo, de maneira acolhedora. A mulher que sou, e sabe dar colo como ninguém, acolhe essa que sou, em luz e sombra, naquilo que alguém denominou maitri e que eu chamo de amor próprio e sem medo de ser o que se é. Vou caminhando. Me disseram que é assim que se faz o caminho.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Adoro


Adoro acordar cedo, sair de casa já atrasada e ser surpreendida pelo céu azulzinho e sem nenhuma nuvem...  Adoro isso porque, quando é assim, eu sem querer, sorrio toda. Minha boca inclusive. Mas principalmente meu espírito todo.

Adoro quando o dia se faz assim e vem, de levinho, me conduzir para uma jornada de explosão. Explode em mim um amor maior que tudo e sem explicação. Amor sem direcionamento mesmo. Aquele amor que ama e nem sabe direito o quê, quem, quando, onde e nem como. Amor que se entrega todo. Amor simplesmente. 

Amor que se permite ser mar. E sendo mar, que seja morada de todos os que se encantam com os mergulhos e a diversidade da vida. E que nesse mar, sendo amor, seja onda também, para o surfista que vem de longe e para aquele que só atravessa a rua. Que esse mar de amor se faça alimento para a rede que busca a pesca. E que habite nele o sonho, da onda perfeita, da rede farta, do mergulho antes intocável, do canto da sereia... O sonho de uma boa jornada, da vida plena e da aventura compartilhada.

Maré cheia e maré rasa, cada uma para a sua lua. E que sendo noite, seja um mar-espelho, tudo compreendendo no reflexo de quem se dá. Ah! O mar... Ah! Amar... É só mergulhar e deixar acontecer... Mas tem sempre alguém que tem medo. E aí, estraga tudo. E quando estraga, já não adoro.

Adoro mesmo quando, na história, tem gente que mergulha... E se deixa navegar... Já disse antes: não curto águas rasas, embora esteja aprendendo a ver beleza em tudo. Mas curtir mesmo, não curto. Nem águas rasas e muito menos, gente rasa. De resto, adoro é ser surpreendida.

domingo, 28 de outubro de 2012

Drenagens e condensações - palavras que escorrem líquidas, emoções que se aglutinam sólidas



Um rasgo violento e profundo. Um corte dilacerante. Enorme. Tá bem, digamos que um corte da sínfise púbica até o processo xifóide. Só para dar trabalho e fazer você procurar no google o que é isso. Se você sabe o que é, entenda que visualizo tudo não como uma ferida cirúrgica, certinha. A incisão é irregular, de bordas e aparência tão violentas quanto o golpe que lhe originou. Profunda, enorme, de fazer sangrar até a última gota de emoção que porventura exista naquela ser, no caso eu. Porque sangrar sangue é muito óbvio. Consegue visualizar? Essa imagem é a minha transmutação do impacto da história dessa mocinha-meio-do-avesso-vilã-pela-metade, a anti-heroína Lisbeth Salander, em mim.

Há meses essa personagem me intriga. Misto de covardia e coragem, repleta de antagonismos que se complementam. Sei que todo mundo já escreveu sobre ela. E não vou aqui desfilar análises sobre a personagem, pois que não tenho conhecimento para tal e nem intenção de fazê-lo. Vou escrever o que ninguém ainda disse: o que eu senti. E senti que Lisbeth é repleta de defeitos, de imoralidades, abusa de comportamentos condenáveis. E ao mesmo tempo é uma alma provida de compaixão e sede de justiça. Mas junta isso a uma completa falta de limites para agir em busca do seu objetivo. E esbarra no antigo "os fins justificam os meios".

Lembro de quando ouvi essa frase pela primeira vez. É aí que entro eu, que não faço parte da história, mas desde já viro personagem também. Eu tinha 13 anos, estava no antigo "segundo grau" (sou desse tempo aí, rs!). Era adiantada no colégio, mas óbvio, minha inteligência para filosofias e afins empacou na frase, limitada pela pouca idade. Fiquei tão decepcionada de alguém ser estudado por ter dito esta frase absurda, que cheguei em casa e fui conversar com a minha mãe. Como? Como podia ser que os fins justificassem os meios? E se os meios fossem "errados"? Naquela época, eu ainda não tinha a percepção de que, às vezes, o limite entre o certo e o errado, é uma linha tênue e mal-definida. Pensava na frase e não a entendia. Era então mais importante conseguir um bom resultado, mesmo que de maneira incorreta, trapaceando? Eu não aceitava, não concordava, não alcançava.

Ainda hoje não concordo. Mas tenho a compreensão de que, quando somos fracos é que temos a oportunidade de transpor o limite da fragilidade e nos tornarmos força. É quando somos diminuídos que podemos nos fazer menor ainda e transcender à pequenez da situação. É quando somos esmagados que podemos nos recompor para compor um novo ser - ou o mesmo ser, outra vez, e perder a chance de deixar nascer um ser diferente. Quando se tem 13 anos não se percebe isso. Mas quando se é adulta e se conhece Lisbeth Salander, é possível refletir sobre os fins que justificam os meios - os meus meios, os seus meios, os meios dela - de fazer o que é possível, o que é preciso, o que se quer, o que seja como for que se apresente, ainda que não seja o que gostaríamos. É possível ter compaixão como a personagem. E munida desta compaixão, perdoá-la por não ser perfeita. E mais que isso, sentir felicidade até, porque ela é heroína e tão imperfeita quanto cada um de nós. E se é assim, também podemos ser, eu e você, heroínas e heróis de nossas próprias histórias.

É nesse contexto que ela e millenium são bem mais que um soco, muito mais que um nocaute, são o tal rasgo dilacerante que falei, que faz sangrar emoção. Tendo tantos defeitos, todo mundo logo se identifica. Ela não causa aquela repulsa que as sacro-santas pessoas causam, pois sendo muito boas não se parecem com ninguém, e acabam sem querer fazendo todo mundo se sentir menor. Odiamos pessoas sacro-santas, essa é a verdade. Uma delas, pelo menos. Outra verdade é que temos medo de odiar, porque não é bom. Outra verdade ainda é que todo mundo se sabe cheio de muito pecado, embora às vezes não sejam pecados tão graves assim, mas ainda são pecados, e quem se importa com eles, embora tendo-os de montão? Ela é gente até não poder mais. E assim, a pessoa se desarma. E quando alguém se desarma, pronto!, automaticamente o outro ganha o jogo, supondo que seja um jogo, e  supondo, neste caso, que o outro seja a personagem fictícia em questão. Eis o que senti e ninguém escreveu. Nada demais. Apenas algo a não deixar dentro de mim.

E tudo isso, no filme, embalado pela música "Would anybody die for me?"...  Resolvi colocar a letra aqui, só pra dar um tom vermelho vivo ao post, já que tudo nasceu da metáfora do rasgo que faz sangrar, que vem dançando em minha mente há tempos... Aproveite e cante baixinho... Espanta os medos, faz drenar e condensar a força que vive dentro da gente.

"Hear me
Hear me now
Restless souls are left on guard
Hearts are burning unpredictable
Are we sinners carry on
Feel the cold to you resistible
No confessions to be made
Just believing all is unprepared
You won't ever hear me crying
Destiny is to be unaware
Silence, quiet now
No one in the crowd
There's no place to be
There's no light to see
Would anybody die for me
Can you hear me
Would anybody die for me
Can you hear me
Hear me
Anybody hear me?
Would anybody die for me?"

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dançando com o tempo


Noite alta. Melhor, madrugada. E eu insone. Como que com um bichinho a me roer, a corroer meu descanso, porque algo se rebela, se contorce, e insiste em não calar, aqui dentro. Isso é vontade de escrever. Resolvi atender. "Pode sair, eu deixo. Vem, sem medo. Mostre-se. Mostre-me quem é você.", disse a voz. A voz que fala em mim. A minha voz que conversa comigo mesma.

Eu quando me dou colo sou assim: falo comigo. Aprendi isso. Loucuras de mim, sobre mim, que não me importo de ter. Quando me dei conta, há muito tempo atrás, que eu tinha "loucuras", procurei um psiquiatra. Mas ele disse que não sou louca, embora eu achasse que sim, que sou insana, e afirmasse isso com todas as minhas forças. Ao contrário, disse-me ele que tudo ia bem, apenas a fase não era boa e eu, muito lúcida.  Falou que esse era o meu mal: lucidez. Em excesso.

Achei o diagnóstico um tanto estranho, mas por fim, fiquei conformada. Bem, melhor desse jeito do que repleta de grilos e "quiprocós" internos, que caraminholam e infelicitam. E assim, voltando ao começo do que comecei, mesmo sem saber aonde quero chegar, eu me dou colo. E falo com muito carinho para mim mesma, porque quando é assim, sei que uma menina assustada está ali. E é com essa menina assustada, que mora dentro de mim, que converso nesses momentos de agitação interior.

Ela anda assustada. Ainda não me contou com o quê. No devido tempo, tudo se esclarece. O tempo traz isso, uma calma intermitente, mas que, quando chega, me faz dona de mim de uma maneira completa. E gosto da intermitência. Ou, antes, aprendi a lidar com ela. Coisas de maré, coisas de mar, coisas de peixe que sabe que nunca vai ser outra coisa senão... peixe.

Mas o tempo é assim, cheio de surpresas, remissões, inconstâncias e equilíbrios disfarçados. Às vezes ele dança uma música que não ouço. E quando isso acontece, fico com vontade de dançar também, junto com ele. De corpo e alma, coração e mente, deixar-me levar pela doce melodia que toca baixinho lá dentro. Dentro de não sei onde. Pois se não ouço, não sei de onde vem a canção. Mas a voz que fala em mim, sopra sorrindo que, no fundo, eu sei. E me avisa que é só dançar... com paixão...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Uma viagem nada fictícia de muito mais que vinte mil léguas submarinas


Um passo. É só o que é necessário. E sou do tipo que  faz o que é necessário. Logo, dou o passo. E entro. Sem cerimônia e com honestidade, dentro de mim. Sem medo. Mas também sem as coragens de uma heroína de um conto. Deixemos de lado os contos. Entro sem nada. Eu somente. Despida de vaidade, nua de pretensões, vazia de orgulhos. Crua, inteira, toda. Porém, junto de mim, levo toda a minha percepção em terceira pessoa, flamejante do desejo de ser eu mesma e ver. Vontade intensa de aprender quem sou, na íntegra, sem rascunhos, sem meias-verdades, sem metáforas nem hipérboles. 

Busco meu olhar mais doce e lanço para o meu eu visitado por mim mesma. E recebo meu próprio olhar como quem sabe que esse é um lugar ímpar, destino inusitado e ao mesmo tempo óbvio. Gosto do que vejo. E vejo que nem tudo é cor. Há espaços vazios, há áreas de caverna úmida, há descampados amplos a perder de vista. Mas nesse momento gosto disso. Dessa mescla. De tons dispersos e aleatórios, de toda a paleta, impregnando partes e não a morada inteira. Coisas por fazer. Há paredes por pintar, recantos para decorar, um jardim para cuidar. Mas estou pronta. Quero. Mãos à obra. Não vim aqui para passear. Não somente. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Águas rasas


                                                 Aprendendo a ver beleza nas águas rasas.
                                               

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um dia bom


Dia de fé, dia de ser criança. Dia de deixar a essência abraçar a calma e por elas se envolver. 
E o que transborda, desse abraço, é paz.

domingo, 7 de outubro de 2012

O sol não brilhou!

                                               
                                             E tudo continua como antes, na casa de Abrantes...

sábado, 6 de outubro de 2012

Nem só de poesia é feito esse mar - Sobre política, sombras humanas e deuses


Entre o céu e a terra, metal, água, madeira e fogo. Entre o céu e a terra, vãs filosofias de tudo querer explicar. Pura sapiência da mais sublime vaidade. Intelectos que me deixam cheia de tédio. Entre o céu e a terra, insetos e bípedes também. Alguns destes bem poderiam ser classificados como insetos, tamanha a estupidez que ostentam, sem aqui querer chamar de estúpidos os insetos. Não é o caso.O caso é que não sei onde vai dar isso tudo. Véspera de eleição, e tudo que percebo é que uma tragédia se anunciará nas urnas. Porque ter chance de mudança e deixar tudo como está é uma tragédia, convenhamos.

A falta de qualidade dos candidatos é tamanha que, outro dia, indo a padaria, no meio do caminho vejo o moço que entrega o gás na rua. Ele bradava sua campanha em alto e bom som, candidato a vereador. "EU TENHO ATÉ PROJETO!!!", usando a sua mesma potência vocal de quem anuncia o gás, fazendo o bairro inteiro escutar. Sei, sei, o bairro inteiro é exagero, mas pra que gritar??? O porteiro do prédio mais próximo, aderindo prontamente à terapia do grito, lança em tom desafiante de lá do seu posto de trabalho: "E qual é o seu projeto?". Eu, ouço arrasada, visto que audição é aferente e independe de controle. E sendo assim, é melhor ouvir porcaria a ser surda: "O meu projeto é que todos as pessoas que não andam tenham atendimento até poder andar de novo". Hã?

O chão se abriu, uma escuridão tomou conta do céu, o mundo parou. Para mim, ao menos. Os outros continuaram discutindo animados o tal projeto e a respectiva candidatura. A pergunta que fica é: até que ponto políticos continuarão sendo deuses? Por que só um "deus" pode impor esse projeto como lei.  Como alguém assim pode sequer ser candidato? As leis naturais obedecem agora aos políticos brasileiros que elegemos para o posto de titãs? Políticos podem sim ser deuses. Deuses da ignorância, da pseudo-superioridade encarnada, de tudo quererem fazer e achar que mandam e desmandam sem nenhum nexo. Podem. Mas quem lhes coroou?

Algo de muito agudo e esguichante precisa ser feito. Algo como um corte profundo no pescoço. E que atinja os vasos sanguíneos com toda força. Que faça sangrar a massa parasitária que pensa que consegue tudo o que quer por ostentar o título de político eleito. E que agora já atinje até o candidato a político. Não acredito que possamos dar qualquer passo enquanto nação, estado, município, se o pensamento dominante se perpetuar tal qual o do moço do gás. Coitado, do alto de sua impáfia de "candidato a", já se veste da arrogância de quem se sabe imune a tudo caso alcance a toga da profissão de político.  

Porque ser político, aqui pelas bandas da terra brasiliensis, é profissão. Que não requer estudo, não requer cursos, não requer nenhum tipo de formação, nem compreensão do sistema. Sequer exigia que o candidato fosse alguém limpo perante a justiça. Em algum país que não sei qual é, ao cargo de vereador não é atribuída nenhuma remuneração. Em outro, também não lembro qual, a pessoa se elege e recebe a remuneração de sua profissão, sem que tenha que cumprir carga de trabalho na profissão de origem. Assim, o tal moço do gás teria o seu salário de entregador de gás, mas sem fazê-lo, pois seria liberado para exercer seu cargo de vereador. 

Será que teríamos tanta gente se candidatando se assim o fosse? Ainda há muito para ser mudado, mas infelizmente não consigo vislumbrar mudança. O que dizer daquele partido que este ano resolveu fazer campanha escondendo sua sigla e ostentando apenas sua estrela? Talvez para tentar ludibriar os mais desavisados, desligados, para que não associem o candidato à legenda? Legenda sinônimo de roubalheira, instalada em seu governo ditatorial, paternalista, feito para o coitadinho continuar coitadinho, aceitando esmolas... Legenda repleta de candidatos que nunca trabalharam na vida, nunca deram duro. Não conhecem nada de acordar cedo e ir lá, à luta, e com o suor de seu trabalho, conquistar o pão de cada dia. Bando de gente folgada!

Mas o mundo está cheio de gente assim. "Gente boa", repleta de um eu-mascarado, mas que engana um tanto de outra 'gente boa', sob o manto da elevada espiritualidade. E no entanto, está dando a volta e trilhando o caminho mais curto, sob a alça da esperteza. E tem gente assim que é admirada. Não quero aqui passar por invejosa não. Porque isso eu não tenho dessa gente. Escolhi meus caminhos e trilhei os que considerava mais desafiadores e corretos perante a lei. E me orgulho disso, e com isso sou feliz. Só que não jogo confete em quem pratica o exercício ilegal de nenhuma profissão. Mas em nome da humanização, sob o discurso de promover e fornecer acolhimento e compreensão, tem um monte de espertos seguindo essa trilha. E sendo aplaudidos por outro tanto de gente culta, que no entanto, aos meus olhos, não passam de cegos.

E é por isso, que hoje, dia que antecede um momento que poderia ser transformador, nada parece anunciar uma mudança que traga luz. Terra, metal, água, madeira e fogo parecem apenas 5 elementos que compõem a natureza. Entre o céu e a terra, ainda pululam obviedades de toda a sorte e teorias vazias de conteúdo, repletas de um invólucro duvidoso, que não preenchem a alma nem falam ao coração. Não quero me apegar a nada. Agora, quero apenas jogar pedra. Porque a treva que se forma, alcançou meu ser também. Também tenho sombra. E quero vivenciar minha condição de humana com muita intensidade. Sou imperfeita. E isso é libertador! Estou aprendendo a conviver com toda a minha imperfeição. Sem máscaras. Sem poesia. Sem ser fofa. E abro aqui um parênteses: odeio que me achem fofa! Odeio mais ainda que me achem boazinha. Sou boa. Ponto. Boazinha, jamais!

Com toda a acidez que me é possível e permitida, quero lançar um olhar que julga. Por que não? Eu posso. Quem disse que não posso? Se julgo a mim mesma com severidade - e você não faz idéia de como - por que ser menos severa com o outro? Eu quero perto de mim gente disposta a mudança. Gente que busca a luz. Mas gente imperfeita, e que tem sonhos com um mundo de paz. Do alto de meu julgar, também desejo. Que entre o céu e a terra reinem sonhos, esperança e mais que isso. Muito, muito trabalho. Porque estou farta de gente que não faz a diferença e só sabe se promover. Políticos, pessoas, gente de todo o tipo, aqui no meu mundo, no meu mar, se não fizer diferença, pode dar meia volta e procurar outra freguesia. Como li outro dia, Deuses morrem. Quando deixamos de acreditar neles. 

sábado, 29 de setembro de 2012

O que era



E todo esse tempo era o silêncio.
Mas era a ausência também.
A ausência percebida diariamente.
E que se chamava saudade.
Crescente.
Benevolente.
Condizente.
Com o vazio de tudo o que se fez ao redor.

E todo esse tempo, tanto tempo,
era somente
a vontade.
Sem delongas e sem demoras.
De instante a instante
no compasso das horas
a vontade
do abraço terno
em que cabe
o pequeno gigante
chamado mundo.

E era isso todo esse tempo
e mais um tanto que nem cabe
no espaço de contar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sobre meninos e violinos


O menino, na calçada, toca violino.
A multidão apressada, passa.
Há os que se encantam.
Há os que nem veem.
Alheio a isso, ele continua.
E eu penso: enquanto houver meninos e violinos, há esperança.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cantiga da Natureza


                                               Por onde passo, canta um bem-te-vi.
                                               Borboletas amarelas estão me seguindo.

                                               Eles bem-estão-me-vendo.
                                               E elas? Pensam que sou flor?

                                               Que dia lindo!

domingo, 9 de setembro de 2012

Os hábitos que me fazem ser - 3º capítulo


É incrível como só agora acabo de perceber isso que vou contar. E é a realidade: basta eu ter a idéia de fazer uma série, geralmente com um monte de coisas legais para postar, que imediatamente as idéias todas desaparecem e fico sem saber o que escrever. Das outras duas vezes foi assim. A primeira série até que achei que ficou bem sucedida, "Meus amigos ostras e suas pérolas".  Gostei.

Já a segunda, foi um fiasco, "O óbvio que a vida contém". Eu tinha milhões de coisas para escrever, pensava nisso a toda hora, e foi só começar o primeiro post que... pluft! sumiram todas as idéias. Fuga em massa!

O mesmo aconteceu agora... Quer saber? Séries me delimitam, me fazem escrever dentro de um texto pré-formatado, num modelo para ter uma lacuna preenchida. E eu não suporto a falta de liberdade. Deve ser por isso que travo assim que começo e, de repente, fica muito sem sentido fazer a série. Ah! É isso: decreto que não farei mais série nesse blog porque só funciono sob a livre forma de me expressar. Eis aí um hábito que me faz ser e só por isso, será o último post aqui escrito sob esse título. Eu acho. Porque é bem possível que as idéias voltem todas só porque decretei o fim da série, rs. E então, resolvo que será o 3º capítulo. Já que o futuro, é mesmo uma incógnita... E até que seria interessante algo inacabado por aqui...

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Egos




Egos, egos, egos
insuflados
hiper-inflados
tal qual balão.

Voam alto
e povoam os céus
repletos de estrelas.

Mas que pena...
Não é o céu da Capadócia,
nem de Pasárgada!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Setembro


Entrou de mansinho, trouxe sol gostosinho e foi abrindo os braços para ser recebido num abraço. Não pediu licença. Nem precisava. Sua postura forte e doce, não faz imposição. Simplesmente acontece. Sem ser necessária nenhuma palavra. Com ele, as cores ficam mais cheia de viço, as flores sorriem em botão e abrem-se, as árvores esticam seus galhos como se estivessem se espreguiçando. É setembro. Outra vez, de novo, mais um. Tempo de encanto e perfume. Tempo de sintonizar na estação da vida. Tempo do desabrochar da natureza.

E quem disse que ser humano também não é natureza? Pois é. A humanidade é uma natureza meio desconectada, meio sem jeito de ser o que é, mas é. Metida, com nariz empinado, tratou logo de se auto-intitular de herdeira do paraíso. E dele se afastou. E com ele não tem sequer identificação. E assim, chega a primavera, vem o dia da árvore, e ninguém sabe nem disso. Eu mesma, que estou aqui bradando toda essa defesa em prol da conexão com o universo, digo que sei o que nem sei mais. Mas justiça seja feita, já soube um dia. Agora sequer me lembro quando é o início da primavera, quando comemoramos o dia da árvore, o que é mesmo o equinócio. Pois o tempo seleciona coisas e, aqui no meu cérebro, escolheu esquecer essa datas, esqueceu saber qual vem primeiro, o que é o quê, e por aí vai.

Resolveu apenas que setembro há de morar para sempre na lembrança como um mês feliz. Isso eu sei muito bem. Um mês de brisa e despertar suave. De encontros com a felicidade, no movimento da ascensão da espiral que é a vida. Mês que aquece o coração e traz com ele a alegria de ter sobrevivido a mais um inverno. Ainda que não tenhamos invernos rigorosos nessa doce terra. Ainda que a questão da sobrevivência não seja mais atravessar o rigor climático com a escassez de uma colheita minguada. Nada disso. Quem atravessou o inverno rigoroso dos tempos da conexão virtual, sabe que não se trata mais de alimento nem de frio. Pelo menos aqui no meu mundo e no seu, que agora lê isso que escrevo. E aqui, nesse mundo, setembro é promessa.

Promessa de vida fora do casulo. Promessa de vôos. Promessa de conquistas. E não interessa se serão vôos rasantes, altos, curtinhos, travessias imensas. O importante é transpor a fronteira. "Que fronteira?", você deve estar perguntando. E eu respondo de maneira nada original, mas com bastante domínio: a fronteira que faz você ser o que você é e te impede de ser quem você gostaria. Tentar, ousar, ascender, pode ser muito bom. E todo o universo, neste momento, fala a mesma linguagem. Uma linguagem antiga, que você esqueceu. Ou nunca soube, porque afinal, humanos não dão bola nenhuma para bobagens como essa. Fato é que o momento é propício. Setembro está aí. E tempo é dinheiro. Embora essa frase soe como um antagonismo completo a tudo que foi dito. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Os hábitos que me fazem ser - 2º capítulo


Converso com plantas, especialmente as minhas: isso mantém acesa a consciência de que muitas são as formas de  vida  e muitas  as  linguagens  pelas  quais falamos. O mais legal é que sei o que elas dizem e entramos numa sintonia fina incrível. Se estou feliz, elas também estão. Se entristeço, elas ficam sem viço também. Oh! Eu converso com plantas! E elas me entendem até quando não falo.

domingo, 26 de agosto de 2012

Os hábitos que me fazem ser - A série


Se é mesmo verdade que o hábito faz o monge, isso é pano pra manga. E compra bastante tecido aí para costurar essa roupa, porque são imensas as nuances para a abordagem filosófica. Mas supondo, só supondo, que os hábitos fazem as pessoas serem o que são... Sem entrar na questão da aparência e nem em outras vertentes que o referido ditado popular pode conter, fiquei pensando: quais hábitos me fazem ser eu? o que eu visto que cabe em mim tão perfeitamente que me parece a minha própria pele?

A-rá! Se não houver um sem-número de questionamentos, não sou eu. Já aceitei esse fato! Mas geralmente questiono para mim mesma agora. Costumo dizer que pergunto para dentro. E só por um motivo: já cansei de perguntar pra fora e me irritar com semblantes de interrogação que não alcançam o patamar mínimo para a compreensão da minha dúvida e bum! Me julgam e crucificam. Então, pergunto pra dentro mesmo. Ou, na terapia, rs. Ou, agora, no blog.

Se bem que, agora, no blog, não são as perguntas. São as respostas. As respostas que encontrei quando me perguntei o que faz de mim quem eu sou. Claaaaaro, muitas coisas fazem de mim quem eu sou. Mas tolices e detalhes compõem o meu ser. Coisas grandes e coisas pequenas (acho que mais coisas pequenas do que grandes, mas não é essa a questão). O que acontece é que resolvi voltar a fazer uma série e essa série contém exatamente isso: o pequeno, tolo e o detalhe meu que me dá forma. Então lá vai o primeiro e esse, com certeza, é óbvio!

Gosto de ler poesia antes de dormir: isso mantém serena a minha alma e me conecta ao mundo das idéias. E conexão é a bola da vez!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um mergulho no silêncio


Existem silêncios dentro de mim que são mergulhos em águas cristalinas. Onde tudo vejo, tudo observo, tudo respeito, e sou capaz de ouvir a fala que me cala, mas que mora dentro da minha alma. Porque até quando sou silêncio, sou palavra. O meu ser inteiro é comunicação. Meus sonhos dizem sobre mim. Meus medos são meus desejos mais íntimos, vestidos pelo avesso. Meus impulsos são vontades estabanadas de quem quer muito, mas não sabe como. 

E assim me revendo, passando a limpo os rascunhos e esboços do que desenhei, entendo que muito pouco eu sei. O mundo traz essa tomada de consciência, às vezes, para algumas pessoas: a de pouco saber, apesar de muito tentar e querer. E essas coisas de sentimento então, são de um grau de introspecção, de um quê de abstração, que não é mesmo fácil assimilar, entender, domar. Tem sempre junto uma pincelada de peixe fora d'água. 

Mas contra a maré da contra-mão, insisto em pertencer. Verbo bom, que traz em si o acolhimento, o agrupamento, o todo mundo juntinho por algo em comum, e não necessariamente tudo em comum.  O pertencimento é uma das sensações que mais acalentam o ser humano. E assim o sendo, uma vez acalentado, já não se é só, mas peixe no cardume, cardume em mar de vida, vida em mar de ser feliz. 

Ah! Existem silêncios em mim... E eles doem, latejam, fisgam, queimam, e olha que de dor eu entendo. Mas  deixemos de lado esta que implora ser tema, mas a quem não cabe papel no roteiro. São eles, os meus silêncios, que querem hoje apenas chorar baixinho. Somente eles terão espaço e nada mais, nem dor, nem amor, seja o que for, é tudo coisa que fala e não quero dar ouvidos.

Deixo meu recolhimento tomar corpo, abro a porta e convido-o com respeito, pois outra vez, sou eu mesma pedindo, quase sem forças, uma canção e um colo para me aconchegar. Deixo tudo o que é artificial na superfície. O meu silêncio sou eu, de uma forma profunda, que ainda não sei qual é, ou, quem sou. Mas não há motivos para temer. Lanço-me ao mar. Mergulho. No mar profundo de mim. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Recomeço


Recomeço
reconheço
tudo do avesso
agora
e por enquanto.

Sem mais,
no entanto,
o mesmo se repete
e tudo inverte -
êxodo de mim.

Retornarei
quando não sei
um contra-ponto
talvez
no fundo do espelho.

Espero
e assim almejo
completa
antítese
do meu próprio reverso.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O amor nos tempos da rede wi-fi


Eu quero alguém para mim. E preciso dizer isso escrevendo, colocando letra após letra, dando sentido a uma frase, formando um parágrafo, tornando coeso um texto. Preciso dar forma ao meu desejo. Um homem com defeitos, problemas, medos e dúvidas. Normal. Mas que seja para mim. E que vista-se de coragem quando eu não encontrá-la. Que segure a minha mão quando as montanhas me assombrarem. Que seja céu quando eu for sol e que seja sol quando eu for terra, para que nele eu brilhe e para que em mim ele faça tudo ser vida. 

E sendo eu uma onda, que ele venha em mim surfar. E quando meu mar for lago manso, que seu barco esteja lá. E que eu seja alimento para a fome da rede que ele lançar. E sendo tudo isso, que o senso prático não nos abandone, pois é preciso ganhar o pão, fazer a comida, lavar a roupa, deixar a casa limpa e em meio a tudo isso ser amor e ser feliz. 

E para ser feliz, tem que ter rock, trilha na mata, praia quando der vontade, bicicleta na rua, música para dançar, viagem de aventura, amigos para compartilhar, família para reunir no ninho. E livros. Coisas simples. Coisas às vezes raras e deixadas de lado por tanta gente. Pois todo mundo é diferente. E a mesma tal felicidade para o outro pode ser que tenha que ter samba, shopping, vinho com lareira, carro novo e silêncio, futebol e churrasco. Diferenças administráveis mas que precisam ser resolvidas sem causar incômodo. Tecer o relacionamento numa trama sem fio. Porque um dia, tudo o que se abre mão por força da força, explode. E queima o amor na explosão.

É por essas e outras que é tão difícil. E é por isso que tanta gente quer alguém e não encontra o caminho. Porque antes de tudo, é preciso estar disposto. É preciso querer construir. Uma matemática em que o resultado da equação seja maior do que o que a lógica alcança. Sem explicações. Apenas com a vontade de fazer com o outro uma jornada intensa e de felicidade. Assim. É assim que eu quero o meu alguém. E ele tem a forma que abriga todas essas possibilidades. Só não conheço ainda o rosto dele. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ressaca


Ressaca
Em olhos de não confiar.
Ressaca
Instabilidade das ondas
Do amor
De amar.
Ressaca
A dúvida
Que corroe
A rocha
Na erosão.

(Para todos os Bentinhos e Capitus da vida).

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Romances datilografados


Houve um tempo em que eu acreditei que havia um homem feito para mim. A qualquer instante eu iria encontrá-lo. Esbarraria com ele, os sinos tocariam e num passe de mágica, plim-plom! Seríamos felizes para sempre. Aí, cresci um pouquinho.

Mudou a versão: Manhãzinha e eu correndo atrasada, preciso pegar aquele ônibus, esbarro nele, caem no chão vários dos meus livros e cadernos, ele me ajuda a pegar tudo, sorri, e me pede o telefone. Perco aquele ônibus. Mas ele liga e me convida para o cinema. Início do namoro. Cresço mais um pouco.

Fim de tarde, Centro da cidade, eu saindo do trabalho, esbarro numa senhora, ela cai, ajudo-a e ele vem ajudar também. Recebo um convite dele para tomar um café, os sinos tocam na igreja ao lado, ele pede meu telefone e me liga mais tarde. Um convite para jantar. Não sei se seremos felizes para sempre, mas quero ser feliz a dois ao menos por algum tempo. A vida ensina e cresço com o aprendizado.

Noite linda, engarrafamento insuportável, um calor de matar, esbarro no carro da frente quando tento manobrar para sair daquela via. Desço do carro nervosa, peço desculpas, ele é lindo, fico mais nervosa ainda e estou atrasada para um compromisso profissional. Falo rápido, ele tenta me acalmar, disse que nem arranhou o carro dele, pede meu telefone gentilmente para o caso de precisar me contactar para algum problema. Vou embora e ele não liga. Sou feliz e ele é só um episódio no trânsito. Cresci.

Dia amanhecendo, saio para correr na praia, encontro com o ex correndo também, levo um susto e nem sabia que ele ainda mexia comigo, com isso dou um esbarrão em alguém. Esse alguém é lindo. Peço desculpas, dou um sorriso e um tchau, mas antes percebo que ele gostou de mim. Dou meu telefone, sem ele pedir. Mas encontro com ele na praia no dia seguinte e lembro que ele não ligou. Ele dá um tchauzinho e então eu penso que ele é um frouxo. Cresci e vejo a realidade com uma clareza irritante.

Esbarro num homem. Ele não é lindo. Estou puta e de saco cheio de esbarrar em homens e não sermos nunca "felizes para sempre". Pego o telefone dele e ligo para saber se ele ficou bem depois de ser atropelado por mim. Ele é bem humorado. Quero ser feliz com ele hoje e ver estrelas quando a noite chegar.

O tempo passa. Mudam os desejos e as expectativas, a forma de encarar os acontecimentos, mas há sonhos que nunca mudam. Ser feliz a dois é um deles. E isso é ser romântica: acreditar que existe alguém que é para você. Ainda que as evidências não tenham deixado ninguém para sempre na sua vida. Mero detalhe. Nem ligo. Rio sozinha enquanto escrevo toda essa epopéia, até agora sem aquele final feliz cultuado nos contos de fada. Seria porque isso aqui é apenas a vida real?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A paz ao meu lado


O que escrever nos dias de plenitude? Como dizer de forma doce e poética que estou em paz? Se a própria paz já é azul e preenche com mansidão meu ser inteiro, como fazer poesia se a poesia agora faz morada em mim? Apenas me lagarteio ao sol, deixo a luz do dia entrar e aquecer a minha alma. Não almejo nada mais.

Pés na areia, caminho ao som das ondas. Como é bom respirar e caminhar sozinha! Ainda ontem vi uma moça bem mais jovem que eu e que não podia fazer isso sem ajuda. A autonomia é uma prece para mim... Que elevo aos céus com muita alegria e gratidão. Coisas simples que tornamos mecânicas e não valorizamos. Não com a ênfase que devíamos, ao menos.

Por isso, e por tantas outras coisas que agora não penso em escrever, é uma dádiva quando somos visitados pela paz. E assim sendo, vou ali na padaria comprar pão fresquinho, bolinho de chuva e outras delicinhas, pois vou aproveitar para tomar com ela um cafezinho. Quem sabe, ela não deixa de ser visita e resolve morar aqui para sempre? 

domingo, 29 de julho de 2012

É preciso cantar



É preciso cantar. E manter a sanidade. Cantar para espalhar notas musicais de alegria pelos recintos sombrios e cinzentos da prisão de si mesmo. Cantar com a alma, ainda que a boca não se mova, ainda que a voz não obedeça, mesmo que o corpo padeça na total carência de liberdade, de carinho e afeto. 

A música faz voar. Nas asas de um vôo alado, de encontro à imensidão que tudo pode ser. E por isso, é preciso cantar. Um cântico que cubra os gritos de dor do vazio ao lado. Ou do vazio que habita o próprio ser. Mas cantar. Cantar para ser animado da gota de vida que existe no som da canção. Cantar para ser preenchido do sonho de que a tortura terá fim. Cantar, cantar, cantar.

E seguir cantando. Entoando cores na expressão de uma doce melodia. Encobrindo o medo de acabar-se só. E cantar a todo instante para que a esperança permaneça viva e erguida. De pé, altiva, sorridente. Cantar. Sem se incomodar se incomoda. Cantar bem alto. Para que o próprio coração ouça seu clamor pela vida. É preciso cantar. Até, e principalmente quando, tudo parece ruir. Porque o canto pode salvar. 

Salvar da guerra, animalesca emboscada humana que corrói o laço entre o hoje e o amanhã. Guerra, finitude de toda e qualquer forma de sensibilidade. Cantar é preciso. Porque quebra o ciclo de horror que se instala nas paredes frias que enclausuram os fortes. Cante. Pois cantar evoca o amor. E o amor é dotado de uma partícula do infinito. Incondicional, tudo acolhe, tudo ama, tudo reúne, em seus braços ternos e delicados. Tudo perdoa. A música de quem canta sempre será ouvida em algum lugar...

(Escrevi esse texto vendo Incendies, um filme canadense maravilhoso, que eu super recomendo. "La femme qui chante" inspira. Veja e entenda melhor o que estou falando. É forte, primoroso, arrebatador e surpreendente. E mais um tanto de adjetivos que eu sugiro que você veja o filme.)

sábado, 28 de julho de 2012

O fantástico mundo de Walt Disney




Há algo de muito especial no mundo encantado de Walter Elias Disney. Algo que, de tão magnífico, estendeu-se além de seus parques... E além de suas fronteiras tudo também é pura diversão e alegria, com parques para todos os gostos. Mesmo que não seja um parque da Disney, o que há lá, vem dele. Semente que deu frutos.

A criança que vive dentro de mim, um dia foi criança de verdade. E era muito lúdica, vivia no mundo d fantasia. E de repente, encontrou ali na Disney seu lugar perfeito. Foi súbita e novamente alimentada com a mais pura magia, o mais belo sonho... Aquele castelo fez Cinderela emergir do meu disquinho de vinil, que rodava diariamente naquele toca-discos daquela casa em que não moro mais... Branca de Neve estava alí, na minha frente... Peter Pan assoviava sua canção... Pinóquio passou por mim e deu tchau, ele era um menino de verdade... Tudo isso ao som da musiquinha do meu programa favorito aos domingos, no SBT... As lágrimas pareciam não se esgotar. E senti, assim, minha idade diminuir, diminuir, diminuir, até que não pude mais esconder: eu tinha 8 anos novamente.

Todo dia era dia de parque. Foi assim nas férias em Orlando. Mas o primeiro domingo lá foi um acontecimento: acho que entrei numa máquina do tempo e nem percebi. O mágico Magic Kingdom está além de qualquer tentativa de explicação. É a morada do encantamento, local onde residem os sonhos. E embora ninguém veja, tenho certeza agora que as fadas tocam com varinha de condão os corações que lá passeiam.

Brinquei, joguei beijo para personagens, pedi autógrafo e tirei fotos com eles. Corri solta pela Main Street como se ali a liberdade morasse e dissesse: "_Venha criança, venha para os meus braços!". E eu fui. Deixei vir aquela essência pueril que a gente insiste tantas vezes em esconder por receio de alguma coisa tola que nem sabemos o que é. Ah, deixei! E fui tão feliz... Eu estava lá, em Magic Kingdom, e nada mais no mundo importava. 

Era para ser uma viagem em família. Era para ser um período de férias de muita descontração. Era para ser uma viagem muito fora do meu estilo, tendo em vista que não viajo de pacotes de excursão. Mas não foi só isso. Foi muito mais. Fiz amigos, fiquei fã de montanha-russa, e curti demais andar atrás de um guia para que eu pudesse apenas ser criança de novo. E descobri que tenho muito da menina de 8 anos ainda. Neste fantástico mundo é possível ser tudo. Basta permitir-se. E acreditar que o tempo é apenas uma medida física. A essência que vive em nós é atemporal. 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Férias


Malas prontas e lá vou eu de novo, fazer uma das coisas que mais gosto nesta vida: viajar! Desta vez, vou para Orlando, destino meio óbvio para o meu gosto, mas sabe como é, a vida contém o óbvio e eu não ouso andar nesta contra-mão, com hífen mesmo, pois até agora ainda não parei para estudar as novas regras. Odeio regras, mas lembro-me agora que as ortográficas são necessárias, fazer o quê... 

Fazer o quê? Agora, esquecer o português, tirar o inglês da bolsa e fechar a mala. Pegar o voo, para voltar a ser criança, e brincar até não poder mais, que é outra coisa que gosto muito também. E como vamos em família, mãe, sobrinho, sobrinha, o que não vai faltar é brincadeira. Quero escrever de lá, mas não sei se vai dar tempo. O ritmo promete que vai ser frenético. 

Qualquer que seja a situação, vou fazer um diário à moda antiga mesmo. Aí, o que for legal eu publico aqui depois. Então, só para não deixar de me deliciar antes de ir, estou aqui, escrevendo umas letrinhas e percebendo-me cada vez mais dona de mim, dona de minha vidinha. Porque é assim que faço, é assim que sou: vou caminhando e fazendo o caminho. Eu faço escolhas. E amo isso! 

domingo, 8 de julho de 2012

Tormenta

Tormenta
Na água salgada
Reviravolta que escorre
Dos olhos e cai
No copo
A água
Ardente
Dói.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quando



Quando não sei o que fazer, não faço nada. Quando não tenho o que dizer, fico calada. O que não significa dizer que, quando eu não saiba o que vestir, eu fique pelada. Também não é assim. Visto-me. Do que há de mais confortável e surrado, porque meus movimentos odeiam restrição. Nunca pensou nisso? Nunca achou que eu odeio coisas? Odeio coisas e algumas pessoas também. Pois tenho em mim todos os sentimentos do mundo. Aliás, essa frase me soa familiar. Um plágio incontrolável (pausa, pois vou ver se é de quem penso que é).

Claro! É dele sim: Pessoa. Mas ele tem todos os sonhos do mundo, eu tenho todos os sentimentos. Meu mundo não é cor-de-rosa, como pensam algumas amigas, só porque gosto de babados, rendas, laços e frufrus. Meu mundo é azul. Da cor do mar. E se ficar cinza, porque o dia está nublado, tudo pode acontecer. O mar pode ficar cinza. Ou talvez eu prefira desenhar o sol .

Mas quando não quero, não sou. Quando não encontro espaço, deixo para lá. Porque não me diminuo para caber e nem sequer insisto com a minha presença. E aí, tudo em volta se faz ausência do outro que ficou para trás da boca para fora, mas que ainda mora, aqui, dentro de mim. E pego de novo emprestado uma idéia, mas que agora não vou pausar para saber de quem: eu poderia perder todos os amores que tive, mas não sei perder um amigo. Principalmente quando perco para a vida. Principalmente se percebo, que reciprocidade não era a tona. E que talvez, não fosse tão amigo assim.

Então, quando desisto, eu vou adiante e me afasto do que ficou. Quando quero respostas, me deparo com tantas perguntas que percebo que o problema é o tanto dos questionamentos que invadem o silêncio da minha alma. Que já abarrotada de fala tagarelante de um eu inquieto, pede socorro. E olha. Um olhar para dentro de mim mesma. Em busca da menina silenciosa que mora ali, e que ainda brinca com os sonhos. Aqueles mesmos sonhos que O Poeta tem do mundo. 

Tudo isso quando eu tenho coragem. Porque quando eu tenho medo, eu luto. Enquanto outras tantas, eu fujo, eu fujo, eu fujo.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Casa Vazia


Bati à porta
E ninguém respondeu.
Eu entrei.

Sonho de vida
E ternura sem fim.
Ali fiquei.

Longo tempo
E eu esperando o amor se dar.
Cansei.

Casa vazia
Morada fria
Noite sem dia
Fui embora.

E não mais voltei...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Silenciamento


Hoje, tomada por um sentimento de quietude desconfortável. Talvez porque não seja quietude, mas silenciamento, que é meu neologismo para quem fica calada à força. À força de, melhor calar a falar e ser mais mal interpretada ainda. Então, quando é assim, deixo pensarem o que quiserem. Mas sou humana. E me recolho no meu mundinho e fecho ele todo, todo, todinho. Para mais ninguém entrar, porque não quero que caiba mais ninguém ali. Para eu ficar nele do jeito que sei, e sem ser machucada. E pensando bem, a crise de criatividade é só consequência. Vim aqui hoje desabafar. Quem sabe, passa... quem sabe, não. Nada é autobiográfico até que seja. E o sentimento de inadequação quando bate, dá um quê de "meu mundo não é esse...". Dias de águas rasas...


quarta-feira, 27 de junho de 2012

A dúvida que paira no ar


Se eu te olho e você me olha... nós olhamos um ao outro?
E quando eu te toco? Você me vê melhor?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Poema do Amanhecer do Dia


Sua janela tão bela
Expande a luz
Que adentra meu ser.

Janela-varanda
Varanda-janela
Abraça meu querer.

Olhos de amor
Encantos de vida
No perfume da flor.

Sou sonhos
Inteira
Explosão secreta, ardor.

Cheiro de mar
E meus sentidos afloram
É tudo ebulição...

Vejo, ouço e percebo
No toque, no gosto
A puríssima emoção.

Fantasias e devaneios
Quando penso em você
Quando olho a sua janela.

Janela-varanda
Varanda-florida
Florida-iluminada.

Bela...
E nasce o sol!

domingo, 24 de junho de 2012

Noite de São João


Já noite alta, lendo coisas diversas de pessoas diversas numa rede socialmente aleatória e alheia ao que importa, dei-me conta: é noite de São João! "O céu fica todo iluminado, fica todo estrelado, pintadinho de balão...". Mas balão agora não é politicamente correto, e reza a cartilha que temos que ser politicamente corretos. Não, não estou defendendo a idéia de soltar balões, antes que alguém diga que o estou. Apenas, sou avessa a regras, e permito-me sentir saudade da minha infância, em que, festa de são João, tinha balão. Ponto. Mas tudo bem São João sem balão.

O que não pode faltar é quadrilha, bem dançada, muito animada, vestidos coloridos das damas, cavalheiros com remendos nos ternos e chapéus de palha. Anarriê! Mas bem, por aqui não é fácil achar uma festa assim. Nos colégios somente, onde as crianças se apresentam, levam seus pais, é aquele boom de fotos e filmagens, todos se acotovelando para o melhor clique de seu filho. E quantos filhos... cada um de uma família, aquele apinhado de gente, o programa vira uma chatice: espera-se o momento do palco. A festa junina pela festa junina está em segundo plano Enfim, talvez seja possível um São João sem quadrilha. Lá perto da minha casa de infância mesmo tinha uma festa assim. Sem quadrilha. Mas com fogueira.

Isso: o elemento principal é a fogueira. À meia-noite, do dia 23 para o 24, a fogueira era acesa e os que tinham fé em São João atravessavam a dita cuja descalços e não queimavam seus pés. No dia seguinte, era o maior comentário na cidade... "Fulano atravessou a fogueira ontem, você viu?". Eu nunca vi. Ninguém. Naquela época eu era criança. E quando eu era criança, meia-noite era muito tarde. Não era horário para criança estar acordada. De maneira que nunca vi uma coisa dessas, e lamento profundamente... 

É, quem viu, viu! Quem não viu... Porque agora, verdade seja dita, acho que nem balão, nem quadrilha, nem fogueira, nada disso tem em festa junina. Se bobear, nem São João comparece à festa dele mesmo. É a morte total e plena do nosso folclore. O que temos por aqui é um corredor de barraquinhas, com comes e bebes de toda a ordem. Isca para o consumo, pura e simplesmente. E por falar em isca, é verdade, costuma ainda ter pescaria. Claro, ora essas! Pois se o objetivo é consumo... 

Eu queria muito que aquelas festas que ainda se vê no Nordeste do Brasil se mantivessem presentes em todo o país. Porque gosto da idéia de que as tradições de um povo não morrem... Mas também sei que, para isso, esse povo precisa estar mais pronto para se reconhecer - e se auto-enaltecer - em seus costumes.      Só para espantar esse saudosismo todo para bem longe, bem que são João podia se fazer presente hoje, aqui e agora, e "acender a fogueira do meu coração". Já que as outras coisas estão se perdendo...

sábado, 23 de junho de 2012

Vestido de deusa - Momentinho fashion


Ai, que eu amo com todas as três letrinhas os vestidos do Elie Saab! Super vaporosos, românticos até o último ponto, repletos de rendas, babados, aplicações, ou tudo junto, eles são simplesmente o máximo. Máximo mesmo, inclusive no precinho, que não é para simples mortais. Um curtinho, simplesinho, tá em torno de, ouvi falar, 10 mil euros. Um longo então... Mas deixa eu sonhar, vai! Precisava de uma costureira urgente, só para copiar todos eles, rs. E claro, convites incríveis para ir a festas mais incríveis ainda e poder usar os vestidos longos copiados da costureira, rs. Esse azul aí é de fazer qualquer mulher se sentir uma deusa. Ainda que a festa não seja no Olimpo. E como eu sou muitas, já disse isso por aqui, hoje estou dando espaço para o meu lado deusa. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre encontros - e também desencontros



"Tudo o que você procura, também te busca", me disse alguém, certa vez.
Chega um dia em que, tal qual pergunta e resposta, chave e fechadura, queijo com goiabada, ocorre o encontro. Chega esse dia? Mas e se nunca acontecer o encontro? O que terá acontecido? A pergunta estaria errada ou a resposta seduzida por outras indagações? 

Bem, isso eu já não sei dizer... arrisco um pitaco somente, que isso sim, eu posso fazer aqui: dar pitaco à vontade! E eu diria que alguém se equivocou, nesse caso. O que eu desejo mesmo, é que, com ou sem equívoco, sejam todos felizes. Que a procura encontre o que busca e a busca alcance o que procura. Enfim, adoro encontros!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rio+20


                                                          Foto de Rachel Rebula - Peixes feitos com garrafa pet na praia de Botafogo

Às vezes não consigo passar incólume a certas coisas. Não consigo pensar em poesia, fantasia, em lirismo, quando a realidade está tão desnuda e sangrante. E como o blog aqui é contemporâneo, antenado, descolado e politizado (nossa, quantas qualidades enumeradas por "mimself", rs!), tenho que falar da Rio+20! 

Isso mesmo, meu povo! O Rio fervilha em passeatas, em manifestações, em gente de todo o lado bradando uma voz que estava calada. O mundo todo está aqui na forma de chefes de Estado e de gente comum. E pelo andar da carruagem, que logo vai virar abóbora, nada muito sério vai ficar definido do ponto de vista do compromisso das nações. Precisávamos de resoluções com sério comprometimento ambiental, mas parece, por enquanto parece, que muito pouco vai mudar. Mas sempre alguma coisa fica. 

E para mim, fica o debate. Fica o assunto remoído na mente de cada ser humano. Fica um ponto de interrogação que cada um tomou para si sobre o que fazer para viver uma vida com menos impacto no planeta. Água, ar, clima, lixo, atitudes ecossustentáveis, fontes de energia renováveis. Todos os temas à tona. E que todos os temas tornem-se práticas diárias em nossa vida, para manter nosso querido planeta Terra essa coisa linda, azul, azul, azul. Ah, como eu queria, só uma vezinha, poder ser astronauta!

terça-feira, 19 de junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A tela


Pincel de magia
pinta de alegria
o cinza dos nossos dias.

E enquanto o mundo sonha
dança sobre a tela
e numa linda aquarela
desenha o mistério...

Mistério da vida que aparece,
da flor que cresce,
do amor que permanece,
das palavras...

Dança pincel!
E sobre a tela
desenha o meu pensamento...

domingo, 17 de junho de 2012

Apnéia




Encho o peito de ar. Prendo a respiração. E dou o primeiro passo.

A seguir, lanço-me. Em plena pausa respiratória.

Mergulho.

Profundo.

No abismo de não saber o que virá.

Até nada mais enxergar.

Até tudo o mais sentir.

Sentir ao extremo.

O frio.

O fio. Da vida e da morte.

Água a me envolver.

Seu colo... como parte da natureza...

E eu em outros passos de tudo fazer.

Sem respirar.

Sem precisar.

Sem mais nada desejar que já não tenha.

Êxtase. Ainda em pausa a respiração.

E por fim, a hipóxia.

Efeito alucinógeno da emoção.

E a morte.

Morre.

Morre em mim, a razão.

Que faltava esse...



Que faltava esse... um post que falasse de agradecer... Só para agradecer, sem ser uma frasesinha de obrigada sobre outro assunto. O obrigada como tema exclusivo, fim, objetivo, meta, sem mais nenhum outro propósito!

E que dia lindo que se levanta hoje (obrigada!), com um sol lindo (obrigada!)... um céu azul (obrigada!)... o calçadão e a praia me esperam para uma atividade física básica... pois que posso: tenho pernas que andam, braços que se movem, coração que bate, olhos que vêem, cérebro que sabe o caminho de chegar lá sozinha sem ajuda, por meus meios... ah! Obrigada!

Obrigada pelo ontem... que terminou triste, mas que foi um dia lindo também... Tudo é possível nessa vida, e a possibilidade de tudo ser possível me faz agradecer. Agradeço inclusive a tristeza no fim... Porque se ficamos tristes na partida de alguém é porque esse alguém nos fez bem enquanto estivemos juntos, seja num lindo dia como ontem... seja quando a partida é para sempre, dessa vida, e assim sendo, o obrigada à oportunidade de ter convivido com um ser que me permitiu experimentar agora esse sentimento chamado saudade, que para sempre se fará presente a sufocar... 

E a mim é dado um novo dia. Sigo adiante. Um dia que pode não terminar. Pois acordei hoje com um senso enorme de minha transitoriedade por esse mundo. E obrigada por isso! Obrigada aos amigos de todo o dia, da infância, da adolescência, da vida inteira, da faculdade, do trabalho, das viagens, pessoas com quem tenho trilhado meu caminho e compartilhado experiências - profundas e superficiais, porque tudo é necessário - e que me ajudaram a ser quem sou hoje.

Obrigada aos meus antepassados todos... que deixaram nascer seus filhos, que mudaram de terras, que saíram da França e foram ao Líbano, e que séculos mais tarde saíram do Líbano e vieram para cá, e encontraram uma galera que tinha saído de outros tantos cantos, e que hoje, sou eu neles...

Ah, que vontade de agradecer toda vida, por muitas linhas, enquanto Adele canta lindamente... Mas o sol está ali fora, entrando aqui na sala e sorrindo para mim... Ele me chama e eu vou lá: praia!